William Blake, Death on a Pale Horse

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Gates of Dawn, Herbert Draper, UK, 1863-1920

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As Carnaubeiras de Catuana

 

 

Oficinas literárias

Diário do Nordeste, Fortaleza, Ceará, Brasil

13.9.2009

 

Dellano Rios

 

Com experiências em oficinas de criação literária, os autores Jorge Pieiro, Rouxinol do Rinaré e Tércia Montenegro falam de técnicas e inspiração em suas práticas de escrita.

Ainda que a máxima de que a criação envolve inspiração e transpiração seja bastante conhecida, muitos escritores parecem ignorá-la. Ao que parece, com o tempo quem escreve transpira cada vez mais para chegar ao ideal de texto almejado.

A discussão sobre as oficinas e cursos de criação literária passa pela questão da própria formação do escritor - seja lá que forma ela se der. "Minha formação foi através de leituras, que me serviam de modelos para exercícios, treinos de escrita. Não sei precisar o tempo desse percurso, porque fui fazendo as coisas sem calcular ou planejar, mais ao sabor da ocasião, até que enfim eu publicasse", conta a Tércia Montenegro, autora de "O Vendedor de Judas" e "O resto de teu corpo no aquário".

A escritora conta que as técnicas surgiram mais adiante nesse processo de leitura. "A reescrita só veio depois. No começo, eu fazia um conto e, se não achasse bom, jogava fora. Só depois de conversas com outros amigos escritores, de quem ouvia relatos de como trabalhavam, comecei a deixar o texto guardado para pensar melhor a solução em outra hora", revela. Segundo Tércia Montenegro, essa é parte de uma técnica da qual a autora costuma se valer. "Guardo até mesmo textos que acho que ficaram bem realizados na primeira ou na segunda vez. Tem que ter a fase da gaveta. O texto tem que hibernar para eu esquecer a história e ler como leria o texto de outra pessoa", detalha. O tempo para um texto "hibernar" p ode varia de seis meses a alguns anos.

Tércia não tem dúvidas que as oficinas de criação literária que já ministrou a ajudaram no ofício da escrita. "A fase da leitura e discussão daquilo que se produziu na oficina foi de um grande aprendizado. O resultado era imprevisível. Tive resultados brilhantes. Três ou quatro alunos continuam na escrita e até já foram premiados. O resultado deles me despertou para outras técnicas", avalia.

Para a escritora, no entanto, as oficinas não são algo indispensável ao escritor. "Você pode ser forma sem elas. Mas ela serve para trabalhar esse lado racional", defende. Tércia acredita que esse é um contrapeso à inspiração, "o impulso inicial".

A inveja e o caos

Jorge Pieiro diz que seu começo foi bem peculiar: por inveja. "Em Limoeiro, eu estudava com o Eugênio Leandro, que veio à Fortaleza nos anos 70, cheio de contos debaixo do braço. Aí eu pensei: ´rapaz, se ele faz, eu também posso fazer´", conta Pieiro. Mas a "inveja boa" não fez tudo, foi apenas o impulso. "Em primeiro lugar, o sujeito tem que ser incentivado para a leitura. Ninguém escreve sem ler. É aquela coisa de que fala o Harold Bloom: a angustia da influência. Primeira você pega alguém pra imitar. Depois vai transformando, até conseguir encontrar seu próprio caminho", descreve.

Uma técnica de que Jorge Pieiro se vale é o da escrita automática. "Quando estava sem fazer nada, eu tinha uma mania de começar a escrever o que viesse à mente, como se fosse um transe. Nada fazia sentido. Eu nem sabia o que era surrealismo ainda e já fazia dessa. Aquilo era um esvaziamento de idéias, de palavras. Hoje, muitas vezes faço isso e depois vou estruturando, repassando o texto, modificando, dando sentido. Outras vezes vai pro lixo mesmo", explica o exercício que já partilhou com alunos em suas oficinas de criação.

 

Cordelista, Rouxinol do Rinaré também começou assim, lendo e ouvindo leituras dos romances em verso do cordel. "Acho que o poeta nasce com o dom. Mas é bom conhecer a métrica, número de sílabas. Tem gente que não sabe isso, mas faz direito, porque o cordel é muito musical", conta. O poeta já ministrou oficinas de cordel em mais de 20 municípios do Estado. "Elas não ensinam a fazer cordel, mas formam leitores críticos. Ao mesmo tempo, descobrimos poetas. As vezes o cara é e não sabe", comenta.

 

Polêmicas no meio literário, as oficinas de escrita criativa dividem autores e críticos e põem em discussão conceitos como inspiração, intuição, talento e técnica.

 

O menor manual de escrita literária é de autoria do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973): "Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias".

A regra de Neruda não encontrará muitos opositores - só os radicais que argumentarão que nem sempre se começa com maiúscula, nem se conclui com um ponto. No entanto, a frase bem feita do poeta oculta um área turbulenta do processo de escrita: a do escritor decidir a melhor forma de "colocar" as idéias no papel.

Ainda que no clássico da Antigüidade "A Poética" o grego Aristóteles tenha refletido sobre o saber fazer nas artes da palavra, por muito tempo estes mesmos artistas esconderam os bastidores da criação. Tal qual os evangelistas, o artista escreveria por inspiração. A trabalho literário, fruto do talento, era então entregue para o público.

É essa visão que bate de frente com a idéia de oficina de criação literária. Na oficina, ou mesmo num curso de graduação (comum em países anglófonos), técnicas são discutidas, exercícios executados. O talento se converte em trabalho, aperfeiçoado pela prática.

Nos Estados Unidos, as oficinas se multiplicaram incessantemente após a II Guerra Mundial. Se no Brasil, a presença desse olhar romântico sobre o processo de criação ainda divide opiniões, nos EUA ela é ponto pacífico. Não que os escritores norte-americanos não passem sem participar de um curso de formação, mas ele é realidade para um número expressivo deles. No país, existem cerca de 750 cursos de graduação e 350 de pós-graduação. A maioria dos vencedores do Pulitzer (principal prêmio literário dos EUA) é de autores "com formação" certificada por uma instituição de ensino.

No Brasil, alguns autores já passaram por esta experiência, caso de Daniel Galera e Marcelino Freyre. Outros mais velhos, formados a moda antiga, se dedicam a dividir experiências e técnicas, caso de Raimundo Carrero, João Silverio Trevisan e José Castello.
 

 

 
 

 

Itinerário de um mestre-aprendiz

Criação

 

Romancista veterano, integrante do Movimento Armorial, o pernambucano Raimundo Carrero é um dos principais defensores das oficinas de criação literária no País. Há 20 anos, trabalha com o formato e já publicou dois guias para iniciantes: "Os segredos da ficção" (2005); e "A preparação do escritor" (2009). Prestes a lançar seu novo romance - "A Minha Alma e Irmã de Deus" -, Carrero falou ao Caderno 3 sobre sua formação e o trabalho com quem deseja se aventurar pela literatura


Como se deu sua formação como escritor?

Como em todo autor brasileiro da minha idade, ela se deu através de leituras, leituras e muitas leituras; e, no meu caso específico, dois grandes mestres: o primeiro que me orientou em tudo, e com quem ainda hoje mantenho contato, foi o Ariano Suassuna; e o outro foi Gilberto Freyre, que me ajudou muito. Não é todo mundo que tem a oportunidade ter dois mestres como estes. O Pessoa de Moraes, que não é um escritor tão conhecido, também me orientou em meus primeiros momentos. Me parece que essa formação de leitura sistemática, aliada à capacidade de ter três mestres espetaculares, me ajudou muito.

E como se davam essas relações de aprendizado?

O mais sistemático, pode-se dizer assim, entre aqueles com quem estudei, foi o Ariano. Claramente, não passava por sua cabeça que ele estivesse fazendo uma oficina comigo. Mas me mostrava livros e autores fundamentais. E não era só para ler. É aí que entra a questão: Ariano me fazia discutir uma cena, um cenário, a abertura de um livro, o fechamento de uma novela. Quando fiz parte do Movimento Armorial, escrevi "A história de Bernarda Soledade" (1975), publicada pela Arte Nova com prefácio dele, que deve muito a estas discussões. Era um estudo sistemático que fazíamos. Eu trabalhava com Ariano na universidade e, no domingo, ia pra casa dele às 9 horas da manhã e só saia de lá às 9 da noite. Lembro que ele me mostrou uma cena de "O retrato do artista quando jovem", de James Joyce, e discutiu comigo ela toda, como foi feita, as razões de ser daquele jeito. E essa cena ficou comigo pra sempre. O Gilberto foi mais no começo. Ele não era sistemático como Ariano, mas corrigia meus textos e indicava muitas leituras.

Como você começou a ministrar oficinas?

Além de Ariano e Gilberto, tive um mestre indireto: Autran Dourado. Ele foi um dos primeiros no Brasil a escrever sobre técnica literária. Comecei a ler, estudar e aplicar nos meus romances. E a fazer novas técnicas. "Bernarda Soledade" era uma romance armorial; "As sementes do Sol" (1981) já é um romance técnico, com técnicas próprias que eu vinha tentando criar. Depois, dei de cara com dois livros fundamentais: "Madame Bovary", de Flaubert, e "A Orgia Perpétua", de Vargas Llosa, esse um estudo detalhado do romance de Flaubert. Tive um grande interesse em discutir aqueles livros com os amigos. Em 89, quando escrevi "Maçã agreste", fiz todas as peregrinações que precisava fazer sem o que o leitor percebesse. Cada um dos cinco capítulos é contado na voz de um personagem. Nesse mesmo ano, fui à Livraria Síntese, na sala Graciliano Ramos, e pedi que disponibilizassem um espaço para escritores e fiz uma oficina. O Marcelino Freyre foi aluno dessa primeira turma. Foi quando precisei ir pros Estados Unidos, para um programa internacional de escritores na Universidade de Iowa. Tem gente que diz, como saiu na Folha de S. Paulo, que trouxe essa experiência pra cá. É lá que eles têm a maior oficina literária do país, mas que não cheguei a participar. O programa de que fiz parte era mais uma reunião de escritores, que conversavam e faziam oficinas entre si. Quando voltei, fui demitido do Diário de Pernambuco, e você sabe como é ser jornalista desempregado em uma cidade provinciana. Eu fui atrás de outras coisas. A primeira oficina profissional que dei foi no Sindicato dos Jornalistas. Em 1999, estabeleci o projeto.

O que consegue se fazer numa oficina de criação literária?

Essa pergunta é fundamental. É um equívoco se imaginar que a oficina faz, inventa, escritor. Não é verdade. Ela é auxiliar. Digamos que você já escreve, e vai à oficina pra aprofundar. Esse é o caráter dela. Ela não exerce feitiço, bruxaria, nem é alquimia. Não tem o poder de transformar pedra em escritor. Ela oferece uma série de técnicas e sugestões para o escritor jovem ou pra quem quer se aprofundar. Tanto que tem gente que fica comigo cinco, seis anos.

Você acredita em talento?

Não, usei a palavra mais para ilustrar. Tive a sorte de ir há pouco pra Bienal de Curitiba e dividi uma mesa com Cristovão Tezza e João Gilberto Noll. Fiquei feliz em ouvir dos dois que não existe inspiração. Existe intuição. A inspiração é algo que não tem o menor sentido. Você tem que saber encontrar seus caminhos, mas tem que trabalhar para encontrá-los.

Nesses dez anos de estudo e ensino sistemático, o que a oficina mudou na sua forma de trabalhar a criação literária?

Amadureço demais com ela. Começo a entender que tipos de técnicas posso usar naquele momento certo para seduzir o leitor. Aliás, essa é a principal tarefa do escritor: seduzir o leitor. Se você for um mero contador de piadas e não tiver técnicas, não vai acertar nunca. É por isso que os humoristas também estudam para contar piadas. Então, penso que efeito posso tirar de uma cena, de um diálogo, de um solilóquio... Hoje, como conheço bem estas técnicas, sei como seduzir o leitor e atraí-lo para perto de mim. O que me impressiona é que os poetas estudam demais, métrica, isso e aquilo. Só que quando chega na prosa, as pessoas acham que de qualquer jeito tá bom.


Me parece que, ao questionar a validade das oficinas literárias, parte dos escritores está defendendo uma idéia sacralizante do ato de criar, romântica até. Em outros áreas, essa visão já caiu por terra. Por que na literatura ela ainda resiste?

É claro que tenho meus equívocos, meus enganos. Mas acho que é porque ela sempre foi vista como diletantismo. No Brasil, raríssimas pessoas têm a literatura como primeira profissão. Se você não vai ser profissional, então pra que estudar? - tem gente que pensa assim. O que é confuso, porque os poetas, mesmo sabendo que não vão ganhar dinheiro, estudam muito. Nos EUA, onde as oficinas são mais bem aceitas, a literatura é vista como profissão. O máximo que acontece é o cara ser professor, e às vezes da própria área de criação literária. Aqui, em geral, eles iam ser advogados, e nas horas vagas escreviam, porque gostavam de escrever. Nem os jornalistas, que trabalham escrevendo, não se dedicavam a isso. Mas, você sabe, tem jornalista que nem lê. O que é um absurdo.

Toda a nossa conversa foi perpassada por este alerta, de que ao escritor é necessário a leitura. O que ele deve ler?

Primeiro, ficção, claro. É preciso ter uma biblioteca básica, partindo de Homero, passando pelos clássicos da antigüidade, até os autores de hoje. Nessa biblioteca, a "Poética" (de Aristóteles) é fundamental. Ele tem que se dedicar aos romance, contos e poemas. Todo bom prosador lê bons poemas. Em segundo, ler crítica literária. Não tem essa de "não gosto de crítico". Tem que gostar. E, terceiro lugar: exercitar, estudar todo dia. Você pega umas duas horas no dia e estuda uma cena de um romance, até entender porque ela foi feita assim, porque o tempo é esse. Isso é essencial. Afinal, jogador de futebol treina todo dia e ainda erra, então...
 


A preparação do escritor Raimundo Carrero

Quando comemora 20 anos de sua primeira oficina, e 10 que estabeleceu o curso regular em Pernambuco, Carrero lança este "A preparação do escritor". Nada mais apropriado: o livro é uma espécie de síntese escrita do trabalho que o escritor desenvolve em suas aulas. Em "Os segredos da ficção", seu outro "guia" das artes da palavra, era uma espécie de ensaio que apontava caminhos para o candidato à escritor, enquanto discutia seus principais conceitos operatórios. Aqui, Carrero é ainda mais simples. O livro é corretamente didático, sem ser raso. Ele se divide em 11 aulas, que tratam de temas como a invenção do personagem, os diálogos e os cenários, além de propor uma série de exercícios.
 

Raimundo Carrero: "é um equívoco se imaginar que a oficina faz, inventa, o escritor. Não é verdade. Ela é auxiliar. Você vai à oficina pra aprofundar. Esse é o caráter dela. Ela não é alquimia"
 


Iluminuras
2009
221 páginas
R$ 44


 

 

 

 

Oficinas de (e no)papel

A solução de cada um

 

Como escrever é uma questão que sempre preocupou os escritores, nos últimos anos, obras sobre o tema têm abarrotado as prateleiras das livrarias brasileiras


Em pelo menos um ponto todos aqueles que dão aulas de criação literária estão perfeitamente em acordo. De que para ser um escritor é imprescindível que se seja um leitor - e um bom leitor, diga-se.

Portanto, quem tiver disposição e interesse em entrar nessa do aprendizado, didático digamos, das técnicas literárias vai encontrar mais que um conjunto de manuais e guias. Encontrará, também, produções que, sendo elas mesma de natureza literária, refletem sobre o desafio do homem confrontados pelo papel em branco.

É difícil imaginar um escritor que não seja íntimo dos livros, que não tenha um bom currículo de leitura de romances, contos, poemas; e, ainda, que não conheça as ferramentas da crítica literária. Afinal, a leitura de um escritor costuma ser diferente: ele precisa ir além do enredo - da "história que se conta" - tentando adivinhar as formas e estruturas recobertas pela linguagem que flui e seduzindo o leitor.

Mas há momentos em que o aprendiz pode baixar a guarda e ainda assim tirar proveito de contos e romances. Sobretudo, de textos contemporâneos. Nunca se escreveu tanto do ponto de vista de quem escreve, pondo às claras os dilemas dos artistas da palavra. Alguns livros chegam mesmo a parecer inacessíveis a todos aqueles que não escrevem ou sequer sonham em fazê-lo.

"Work in progress"
Neste boom de metalinguagem, destaca-se a obra recente do catalão Enrique Vila-Matas. Tal é a importância da escrita, como tema, no conjunto de sua produção literária que levou o autor a ser rotulado como "escritor para escritores". Um exagero maldoso, aliás, que não deve impedir a leitura de um dos principais escritores vivos da Espanha.

Em pelo menos três romances, Vila-Matas apresenta um narrador que se debate diante do mistério da escrita. "O mal de Montano", "Paris não tem fim" e "Bartleby e Companhia". Mais precisamente, o tema de Vila-Matas é a impossibilidade da escritura - e a necessidade que muitos têm de contornar este obstáculo.

"Bartleby e companhia" e "O Mal de Montano" são livros irmãos. No primeiro, o narrador anuncia seu projeto de escrever um livro sobre os escritores que padeceram da Síndrome de Bartleby (referência ao personagem homônimo de Herman Melville, que refutava qualquer pedido de ação, com a frase: "preferia não fazê-lo"). Montano, protagonista do outro livro é um deles: alguém que diante do mistério insolúvel da escrita, da impossibilidade de deitar no papel suas idéias e nele criar, preferiu não fazê-lo.

Já "Paris não tem fim", o narrador é um alter-ego de Enrique Vila-Matas. Nele, o autor revisa a difícil gênese de seu primeiro livro, a novela "A Assassina Ilustrada" . Entre as memórias do escritor, em passagem por uma efervescente Paris, encontram-se diversas passagens em que o narrador fala dos caminhos e técnicas de que se valeu - e que nem sempre lhe foram úteis.

Passo a passo
No Brasil, encontram-se em catálogo pelo menos seis títulos que podem servir efetivamente de guia para um escritor. Estilos e abrangências diferenciam uns dos outros, assim como a própria visão de seus autores sobre o ensino escrita literária.

Stephen Koch, em "Oficina de Escritores", segue na linha do trabalho de Raimundo Carrero. O livro, no entanto, é mesmo didático, preferindo por vezes discutir conceitos ligados ao fazer literário. "Sem trama e sem final" também envereda por esse caminho, ainda que careca de sistematização. O livro do escritor russo Anton Tchekhov foi "montado" a partir de trechos de cartas, no qual ele descrevia para os amigos algumas técnicas empregadas em sua obra.

Nos dois volumes de "A preparação do romance", Barthes fala de uma de sua obsessões como escritor, o de trabalhar este gênero narrativo. Ele esmiúça o passo a passo para que este projeto se concretize, refletindo desde as anotações (que compara à arte poética japonesa do haicai), até a estruturação do romance.

Em seu "Como escrever um livro", o argentino Ariel Rivadeneira responde a 111 questões de quem deseja escrever um livro (sem especificar gênero). Dos guias disponíveis no mercado é o mais elementar, e o menos crítico. Melhor se sai a norte-americana em Francine Prose, que não dá dicas de como escrever, mas pretende ajudar os iniciantes, com seu "Para ler como um escritor".

Gay Talese, no momento da criação: o jornalista escritor foi um dos que refletiu sobre o desafio da criação. Ensino da produção literária já é tradicional nos Estados Unidos. Como escrever é uma questão que sempre preocupou os escritores, nos últimos anos, obras sobre o tema têm abarrotado as prateleiras das livrarias.


 

"Manuais"

"Oficina de escritores: um manual para a arte da ficção" - Stephen Koch. Martins Fontes, 2008, 320 páginas, R$ 39,80

"Para ler como um escritor" - Francine Prose. Zahar, 2008, 320 páginas, R$ 39,80

"Como escrever um livro" - Ariel Rivadeneira. Ediouro, 2009, 160 páginas, R$ 29,90

"A preparação do romance" volumes 1 e 2- Roland Barthes. Martins Fontes, 2005, 258 páginas, R$ 43,50 (vol. 1); e 475 páginas, R$ 63,30 (vol. 2)

"Sem trama e sem final: 99 Conselhos de escrita " - Anton Tchekhov. Martins Fontes, 2007, 109 páginas R$ 29,80

 

DELLANO RIOS
REPÓRTER

 

 

(Esta matéria completa-se com esta outra, da Folha de São Paulo, basta clicar)

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

13.9.2009