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Oficinas literárias

13.9.2009
Dellano Rios
Com experiências em oficinas de
criação literária, os autores
Jorge Pieiro, Rouxinol do Rinaré
e Tércia Montenegro falam de
técnicas e inspiração em suas
práticas de escrita.
Ainda que a máxima de que a
criação envolve inspiração e
transpiração seja bastante
conhecida, muitos escritores
parecem ignorá-la. Ao que
parece, com o tempo quem escreve
transpira cada vez mais para
chegar ao ideal de texto
almejado.
A
discussão sobre as oficinas e
cursos de criação literária
passa pela questão da própria
formação do escritor - seja lá
que forma ela se der. "Minha
formação foi através de
leituras, que me serviam de
modelos para exercícios, treinos
de escrita. Não sei precisar o
tempo desse percurso, porque fui
fazendo as coisas sem calcular
ou planejar, mais ao sabor da
ocasião, até que enfim eu
publicasse", conta a Tércia
Montenegro, autora de "O
Vendedor de Judas" e "O resto de
teu corpo no aquário".
A
escritora conta que as técnicas
surgiram mais adiante nesse
processo de leitura. "A
reescrita só veio depois. No
começo, eu fazia um conto e, se
não achasse bom, jogava fora. Só
depois de conversas com outros
amigos escritores, de quem ouvia
relatos de como trabalhavam,
comecei a deixar o texto
guardado para pensar melhor a
solução em outra hora", revela.
Segundo Tércia Montenegro, essa
é parte de uma técnica da qual a
autora costuma se valer. "Guardo
até mesmo textos que acho que
ficaram bem realizados na
primeira ou na segunda vez. Tem
que ter a fase da gaveta. O
texto tem que hibernar para eu
esquecer a história e ler como
leria o texto de outra pessoa",
detalha. O tempo para um texto
"hibernar" p ode varia de seis
meses a alguns anos.
Tércia não tem dúvidas que as
oficinas de criação literária
que já ministrou a ajudaram no
ofício da escrita. "A fase da
leitura e discussão daquilo que
se produziu na oficina foi de um
grande aprendizado. O resultado
era imprevisível. Tive
resultados brilhantes. Três ou
quatro alunos continuam na
escrita e até já foram
premiados. O resultado deles me
despertou para outras técnicas",
avalia.
Para a escritora, no entanto, as
oficinas não são algo
indispensável ao escritor. "Você
pode ser forma sem elas. Mas ela
serve para trabalhar esse lado
racional", defende. Tércia
acredita que esse é um
contrapeso à inspiração, "o
impulso inicial".
A
inveja e o caos
Jorge Pieiro diz que seu começo
foi bem peculiar: por inveja.
"Em Limoeiro, eu estudava com o
Eugênio Leandro, que veio à
Fortaleza nos anos 70, cheio de
contos
debaixo
do braço. Aí eu pensei: ´rapaz,
se ele faz, eu também posso
fazer´", conta Pieiro. Mas a
"inveja boa" não fez tudo, foi
apenas o impulso. "Em primeiro
lugar, o sujeito tem que ser
incentivado para a leitura.
Ninguém escreve sem ler. É
aquela coisa de que fala o
Harold Bloom: a angustia da
influência. Primeira você pega
alguém pra imitar. Depois vai
transformando, até conseguir
encontrar seu próprio caminho",
descreve.
Uma técnica de que Jorge Pieiro
se vale é o da escrita
automática. "Quando estava sem
fazer nada, eu tinha uma mania
de começar a escrever o que
viesse à mente, como se fosse um
transe. Nada fazia sentido. Eu
nem sabia o que era surrealismo
ainda e já fazia dessa. Aquilo
era um esvaziamento de idéias,
de palavras. Hoje, muitas vezes
faço isso e depois vou
estruturando, repassando o
texto, modificando, dando
sentido. Outras vezes vai pro
lixo mesmo", explica o exercício
que já partilhou com alunos em
suas oficinas de criação.
Cordelista, Rouxinol do Rinaré
também começou assim, lendo e
ouvindo leituras dos
romances em verso do cordel.
"Acho que o poeta nasce com o
dom. Mas é bom conhecer a
métrica, número de sílabas. Tem
gente que não sabe isso, mas faz
direito, porque o cordel é muito
musical", conta. O poeta já
ministrou oficinas de cordel em
mais de 20 municípios do Estado.
"Elas não ensinam a fazer
cordel, mas formam leitores
críticos. Ao mesmo tempo,
descobrimos poetas. As vezes o
cara é e não sabe", comenta.
Polêmicas no meio literário,
as oficinas de escrita criativa
dividem autores e críticos e
põem em discussão conceitos como
inspiração, intuição, talento e
técnica.
O
menor manual de escrita
literária é de autoria do poeta
chileno Pablo Neruda
(1904-1973): "Escrever é fácil:
você começa com uma letra
maiúscula e termina com um ponto
final. No meio você coloca
idéias".
A
regra de Neruda não encontrará
muitos opositores - só os
radicais que argumentarão que
nem sempre se começa com
maiúscula, nem se conclui com um
ponto. No entanto, a frase bem
feita do poeta oculta um área
turbulenta do processo de
escrita: a do escritor decidir a
melhor forma de "colocar" as
idéias no papel.
Ainda que no clássico da
Antigüidade "A Poética" o grego
Aristóteles tenha refletido
sobre o saber fazer nas artes da
palavra, por muito tempo estes
mesmos artistas esconderam os
bastidores da criação. Tal qual
os evangelistas, o artista
escreveria por inspiração. A
trabalho literário, fruto do
talento, era então entregue para
o público.
É
essa visão que bate de frente
com a idéia de oficina de
criação literária. Na oficina,
ou mesmo num curso de graduação
(comum em países anglófonos),
técnicas são discutidas,
exercícios executados. O talento
se converte em trabalho,
aperfeiçoado pela prática.
Nos Estados Unidos, as oficinas
se multiplicaram incessantemente
após a II Guerra Mundial. Se no
Brasil, a presença desse olhar
romântico sobre o processo de
criação ainda divide opiniões,
nos EUA ela é ponto pacífico.
Não que os escritores
norte-americanos não passem sem
participar de um curso de
formação, mas ele é realidade
para um número expressivo deles.
No país, existem cerca de 750
cursos de graduação e 350 de
pós-graduação. A maioria dos
vencedores do Pulitzer
(principal prêmio literário dos
EUA) é de autores "com formação"
certificada por uma instituição
de ensino.
No
Brasil, alguns autores já
passaram por esta experiência,
caso de Daniel Galera e
Marcelino Freyre. Outros mais
velhos, formados a moda antiga,
se dedicam a dividir
experiências e técnicas, caso de
Raimundo Carrero, João Silverio
Trevisan e José Castello.
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Itinerário de um mestre-aprendiz
Criação
Romancista veterano, integrante do
Movimento Armorial, o pernambucano
Raimundo Carrero é um dos principais
defensores das oficinas de criação
literária no País. Há 20 anos,
trabalha com o formato e já publicou
dois guias para iniciantes: "Os
segredos da ficção" (2005); e "A
preparação do escritor" (2009).
Prestes a lançar seu novo romance -
"A Minha Alma e Irmã de Deus" -,
Carrero falou ao Caderno 3 sobre sua
formação e o trabalho com quem
deseja se aventurar pela literatura
Como se deu sua formação como
escritor?
Como em todo autor brasileiro da
minha idade, ela se deu através de
leituras, leituras e muitas
leituras; e, no meu caso específico,
dois grandes mestres: o primeiro que
me orientou em tudo, e com quem
ainda hoje mantenho contato, foi o
Ariano Suassuna; e o outro foi
Gilberto Freyre, que me ajudou
muito. Não é todo mundo que tem a
oportunidade ter dois mestres como
estes. O Pessoa de Moraes, que não é
um escritor tão conhecido, também me
orientou em meus primeiros momentos.
Me parece que essa formação de
leitura sistemática, aliada à
capacidade de ter três mestres
espetaculares, me ajudou muito.
E como se davam essas relações de
aprendizado?
O mais sistemático, pode-se dizer
assim, entre aqueles com quem
estudei, foi o Ariano. Claramente,
não passava por sua cabeça que ele
estivesse fazendo uma oficina
comigo. Mas me mostrava livros e
autores fundamentais. E não era só
para ler. É aí que entra a questão:
Ariano me fazia discutir uma cena,
um cenário, a abertura de um livro,
o fechamento de uma novela. Quando
fiz parte do Movimento Armorial,
escrevi "A história de Bernarda
Soledade" (1975), publicada pela
Arte Nova com prefácio dele, que
deve muito a estas discussões. Era
um estudo sistemático que fazíamos.
Eu trabalhava com Ariano na
universidade e, no domingo, ia pra
casa dele às 9 horas da manhã e só
saia de lá às 9 da noite. Lembro que
ele me mostrou uma cena de "O
retrato do artista quando jovem", de
James Joyce, e discutiu comigo ela
toda, como foi feita, as razões de
ser daquele jeito. E essa cena ficou
comigo pra sempre. O Gilberto foi
mais no começo. Ele não era
sistemático como Ariano, mas
corrigia meus textos e indicava
muitas leituras.
Como você começou a ministrar
oficinas?
Além de Ariano e Gilberto, tive um
mestre indireto: Autran Dourado. Ele
foi um dos primeiros no Brasil a
escrever sobre técnica literária.
Comecei a ler, estudar e aplicar nos
meus romances. E a fazer novas
técnicas. "Bernarda Soledade" era
uma romance armorial; "As sementes
do Sol" (1981) já é um romance
técnico, com técnicas próprias que
eu vinha tentando criar. Depois, dei
de cara com dois livros
fundamentais: "Madame Bovary", de
Flaubert, e "A Orgia Perpétua", de
Vargas Llosa, esse um estudo
detalhado do romance de Flaubert.
Tive um grande interesse em discutir
aqueles livros com os amigos. Em 89,
quando escrevi "Maçã agreste", fiz
todas as peregrinações que precisava
fazer sem o que o leitor percebesse.
Cada um dos cinco capítulos é
contado na voz de um personagem.
Nesse mesmo ano, fui à Livraria
Síntese, na sala Graciliano Ramos, e
pedi que disponibilizassem um espaço
para escritores e fiz uma oficina. O
Marcelino Freyre foi aluno dessa
primeira turma. Foi quando precisei
ir pros Estados Unidos, para um
programa internacional de escritores
na Universidade de Iowa. Tem gente
que diz, como saiu na Folha de S.
Paulo, que trouxe essa experiência
pra cá. É lá que eles têm a maior
oficina literária do país, mas que
não cheguei a participar. O programa
de que fiz parte era mais uma
reunião de escritores, que
conversavam e faziam oficinas entre
si. Quando voltei, fui demitido do
Diário de Pernambuco, e você sabe
como é ser jornalista desempregado
em uma cidade provinciana. Eu fui
atrás de outras coisas. A primeira
oficina profissional que dei foi no
Sindicato dos Jornalistas. Em 1999,
estabeleci o projeto.
O que consegue se fazer numa
oficina de criação literária?
Essa pergunta é fundamental. É um
equívoco se imaginar que a oficina
faz, inventa, escritor. Não é
verdade. Ela é auxiliar. Digamos que
você já escreve, e vai à oficina pra
aprofundar. Esse é o caráter dela.
Ela não exerce feitiço, bruxaria,
nem é alquimia. Não tem o poder de
transformar pedra em escritor. Ela
oferece uma série de técnicas e
sugestões para o escritor jovem ou
pra quem quer se aprofundar. Tanto
que tem gente que fica comigo cinco,
seis anos.
Você acredita em talento?
Não, usei a palavra mais para
ilustrar. Tive a sorte de ir há
pouco pra Bienal de Curitiba e
dividi uma mesa com Cristovão Tezza
e João Gilberto Noll. Fiquei feliz
em ouvir dos dois que não existe
inspiração. Existe intuição. A
inspiração é algo que não tem o
menor sentido. Você tem que saber
encontrar seus caminhos, mas tem que
trabalhar para encontrá-los.
Nesses dez anos de estudo e
ensino sistemático, o que a oficina
mudou na sua forma de trabalhar a
criação literária?
Amadureço demais com ela. Começo a
entender que tipos de técnicas posso
usar naquele momento certo para
seduzir o leitor. Aliás, essa é a
principal tarefa do escritor:
seduzir o leitor. Se você for um
mero contador de piadas e não tiver
técnicas, não vai acertar nunca. É
por isso que os humoristas também
estudam para contar piadas. Então,
penso que efeito posso tirar de uma
cena, de um diálogo, de um
solilóquio... Hoje, como conheço bem
estas técnicas, sei como seduzir o
leitor e atraí-lo para perto de mim.
O que me impressiona é que os poetas
estudam demais, métrica, isso e
aquilo. Só que quando chega na
prosa, as pessoas acham que de
qualquer jeito tá bom.
Me
parece que, ao questionar a validade
das oficinas literárias, parte dos
escritores está defendendo uma idéia
sacralizante do ato de criar,
romântica até. Em outros áreas, essa
visão já caiu por terra. Por que na
literatura ela ainda resiste?
É claro que tenho meus equívocos,
meus enganos. Mas acho que é porque
ela sempre foi vista como
diletantismo. No Brasil, raríssimas
pessoas têm a literatura como
primeira profissão. Se você não vai
ser profissional, então pra que
estudar? - tem gente que pensa
assim. O que é confuso, porque os
poetas, mesmo sabendo que não vão
ganhar dinheiro, estudam muito. Nos
EUA, onde as oficinas são mais bem
aceitas, a literatura é vista como
profissão. O máximo que acontece é o
cara ser professor, e às vezes da
própria área de criação literária.
Aqui, em geral, eles iam ser
advogados, e nas horas vagas
escreviam, porque gostavam de
escrever. Nem os jornalistas, que
trabalham escrevendo, não se
dedicavam a isso. Mas, você sabe,
tem jornalista que nem lê. O que é
um absurdo.
Toda a nossa conversa foi
perpassada por este alerta, de que
ao escritor é necessário a leitura.
O que ele deve ler?
Primeiro, ficção, claro. É preciso
ter uma biblioteca básica, partindo
de Homero, passando pelos clássicos
da antigüidade, até os autores de
hoje. Nessa biblioteca, a "Poética"
(de Aristóteles) é fundamental. Ele
tem que se dedicar aos romance,
contos e poemas. Todo bom prosador
lê bons poemas. Em segundo, ler
crítica literária. Não tem essa de
"não gosto de crítico". Tem que
gostar. E, terceiro lugar:
exercitar, estudar todo dia. Você
pega umas duas horas no dia e estuda
uma cena de um romance, até entender
porque ela foi feita assim, porque o
tempo é esse. Isso é essencial.
Afinal, jogador de futebol treina
todo dia e ainda erra, então...
A
preparação do escritor Raimundo
Carrero
Quando
comemora 20 anos de sua primeira
oficina, e 10 que estabeleceu o
curso regular em Pernambuco, Carrero
lança este "A preparação do
escritor". Nada mais apropriado: o
livro é uma espécie de síntese
escrita do trabalho que o escritor
desenvolve em suas aulas. Em "Os
segredos da ficção", seu outro
"guia" das artes da palavra, era uma
espécie de ensaio que apontava
caminhos para o candidato à
escritor, enquanto discutia seus
principais conceitos operatórios.
Aqui, Carrero é ainda mais simples.
O livro é corretamente didático, sem
ser raso. Ele se divide em 11 aulas,
que tratam de temas como a invenção
do personagem, os diálogos e os
cenários, além de propor uma série
de exercícios.
Iluminuras
2009
221 páginas
R$ 44
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Oficinas de (e no)papel
A solução de cada um
Como escrever é uma
questão que sempre preocupou os escritores, nos
últimos anos, obras sobre o tema têm abarrotado as
prateleiras das livrarias brasileiras
Em pelo menos um ponto todos aqueles que dão aulas
de criação literária estão perfeitamente em acordo.
De que para ser um escritor é imprescindível que se
seja um leitor - e um bom leitor, diga-se.
Portanto, quem tiver disposição e interesse em
entrar nessa do aprendizado, didático digamos, das
técnicas literárias vai encontrar mais que um
conjunto de manuais e guias. Encontrará, também,
produções que, sendo elas mesma de natureza
literária, refletem sobre o desafio do homem
confrontados pelo papel em branco.
É difícil imaginar um escritor que não seja íntimo
dos livros, que não tenha um bom currículo de
leitura de romances, contos, poemas; e, ainda, que
não conheça as ferramentas da crítica literária.
Afinal, a leitura de um escritor costuma ser
diferente: ele precisa ir além do enredo - da
"história que se conta" - tentando adivinhar as
formas e estruturas recobertas pela linguagem que
flui e seduzindo o leitor.
Mas há momentos em que o aprendiz pode baixar a
guarda e ainda assim tirar proveito de contos e
romances. Sobretudo, de textos contemporâneos. Nunca
se escreveu tanto do ponto de vista de quem escreve,
pondo às claras os dilemas dos artistas da palavra.
Alguns livros chegam mesmo a parecer inacessíveis a
todos aqueles que não escrevem ou sequer sonham em
fazê-lo.
"Work in progress"
Neste boom de metalinguagem, destaca-se a obra
recente do catalão Enrique Vila-Matas. Tal é a
importância da escrita, como tema, no conjunto de
sua produção literária que levou o autor a ser
rotulado como "escritor para escritores". Um exagero
maldoso, aliás, que não deve impedir a leitura de um
dos principais escritores vivos da Espanha.
Em pelo menos três romances, Vila-Matas apresenta um
narrador que se debate diante do mistério da
escrita. "O mal de Montano", "Paris não tem fim" e "Bartleby
e Companhia". Mais precisamente, o tema de
Vila-Matas é a impossibilidade da escritura - e a
necessidade que muitos têm de contornar este
obstáculo.
"Bartleby e companhia" e "O Mal de Montano" são
livros irmãos. No primeiro, o narrador anuncia seu
projeto de escrever um livro sobre os escritores que
padeceram da Síndrome de Bartleby (referência ao
personagem homônimo de Herman Melville, que refutava
qualquer pedido de ação, com a frase: "preferia não
fazê-lo"). Montano, protagonista do outro livro é um
deles: alguém que diante do mistério insolúvel da
escrita, da impossibilidade de deitar no papel suas
idéias e nele criar, preferiu não fazê-lo.
Já "Paris não tem fim", o narrador é um alter-ego de
Enrique Vila-Matas. Nele, o autor revisa a difícil
gênese de seu primeiro livro, a novela "A Assassina
Ilustrada" . Entre as memórias do escritor, em
passagem por uma efervescente Paris, encontram-se
diversas passagens em que o narrador fala dos
caminhos e técnicas de que se valeu - e que nem
sempre lhe foram úteis.
Passo a passo
No Brasil, encontram-se em catálogo pelo menos seis
títulos que podem servir efetivamente de guia para
um escritor. Estilos e abrangências diferenciam uns
dos outros, assim como a própria visão de seus
autores sobre o ensino escrita literária.
Stephen Koch, em "Oficina de Escritores", segue na
linha do trabalho de Raimundo Carrero. O livro, no
entanto, é mesmo didático, preferindo por vezes
discutir conceitos ligados ao fazer literário. "Sem
trama e sem final" também envereda por esse caminho,
ainda que careca de sistematização. O livro do
escritor russo Anton Tchekhov foi "montado" a partir
de trechos de cartas, no qual ele descrevia para os
amigos algumas técnicas empregadas em sua obra.
Nos dois volumes de "A preparação do romance",
Barthes fala de uma de sua obsessões como escritor,
o de trabalhar este gênero narrativo. Ele esmiúça o
passo a passo para que este projeto se concretize,
refletindo desde as anotações (que compara à arte
poética japonesa do haicai), até a estruturação do
romance.
Em seu "Como escrever um livro", o argentino Ariel
Rivadeneira responde a 111 questões de quem deseja
escrever um livro (sem especificar gênero). Dos
guias disponíveis no mercado é o mais elementar, e o
menos crítico. Melhor se sai a norte-americana em
Francine Prose, que não dá dicas de como escrever,
mas pretende ajudar os iniciantes, com seu "Para ler
como um escritor".
"Manuais"
"Oficina de escritores: um manual para a arte da
ficção" - Stephen Koch. Martins Fontes, 2008, 320
páginas, R$ 39,80
"Para ler como um escritor" - Francine Prose. Zahar,
2008, 320 páginas, R$ 39,80
"Como escrever um livro" - Ariel Rivadeneira.
Ediouro, 2009, 160 páginas, R$ 29,90
"A preparação do romance" volumes 1 e 2- Roland
Barthes. Martins Fontes, 2005, 258 páginas, R$ 43,50
(vol. 1); e 475 páginas, R$ 63,30 (vol. 2)
"Sem trama e sem final: 99 Conselhos de escrita " -
Anton Tchekhov. Martins Fontes, 2007, 109 páginas R$
29,80
DELLANO RIOS
REPÓRTER
(Esta
matéria completa-se com esta outra, da Folha de São
Paulo, basta clicar)
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