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Da
notícia

III
Semana da Raiva no Maciço tenta obter controle da doença O
surgimento de 11 casos positivos de raposas com raiva, em municípios do maciço
de Baturité fez a Secretaria Estadual de Saúde promover uma reunião de
emergência, no Seminário de Guaramiranga. Aberto ontem de manhã, com término
previsto para as 18 horas de hoje, a III Semana da Raiva de região pretende
capacitar profissionais para implementar o controle da doença. Dez mil
cartilhas serão distribuídas pelos agentes de saúde, ensinando a população
como agir no caso de mordida dos animais, e como evitá-los. Segundo
o coordenador das zoonoses no Estado, Nélio Batista de Morais, a raiva
silvestre ainda é um grande problema no Ceará e nos países do primeiro mundo,
tais como o Estados Unidos, Canadá, França e Bélgica. Não há prevenção da
vacina em se tratando de raposa, morcego e sagüi. Assim, destaca, ser o
trabalho de educação em saúde o mais eficaz, sensibilizando o cidadão para
evitar o contato. RAPOSAS
EM BANDO De
acordo com o depoimento de pessoas agredidas, as raposas surgem em bando,
geralmente ao final da tarde e perto de localidades com água. São animais
magros, já apresentando queda dos pêlos. Nélio acredita que isto aconteça
por conta do desequilíbrio ecológico causado pela seca. Os animais, devido o
instinto de sobrevivência, estão migrando de seus territórios para outros,
gerando inclusive ataques entre eles e transmissão maior do vírus da raiva
animal. Os
casos de raiva, este ano, foram diagnosticados em Acarape, General Sampaio,
Mulungu, Pacoti e Horizonte. Ano passado foram sete, dos quais 90%
concentrando-se em Tianguá. Através do trabalho educativo do 12º Departamento
Regional de Saúde foi possível o ano de 1992, com o foco, e sem ocorrer o
registro de raiva humana. Em caso de agressão, Nélio recomenda as pessoas a
procurarem urgente a unidade de saúde mais próxima, para se submeterem ao
tratamento anti-rábico. A
situação no Maciço de Baturité foi exposta ontem por José Delson Portela de
Aguiar e José Eduardo Cabral Maia Junho. A política de saúde da região foi
explorada (sic) pelo diretor do 1º DERE, Raimundo Gomes de Matos. Hoje a
abordarem será sobre o diagnóstico laboratorial, de cuja mesa redonda, Nélio
Morais também participa e a programação se desenvolve ainda com a avaliação
dos casos de raiva feita por Francisco Fraga Pereira, concluindo com as
propostas para implementação do controle da raiva, no Maciço. |
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CANTO I
DOMINANDO
A SERPENTE
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Na página anterior,
sintetizei os jornais,
mostro o pau e mostro a cobra
de chocalho,
dezesseis enrusgas,
contei e guardei.
Consertava...
— É com cê ou é
com esse?
Tanto faz,
água,
água aqui é sempre música,
o pau-da-cacimba do gado,
com o Mitim da dona Cotinha,
areia seca, rio Macacos...
quando ela chegou,
Crotalus terrificus... naquele tempo!
Matei e enterrei,
buraco do formigueiro.
Os jornais de minha terra
nem souberam, nem disseram...
— E era para saberem?
BBC, Voz da América,
Rádio Tirana, nem um pio...
— E o meu rádio e o meu jornal?
Lá em casa não tinha rádio,
muito menos jornal,
os assuntos eram os de sempre,
de manhã, de tarde e de noite,
comeu, trabalhou, dormiu!
Agora peço licença
para contar o silibolo:
é
outro pau, é outra cobra,
nem é pau e nem
é cobra,
é tudo pau, é tudo cobra!
Raposa? Nunca matei!
Pois lá vai tinta:
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CANTO II
A BUSCA
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À
notícia dos jornais,
corri
ravinas, malocas, locas,
espinhos,
garranchos, carrapichos,
buracos,
pedregulhos, poeiras, caatingas,
tocas,
ocas, precipícios...
Gritei:
—
alwphx (alopex)
?!
—
Vulpes?!
—
Renard?
—
Renaaaard?
Não
escutei,
quase
desisti.
Lembrei
Assis, Canindé, Francisco:
—
Francisco?!
—
Francisco!?
—
Fale simples,
chame
a “Comadre”
(disse
o Santo),
é
a senha,
batei,
abrir-se-vos-á!
Do
oitão da Basílica, Canindé,
ao
Pico-Alto,
ao
Pico do Caga-Fogo,
vaga-lumes
apagados...
Baturité,
maciço,
às
brenhas,
todas
as brenhas.
Ananias autorizou.
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CANTO
III
O
ENCONTRO |
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—
Comadre Raposa,
oi
de casa, sou de paz!
—
Diga lá, compadre Chico,
irmão Francisco já avisou...
escutei o compadre chamar
Helade, Latium, Gallia
[sem
a senha, jamais responderia...],
muito prazer,
sua
criada,
a Comadre.
Avistei
a Comadre,
esquálida,
cinza, fulva...
caídos
os pêlos,
magra,
pelagra...
Arrepiei!
Arrepiei!
Três
cabelos, pretos, duros,
do
Coisa,
ponta
do rabo,
a
Comadre carrega, dizem.
sub
super
fantástico
extra-sensorial...!
Quem
já viu a Comadre,
vasqueira,
chofre!
Cacimba
de praça,
riachote
do gado,
tardinha
barrenta,
cinza,
poeira, pó:
Pfummm
chiiiuufff chiiiuuufff
Dentes,
rapa-pé, garras, hiato, pizzicato!!!
Arrepio
tremido,
espanto!
Um
susto:
fugiu!
Cadê?!
Cadê!?
Fumaça:
sumiu!
Se
não assustou,
é
o próprio Capeta...
ou,
finório mentindo,
cabrão
disfarçado.
—
Foi medão, Comadre!
—
Não tema, Compadre,
os três-cabelos,
deixo
de lado...
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CANTO IV CONFIDÊNCIAS |
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—
Antes que eu me esqueça,
tá’qui
a borracha-de-sola,
o
Santo mandou;
agora
me diga, Comadre,
é
verdade,
tanta
coisa que dizem?!
—
Compadre Chico, longas queixas,
tiraram séculos de assinatura:
cantadores,
poetas, profetas,
escultores, pintores, prosadores
dizem-me bruxíssima,
do Coisa-Ruim.
—
Não sou!
Direitos divinos eu tenho,
d’Ele!
“Até a raposa tem sua toca”,
Mateus, capítulo oito,
versículo vinte,
faço questão,
vá conferir!
—
É tudo inveja, Compadre,
da doação...
d’Ele...!
—
Acabem-se os chiqueiros,
destruam-se os currais,
estábulos e pocilgas,
as cavalariças reais,
acabar-se-ão todos, Compadre...
menos a minha toca,
Ele disse:
é da Raposa!
—
Daí a inveja.
É tudo inveja, Compadre!
—
Lenda também os três-cabelos...
Passe a mão, Compadre:
veludo, maciíssimo...
só um pouco resseco,
da Seca, Compadre.
—
É verdade, Comadre, finíssima seda!
—
Espertíssima, fabulam;
democrata, mineira, dizem
orçamento, empreiteira, CPI,
fosse verdade, teria eu ficado,
com sêde, na sêde,
doida, faminta, varrida?
Estaria em França, Suíça, Londres,
circuito das águas...
faminta, jamais aqui!
—
Uma injustiça, Compadre,
Esopo, Fedro, La Fontaine,
La Bruyère, Exupéry,
sentenças & aforismos.
Espertos, eles!
Pra cima de moi,
zombam de mim,
tudo
inventado, Compadre.
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CANTO V PERSEGUIÇÕES |
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— Agora, o panfleto,
veja, Compadre,
a infâmia!:
Procura-se!
Bandida!
— O que irá dizer compadre
Urubu!?
É quem está
gôoorrrdo, Compadre!...
Irmão Francisco teria esquecido,
não mandou um queijinho para ele?
— Ah, sim, mandou, claro,
por favor, tome,
entregue você mesma.
— Meu daguerre... Compadre,
no portão
da feira,
aeroporto, estação do trem!?
— Estou tão magra, arrepiada,
um shampoo,
uma mise-en-plis...,
o rouge, Compadre,
você tem um?!
— Dez mil panfletos...?
é demais, Compadre!
Estão loucos!
Eles,
não eu!
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CANTO VI
TALENTOS & CRUELDADES |
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— Veja, Compadre, a Injustiça:
Mico-Leão Dourado,
Baleia, Panda, Peixe-Boi,
minhas irmãs, Azuis, do Canadá...
São os Ricos!
Pobre Raposa Cinzenta...
Sede, com sede e sede!
Cacimba, cacete, armadilha,
está doida, dizem!
— Fosse com eles, os ricos,
nestas brenhas:
pires-de-leite,
nectarinas,
uvas, Compadre!
até uvas
já teriam ajuntado!
— Comadre, confie,
um dia chove!
Canapuns, maxixes, melancias,
rasteiros!
São seus!
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CANTO VII
ENGODOS & ESPERANÇAS |
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— Compadre, e um rio,
dizem que vão
puxar,
nome do Santo,
irmão Francisco,
uvas, dizem,
é só o que tem!
É verdade, Compadre,
tem mesmo?
— Moscatel, champagne, itália,
de-mesa, rosée, lindas, um mel!
Do tamanho de um oiti!
Tem, Comadre, tem!
— ........................
Maduras, Compadre?
— ............................................
Compadre,
com esse tamanho
todo,
devem encostar no chão................. não?
Aqui só entre nós:
................(baixinhas), Compadre?
— Pode confiar, Comadre, bem baixinhas!
— Compadre, é assim mesmo...
tão fácil... incrível!
Eles não atrepam os galhos...
por que, Compadre?
— Comadre, é que.......................................
..................................................por...
lá...
nem gostaria....................................
...............................................
eles...
aca... ... ...
acabaram.............................
com... .... .... com as...
com.....................
Com com as rar-ra-rar-ra-
raposas!
Acabaram! |
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y
a Penúltima.
Se minúscula:
Seca, cardeiro,
mandacaru, sofrimento
& resistência.
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— Compadre, deixe esse rio pra
lá...
Sei que você trouxe a máquina,
— Comadre, fugir não é destino,
é fugaz alternativa do ficar e lutar...
Não trouxe máquina nenhuma,
nem sei fotografar!
— Esse embrulho, Compadre, o
que é?
— É um lençol, Comadre,
do melhor linho...
esses potinhos: incensos, aromas...,
vim preparado, Comadre!
— Preparado para o que, Compadre?
Por que não me beija logo?
— Comadre, sou Piros...
Acompanho os Heróis,
Francisco não lhe disse?
— Tão manso de coração,
o irmãozinho...
é assim mesmo a sua graça?
— Não deixa de ser também, indiretamente...
Chico, de Francisco, faz parte da senha...
Pires, não é nele que colocam
o lume?
O Candelabro,
a penúltima letra...
vão escrever o que no panfleto?
Todas as mentiras de sempre?!
Por que a penúltima, Compadre?
A última não seria mais rica,
— A última não existe, Comadre,
nada é último...
Só Ele, quando voltar...
Último acaba... encerra... aniquila.
Penúltimo, nunca esgota,
sempre é possível
criar...
criar por sobre...!
Tudo em aberto, Comadre!
— Compadre, o seu mestre-escola
Contentar com o Nove, Compadre,
Estaria o Compadre justificando
— Comadre, nada é Dez,
nada é
Ômega,
já expliquei...
O correto é Psi, a penúltima,
sempre tem vaga...
Ômega é Ele,
você interpretou direito,
nunca esqueça,
fique com o Candelabro!
— Compadre, por que o
Candelabro,
— Não, não,
Comadre!
O candelabro é a maiúscula;
o mandacaru é a minúscula...
Mera questão de escolha, Comadre.
Veja,
aqui está o brasão:
Yy
— Mas sou Piros,
o Fogo, grego, Comadre!
— Queima o que, Compadre, esse
seu fogo?
Tão gentil,
abrasa corações?
Um espelho,
Compadre,
você
tem um?
— É um fogo muito velho, Comadre.
“Eis o fogo e a lenha,
onde está o cordeiro?”
Eu estava lá...,
vi tudo, Comadre!
— Onde mais.
Compadre, você andou?
— Em Varsóvia, no Gueto,
Toledo, Massada, Termópilas,
Canudos, Caldeirão, Calvário
...
Petrogrado, também no Paraguay,
La Moneda, estive com Mandela...
Corro o mundo todo... a postos...
Surja um Herói,
chego junto, erijo o Altar!
Trabalho muito pouco,
difícil surgir um...
Senti o cheiro da Glória,
por isto estou aqui...
— Heróis, Compadre, nem
pensar.
Já disse, vou fugir,
é do meu destino,
sempre fugi,
nunca deixei de fugir!
— Tem sido por isso, Comadre,
a outorga... d’Ele!
Ainda assim fugindo...
Sempre fugindo...
A vida...?
— Compadre, por favor, não
zombe...
minha fraqueza,
não basta a Seca, não basta a sede,
agora também o panfleto,
o Compadre acha pouco?!
Agora me diga, Compadre:
o lençol,
as essências,
afinal,
para quê?
— A Comadre queira dar um basta,
lute, lute, até o último de
seu...
Estarei aqui, neutro
nunca intervenho,
não posso intervir!
Eu sou o Circo, Comadre,
o grande Circo,
eu glorifico,
só isso,
eu glorifico!!!
— A Comadre arriscaria tudo,
a vida, claro,
risco total,
mas poderá ganhar...
Fugindo,
escrava, escrava, escrava!
Sempre escrava...
sempre!?
Os
fabulistas, Compadre,
foram
eles,
pregaram
uma peça no Compadre!
Brigar,
como poderei?
Eles
são fortes!
E
se eu morrer?
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CANTO
VIII
AVENIDA COMADRE |
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— Comadre, dez mil panfletos,
ninguém jamais escapou...
Se a Comadre batalhar bravamente,
mesmo que a despedacem...
as outras raposas virão
quando o inimigo se retirar...
Cheirarão um fraco corpinho,
farão um grande alarido,
mas dirão:
estes caquinhos,
tão magrinhos,
é a nossa Comadre!
— Depois, elas sairão, cabisbaixas,
de luto,
engrandecidas, porém,
sempre voltarão!
Um obelisco,
um pedr’e-cal,
letras de bronze:
A Comadre!
— Muitas raposinhas do próximo
inverno,
de infinitos invernos,
se chamarão Comadre!
Orgulhosamente:
Comadre!
— Aquela vereda-maior,
por onde elas correrão, fogosas,
folguedos de quando chove,
onde elas dançarão, viçosas,
seu alegre fox-trot,
será por todo o sempre:
Avenida Comadre!
— Aqui estou e aguardarei
presente-e-ausente,
a pira do Herói
acesa!
Invisível!
— Logo após a luta,
bradarei:
Esta é a Comadre Raposa,
aos Quatro Ventos,
Ad Æternum!
— Pegarei, então,
carinhosamente,
ternamente,
todos os seus trapinhos,
todos os seu pêlinhos...
Linda, a Comadre!
Resplandecente!
Sucessivas dobras,
deste lençol de linho,
aromas e essências...!
yYy
— Uma liturgia sagrada, respeitosamente,
levarei a oferenda a Canindé!
O Santo, doce e solenemente, a receberá;
remeterá, regozijado, a Ártemis,
mais carinhosamente ainda,
com um séquito de Ninfas,
a colocará nos braços de Zeus!
— Ele a soltará nas vinhas
do Olimpo,
Hosana, nas alturas,
assim tem sido!
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CANTO
IX O CIRCO |
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— Agora veja,
Comadre,
o lençol é grande,
sou prevenido!
— O outro poderá lutar,
heroicamente, é claro...,
perder ou ganhar, tanto faz...
— O ritual heróico será dele!
Imparcial, Comadre,
eis o Circo,
vença,
vença o melhor!
— Quero luta heróica, Comadre!
— O Compadre está louco!
Vão fazer um panfleto,
contra você também,
Compadre!
— De onde saíram essas idéias,
— Comadre, de onde saíram, não
sei,
só perguntando aos Heróis,
mas, assim tem sido,
reconhecidos, só eles,
os Heróis!
YyY
Barulho, pisadas, pigarro, chinelas de
currulepo, faca peixeira e vara-pau, o homem, a Besta:
— Ah, maldita, agora tu me pagas,
estás toldando a minha água!
— Não estou, compadre
Homem,
bebi da borracha-de-sola!
— Alto lá, quero respeito, raposa safada!
Não sou teu compadre!
Vou-te matar,
estás doida!
— Não estou doida,
senhor Homem,
tá’qui o atestado,
Adolfo Lutz:
normal!
— Se não estás,
vais ficar!
Vou-te matar de qualquer maneira,
quero a borracha-de-sola,
para jogar
na Loteria dos Dados!
YYY
Um pulo,
eriça-riça, eriçados
os pêlos,
todos!!!
Os do rabo também!!!
Um vento, elétrica, magnética,
caquética,
a Comadre,
logo quem!?
Todos os átomos do Universo...
Big-Bang primordial!
Uníssonos!
Uníssonos:
— Vá matar o Cão,
desgraçado,
desta vez te pego primeiro!
Pernas para que te quero, o valentão!
Sentiu o arranco da Comadre,
mijou-se todo,
fugiu, o covarde!
Num rastro de panfletos derramados...
Escureceu e
Choveu!
A chuva,
hesitante e ventilado borrifo,
ternamente,
um pingo maior;
insistentemente,
um pingo menor;
a chuva...
apagou todos os rastros...!
Desmancharam-se nas poças turvas,
de uma vez e para sempre,
todos os Panfletos!
Quando parou de chover,
noite escura ainda,
Pico do Caga-Fogo,
urupemba finíssima...
peneirando pontinhos de luz
verd'azulados;
infinitos pontinhos
apagavam e
acendiam
infinitamente
o
pico do Caga-Fogo,
I l u m i n a d o !
Fortaleza, noite alta, 12 de
novembro de 1993
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