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Helena Armond

25.1.1928 - 1.5.2014

 

 

Poussin, The Nurture of Bacchus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Fortuna crítica:


Alguma notícia da autora:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bernini_Bacchanal_A_Faun_Teased_by_Children

 

Da Vinci, Cabeça de mulher, estudo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, Rinaldo e Armida

 

 

 

 

 

Helena Armond


 

Bio-bibliografia


Helena Armond, nasceu em Muzambinho MG, data ignorada não há registro. Residência, São Paulo SP.

Até 1977, artes plásticas em salões oficiais e galerias a seguir instalações - arte conceitual com destaque para bienal internacional SP quando atapetei com 400 metros de outdoor as rampas do prédio num protesto a sociedade de consumo. Datas? em registros engavetados ou voadores...

De Ezra Pound: "O MUNDO PRECISA DESESPERADAMENTE DA BOA POESIA... E POUCO IMPORTA QUEM A TENHA FEITO".

16 livros publicados.

06 infantis - MELHORAMENTOS.

No primeiro VER-MELHO-R cito C.J. JUNG: "a principal de todas as ilusões é a que admite que alguma coisa pode satisfazer alguém. Esta ilusão permanece atrás de tudo que é intolerável e na frente de todo progresso".

1-do infantil VER-MELHO-R-Melhoramentos 1988):a partir da teoria de GOETHE sobre as cores em suas complementares.

"Estamos acostumados a olhar e menos habituados a VER. Olhar é um ato mecânico, sem reflexo. VER é receber uma impressão e pesquisá-la. Ultrapassar o estabelecido por códigos.

VER é deixar os condicionamentos e travar uma intimidade maior com tudo o que é perceptível. VER é descobrir novas informações e saber que a fonte é sempre alterável e inesgotável. VER É DESCOBRIR O "OLHADO".

Helena.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da Vinci, La Scapigliata, detail

 

 

 

 

 

Helena Armond


 

...e... se ergueu criatura


...e... se ergueu criatura
de águas e argila crua
amalgamada sem o decantar
instrumental de sopro
e...partitura de cantar
que transudando cada poro
água e sal de argila-cota
vive tempo de jogral solo
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Delaroche, Hemiciclo da Escola de Belas Artes

 

 

 

 

 

Helena Armond


 

DE ARCOS
 
 

EQUACIONADOS

GÓTICOS

VITRAIS DAS CATEDRAIS

DOMINUS VOBISCUM

DOMINUS

ARQUITETURAS

PROJÉTEIS

OGIVAIS

FAZEM DE VIDRO MOíDO

CASAS ORIENTAIS

DOMINUS VOBISCUM

OGIVAS ESPACIAIS

CORTAM ESPAÇOS VITAIS

DOMINUM

DOMINUM

DOMINUM

AO

ANIMUS DOMINI

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Triumph of Neptune

 

 

 

 

 

Helena Armond


 

demos


ao homem
o que é do homem
aos alcalinos demos
o número cincoenta e cinco
demos a Césio
o que é de Césio
Demos ao homem
o que somos
e... o que temos...
demos


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

 

 

 

 

 

Helena Armond


 

queimado e pardo


queimado e pardo
puxa a carroça
parda
de monturo pardo
tirando fogo
do asfalto pardo
alvo de atropelamento
sangra
vermelho pardo
a sua volta
coloridos pálidos
repugnados
vomitam pardo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Bathsheba

 

 

 

 

 

Helena Armond



Língua


língua
lambe
lábios
cantam
mantra
se
repete
em
dança
se
repete
a
dança
se
repete
a
a dança
em
chamas
línguas
lambem
cantam
mantras
a
dança
do
fogo
de
RAVEL
É MANTRA


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Velazquez, A forja de Vulcano

 

 

 

 

 

Helena Armond


 

Pilares


pilares
são minhas pernas
e torre sou eu
e faróis
são meus olhos
sinalizando em verde
um-------> SIGA--------->
antenas
internas
à fontanela
mais aberta
que nunca....
todo o resto
foi derribado
ao meu redor
e predestinada
adivinho
as uvas maduras
a hóstia
de
sarraceno
seqüóias
violetas
minha conta bancária ? 1490-9
do banco
de pedra
inteligente
me olha interroga...
posso sim
ouvi-la dizer
sou parte
desse jardim
seguro pela mandala
contida num caracol
é o que resta
num silêncio que fala

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Titian, Venus with Organist and Cupid

 

 

 

 

 

Helena Armond



É quase um conto que conto


é quase um conto que conto
==
entender
primário...
um rosário
que via a minha mãe
fazer correr
entre os dedos
em momentos de ...
( lazer ?)
num ruído
das contas de vidro
fazer
contas
de dez ave-marias
(um pai nosso estaria no club)
e...em se chegando na placa
alto relevo
retratando Jesus...
beijar o frio metal
fazendo na testa
uma cruz
e eu num enlevo...
em quase estado de graça
sabia poder optar um dia
( meus orgasmos
ou noviciado )
entender
o que ouvi
e concluir
privilégio ou conluio
ter sido ser salva
de
um
dilúvio
e dar graças
e sentir alegria...
entender
que
pra ler e escrever
cartas
(nunca
escritas
nem lidas)
deveria
entender
e ter consciência
dos/em/nos mapas mundi
mentiras e descalabros
uma coisa chamada divisa
ou
fronteiras
e conseqüências...
e entender
literalmente
que literatura ausente
não nos faz doentes...
nem diferentes na essência
ora!
entender
grandes discursos
em longos cursos...
JAMAIS
entendi
apenas
entendo a leitura
de cada poro
de cada
gesto
de cada brilho mutante
das íris
à minha frente
e
me
livro
dos
livros
em só poder
entender
o imediato
em que
vivo...
e
o poder
entender
esse engodo=
onde
encontrar a barca
n (o)(ã)é?
e...
se vou ser salva
do fogo...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Michelangelo, 1475-1564, Teto da Capela Sistina, detalhe

 

 

 

 

 

Helena Armond



Só Van Gogh pinta o vento


só Van Gogh pinta o vento
e fixa os movimentos
de cada vento que passa
verde azul e verde azul
e
verde azul
ou azulverde
e desvenda
pensamentos
das pessoas que retrata
tudo é curvo sem ser torto
em abandono ou pose
nos rostos o tortuoso
dos trigais
ácido glutâmico ácido
o que ativa
e das papoulas
( o ópio que não provamos )
e um artista precisa ?
não...
ele auto-fabrica e expande
e constrange
escandaliza
nem tudo que é torto...
é curvo
pode apenas ser quebrado
pra se fazer um mosaico
onde
não se fixa o vento
(é de retas esse elemento)
os movimentos
são feitos
pelo pó vermelho ou ocre
por verdes azuis azuis verdes
amarelos+azuis=verdes
das faces
e palidez
de Van Gogh


 

 

 

 

 

 

15/01/2007