Rose Alves

Só Cinzas
                           
               
A Terra
derrama seu pranto ao amanhecer,
os passarinhos
gorjeiam tristemente ao anoitecer
procurando abrigos para descansar,
porém,
não existem,
todos estão a queimar.
E quando novo dia vem,
gotas de orvalho
caem na terra escura,
nas brasas acesas
acalmando as labaredas.
É a Terra que está chorando
pela semente que não germinou,
pela flor que não brotou,
pelo fruto que não amadureceu,
pelo filhote que não nasceu.
Quem suas lágrimas irão molhar?
As cinzas não têm vida
e vida entre cinzas não há.
Este é o futuro
que o homem está a preparar
e nesse futuro, só cinzas haverá.
                                           
                                          
Um lamento diante das constantes queimadas que devastam, a cada ano,
mais um pedaço da nossa fonte de vida A  NATUREZA!

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Página editada por  Alisson de Castro,  Jornal de Poesia,  13  de  Agosto  de  1998