Jacques-Louis David (França, 1748-1825), A morte de Sócrates

Jacques-Louis David, França, 1748-1825:

A morte de Sócrates.

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Jornal de Filosofia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Do Círculo Hermenêutico Periférico

ou

Da Introdução aos Símbolos

 

Soares Feitosa

 

1.

Prólogo & proposta

 

Todos os seres vivos interpretam mensagens. Seja o protozoário da malária que um dia “descobre” a malignidade do DDT contra si, e, imediato, se transmuta num novo organismo resistente ao DDT; seja uma velha e antes assustada baleia que, depois da práticas conservacionistas, vai perdendo, pouco a pouco, o medo do homem. Todos os procedimentos dos seres vivos, plantas, sementes, vírus, animais de pequeno e grande portes, conscientes ou inconscientes, resultam da interpretação de mensagens. Ai dos que se enganarem! Ai da semente que, antes do tempo, venha a detonar os mecanismos de germinação. Germinará no seco, à morte, é claro. Em suma, a hermenêutica  como arte, ciência ou método (deixemos as classificações de lado, por enquanto) é a verdadeira e provavelmente única chave e chance da sobrevivência. [A propósito de germinações antes do tempo, este texto, Dormências]

É coisa antiga, 1960, por aí: uma enciclopédia da revista Life, americana, a foto da corrida dos espermatozóides. Um batalhão de corredores à maratona de São Cristóvão (São Paulo, Brasil) seria menos homogênea do que aquela tropa compacta de 5 milhões ou muito mais, bravamente à espetacular corrida da fecundação. Claro que aqueles minúsculos seres vivos (ou não seriam seres?) estavam a “ler” e a interpretar os sinais elétricos, eletrônicos, feromônios (ou, que fossem senhas, mensagens de uma mídia que ainda não sabemos ao certo, como), emitidos pelo óvulo, lá, paradão, a dezenas de quilômetros proporcionais. Dizem, que mantida a escala "espermatozóide versus homem", um nado maior que atravessar o Canal da Mancha.  

Pois bem, no momento exato, microssegundos, em que um deles, felizardo, passou seus genes ao novo ser (ou não seria ainda um ser?), um novo e oposto sinal é emitido: fujam! E, imediatamente “lido” e interpretado pelos corredores restantes, avisando-os que a corrida acabou. Dante, no Inferno, não descreveu aflição maior: aquela malta de corredores, antes tão seguros e resolutos, agora subindo nas paredes e nadando a esmo. Embaralhados. Puro desespero. E morte. 

Em suma, aquele “homúnculo”, como se fosse um, espermatozóide de meu pai (e o do teu pai, também, meu caro leitor) soube ler e interpretar adequadamente as senhas falopianas — mãe. Entre dirigir-se à trompa vazia, houve por escolher a outra, e, à frente de todos, chegou primeiro. 

Qual a diferença entre aquele que chegou e os outros que não chegaram? Só esta: o vencedor "leu" o que havia de ler. Só isto. E o vale de lágrimas que há de enfrentar nos novos caminhos a escolher, às infinitas “mensagens” desta mensagem-total chamada Vida. [E aqui muito cá pra nós: o que é Vida?]

A proposta é discutir os mecanismos de interpretação, demonstrando que os julgamentos, ditos conscientes, nada têm de conscientes porque se ligam ao "círculo hermenêutico periférico". [Haveria, enfim, um julgamento dentro do texto, dentro dos autos? Ou, pelo contrário, os julgamentos se dão "em torno" dos autos, "ao redor" dos texto? É o que me parece — "em torno" —, hoje, 16.07.2001, ao redigir este prólogo].

Avancei, de 16.07.2001 até o dia 11.09.2001, alguns capítulos deste projeto. Com a tragédia do 11 de Setembro, escrevi Gêmeas eram as senhas das torres gêmeas ou O homem limpo de coisas é a medida do Homem. Não sei concretamente os motivos, deixei tudo como estava, umas cem páginas já escritas. E nunca mais.

A proposta não é mais um livro de interpretação dos sonhos. Muito menos cuidarei de horóscopos, previsões, profecias, coisas do tipo. A análise tentará buscas "raízes", simbologias tão antigas quanto a humanidade. Veja, meu caro leitor, este símbolo a "queda" em relação ao Paraíso Perdido. O problema é que em nenhum texto religioso, o Paraíso teria sido construído à beira de um despenhadeiro, o primeiro casal rebolado lá embaixo, pol! no chão, as costelas quebradas.

A Ciência nos fala de árvores e primatas arbóreos, com uma ascendência em comum com o homem. Cair da árvore começa a fazer sentido. Pois um dos "símbolos" mais fortes de nossa humana vida, ainda que jamais tenhamos subido num coqueiro, muito menos num mandacaru cheio de espinhos, é precisamente a queda. Carregamos, pelo resto dos tempos, parece, um símbolo ancestral: cair, o medo de cair, não apenas em sentido figurado, mas cair lá de cima, despencar no chão.

Os símios, é raro, continuam caindo das árvores. Ninguém faz nada. No máximo, desce alguém, faz ali uma pequena zoada, às vezes nem isto — vide programas da vida selvagem —, e a vítima é deixada à morte.

Quem garante que o Humano não teria surgido num súbito gesto de misericórdia: descer para acudir o caído, afagando-o, recebendo o reconhecimento e, com isto, reconhecendo-se as respectivas faces? E,  partir dali, o rosto, o rosto de Deus, o Outro. Por favor, não é uma interpretação religiosa, sem esquecer porém que a religião, qualquer delas, propõe-se exatamente a isto: religar.

Tema a ser desenvolvido nestes ensaios, a nossa condição humana que passa necessariamente pela misericórdia — não é no sentido religioso, por favor, mas não deixa de sê-lo. Clique aqui, por favor: uma bela experiência.

Queda & misericórdia andam juntas. Veja, é imperioso que ouçamos do caído: «Caí!», ou, no mínimo, saibamos do olhar súplice da desproteção. Só assim, com alguma crueldade, legitimamos nossa mão estendida, posto que até bem pouco aquela mesma mão, agora estendida, verberava, de amplo regozijo, os necessários «Bem feito!». 

Agora, com uma nova crise, a crise Brasil, veio-me a idéia de retomar o tema: o possível roteiro ao julgamento das coisas. Um manual de instrução. Cadê o manual? Fazemos ou não um julgamento racional? Acho que não. Pego, agora aqueles textos anteriormente escritos, boto-os para o final deste trabalho, abordando antes, diretamente, os símbolos. Não apenas o que entendemos por logomarca, mas algo mais amplo, digamos, procedimentos, posturas, "manias", "rezas" que se repetem e repetem, desde...!

O cientistas falam em cinco milhões de anos, ou mais, em que um ramo dos primatas teria ganho a linguagem e o senso moral — nós, os humanos. Só há uns cinco mil anos, um pouco mais talvez, tivemos acesso à escrita. Não é nada! Se fizermos a comparação com um ano de 365 dias, só no último dia de dezembro, quase no seu final, é que aprendemos a ler. Aprendemos? Quem disse?! Poucos lêem. Poucos sabem ler. E, dos poucos que sabem, a maioria nunca abre livro algum.

Se ninguém lê, como, pois, o aprendizado? Pelo símbolos! Uma "linguagem" que vem desde os tempos, assunto que abordaremos com muita calma. Volto a repetir: nada de misticismo; nada de horóscopos, nada a ver com astrologia, com todo respeito. A posição dos astros será vista, sim, não como influência dos astros, mas como a força simbólica do nosso olhar, memória ancestral de milhões de noites de deserto, aos céus. A tábula não é rasa!

Pois bem, um dia, julho de 2005, a idéia de abrir a página do Partido dos Trabalhadores na rede mundial de computadores. E o susto! Seus símbolos. Leitor, convido-o!


 

Índice - basta clicar:

  1. Início desta desta página: Do Círculo Hermenêutico Perifério ou Dos Símbolos — Prólogo e proposta.

  2. O Partido dos Trabalhadores e sua crise de 25 anos, algo a ver com os símbolos?

  3. Os símbolos do PT, decifrações.

  4. Os símbolos de Severino Cavalcanti e sua crise mensalinha.

  5. Os símbolos do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste

  6. Decifrando os símbolos do BB e BNB

  7. Ascensão e queda de Roberto Jefferson — símbolos: o riso, as palmas e o silêncio.

  8. Mais símbolos, os varapaus da Bíblia

 

   
 

 

 

Dos leitores

 

 

 

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