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Ana Cristina Souto
Lenda Medieval
Te quis mais que a própria vida!
Supri o falso amor.
Me desfiz rubra de medo ao teu não!
Tua farsa envolveu minha incontida alma
e o teu sim, fugiu às regras do meu desatino.
Foste um tolo desprezando o meu amor.
Me ofendeste com palavras impuras,
me desvencilhaste do teu rol de amantes;
tornando meu acalanto, em pranto, em toada.
Consagrando minha Terra Perdida.
Não há mais tempo para nós dois.
Sonhei por alguns instantes, eu sei!
Mas não temi tal desafio,
que há muito eu já previa,
ao teu doloroso golpe,
das horas vivas que matei contigo.
Em busca de respostas suicidas
quebrei a cabeça em 5 mil peças
mas nunca entendi,
por que depois de tanto encorajar-me a amar-te
te escudaste em tamanha resistência?
Tenho apenas teu vulto na memória.
Adormecido! Inatingível!
Resgatei teu lado sombrio
das paixões de emboscadas infernais
dos sofrimentos nos porões medievais.
Tu foste o mais indigno do meu amor!
Jamais chegaria a um Persifal,
que lutaria mil batalhas para me salvar
'Que venha a vida ou a morte’ só para ao meu lado estar
Clausura nos meus versos
refeita no meu faz-de-conta
não vivo a solidão imensa de um luar de agosto.
Na busca dos meus idos dias de descompasso
caíram máscaras das preces e promessas
Agora sim!
Virei ao avesso!
E nesse instante de lucidez
eu me sinto e me consinto
feliz a brindar e me embriagar de absinto.
E as palavras que a ti reservei
perderam-se nos atalhos dos caminhos.
Sepultados estão os dias de agonia.
Ceifo lírios dos secretos jardins...
Enfim, passaste em lembrança
acorrentada em calabouços.
Não foste tu a arrancar
a ‘espada da minha pedra’.
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