SEQÜÊNCIACONSEQÜÊNCIA
Dies irae, dies illa,
nada será como d´antes:
doravantesma só cinzas.
Revolve-se a poeira humana.
Por ínvios caminhos,
roma.
Na cama, o lot das filhas.
A natureza se espanta
com o fogo que prometeu:
libertas quae sera tamen.
Bárbaro belo horizonte,
haja sermão nas montanhas
quando ismália enlouqueceu.
Marcados com pedras brancas
vão-se os anéis
aos diamantes
in albis...lento festina.
Olhai o lírio dos
campos:
cui bono? Arcades ambo.
Teste dirceu cum marília.
Lacrimosa dies illa,
chora bárbara heliodora
do norte estrela sem guia.
Transidos de eterno sono
quem rogaturus patronum?
Tudo será cinza fria.
Vivos voco, mortuos plango.
Dormindo profundamente
ab aeterno, aeternum vale,
onde eram neves d´antanho
diadorins... dinamenes...
sub rosa (cum grano salis).
Vão-se os anéis,
fincam os dedos
finos como lã de
cágado
limpando as mãos
à parede:
um no papo, outro no saco,
por baixo, por trás
dos panos
tutti son fatti marchesi.
Litterae bellorophantis
entre amazonas, quimeras,
cumpro o destino a que vou:
res, non verba, hominem quaeso:
no me saques sin razón,
no me embaines sin honor.
A césar o que é
de césar:
rei da lídia ou rei
da lécia,
questão de lana-caprina.
Até aí morreu
o neves:
que a terra lhe seja leve,
com o pão-de-açúcar
por cima.
Vão-se os anéis
de saturno
et campos ubi troya fuit:
cinzas do princípio
ao fim.
Revertere ad locum tuum.
Não compro mais ave
alguma.
Perdi o tempo e o latim.
Com suas rosas de malherbe,
com seus beijos-lamourette
e os seus anéis nibelungos,
sicut umbra dies nostri:
ubi flores de retórica,
ibi cravos-de-defunto.
Dia de todos os santos,
de quebradeira e quebranto,
dia miserere nobis:
num pass-a-nel delirante
entre um anão e um
gigante
cavalo e valquíria
explodem.
Um livro há de ser
escrito
e o homem passado a limpo
bem no nariz do patrão:
quando o tumor vem a furo
de que servos dedos duros
os que se forem, assoarão?
Metendo a mão na cumbuca,
geme e estertora a criatura
numa sinuca de bico.
Em represália ante
o trono,
ao som de tripas e trompas
todos pedindo penico.
Apocalíptico dia!
Dia do tombo, hecatombe,
ingemisco tanquam reus.
O que é do homem o
bicho come:
vamos que zebra, ou que
bode,
quem sabe o bicho que deu’s?
Ante diem, sê benigno,
juiz do justo castigo
cui salvandos salvas gratis.
Ovelha negra inter oves,
correm comigo: eu, contíguo,
cost to cost & the day after.
...
01/09/2000
|