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Adelmo Oliveira

Winterhalter Franz Xavier, Alemanha, Florinda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


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Alguma notícia do autor:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ruth, by Francesco Hayez

 

Albrecht Dürer, Mãos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Adelmo Oliveira



Bio-bibliografia


Adelmo José de Oliveira nasceu em 13 de maio de 1934, na cidade de Itabuna, na Bahia. Em 1962, sob um júri formado por nomes de expressão da literatura brasileira, como Manuel Bandeira, Austregésilo de Athayde, José Carlos Lisboa e Pio de Los Casares, recebeu o Prêmio Nacional Luis de Góngora com ensaio “Góngora e o Sofrimento da Linguagem”. Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, 1966, participou do Movimento Cultural baiano escrevendo estudos, ensaios e poesias para os principais jornais e revistas de Salvador.

Publicou entre outros títulos: Canto da Hora Indefinida, 1960; Três Poemas, 1966; O Som dos Cavalos Selvagens, 1971; Cântico Para o Deus dos Ventos e das Águas, 1987;
Espelho das Horas, 1991; O Canto Mínimo, 2000, (Antologia Poética) Poemas da Vertigem, 2005. Participou de várias Antologias Poéticas editadas na Bahia, no Sul do País e no Exterior. Exerceu atividade política contra a Ditadura Militar, sendo preso por duas vezes e torturado. Foi eleito Deputado Estadual à Assembléia Legislativa do Estado da Bahia pelo antigo MDB em 1978.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Riviere Briton, 1840-1920, UK, Una e o leão

 

 

 

 

 

Adelmo Oliveira



Soneto da visitação do caos

A Miguel Carneiro,
amigo e poeta do reino da ficção



Armagedom !...
Armagedom !...

Quando eu morrer daqui a dois mil anos
Nem queira se lembrar de que vivi
Tu sofrerás as penas que sofri
Espumas que se quebram pelos oceanos

Quando eu morrer daqui a dois mil anos
Tua imagem será a que perdi
A minha dor será a que senti
Julgado e condenado pelos desenganos

Serei de tudo apenas no meu cérebro
em transe um viajante do Universo
como uma sombra atrás de um pesadelo...

Armagedom !... Armagedom !... Sobre os penhascos
cavalos voam incendiados pelos cascos
ateando fogo nos planetas e nos astros...


(Inédito – Praia da Aleluia – Ipitanga, Estado da Bahia, Brasil, 21.1.2006)
 

 

 

 

Maura Barros de Carvalhos, Tentativa de retrato da alma do poeta

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Belvedere

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Adelmo Oliveira



Dever de Casa


Eu sou um velho ator sem palco e sem platéia
Que traz no cais do peito antigas ilusões
E do pouco que sabe interpreta lições
De palhaço que alegra os meninos da aldeia

Basta o dia raiar pelas bandas da aurora
- Levanta - bate a porta - e vai ganhar a rua
- Tropeça no silêncio em que flutua a Lua
- Restos de solidão caminhando lá fora

Esqueço a dor - o espelho - as marcas do meu rosto
- Produtos do salário em que se paga imposto
Cobrado pelo tempo e pelas fantasias

Andarilho do vento atravessando o acaso
Deixo a tarde no céu - o meu relógio atraso
E assim faço de mim a profissão dos dias
 

 

 

 

Da Vinci, Madona Litta_detalhe.jpg

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São Jerônimo, de Caravagio

 

 

 

 

 

Adelmo Oliveira



Soneto Antigo da Paixão


Cheguei depois de mim – Era a viagem
Os pássaros do medo – O fel dos dias
O enigma encarcerado – As travessias
de silêncio no vulto desta imagem

toda sombria friamente lívida
caindo no mistério – Esta paisagem
noturna sob a lua era a miragem
de espectros pelo grito que partia

transverso da garganta de meu peito
– Guitarras que choravam – Contrafeito
me enredei no delírio da ilusão

que apunhalava a dor desta perfídia
ágrafa da manhã – Então morri
– Vi minha alma sangrando de paixão


Praia da Aleluia – Ipitanga, 2001
 

 

 

 

Da Vinci, Homem vitruviano

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Helena Pedra

 

 

13/07/2006