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Mirna
Gleich
Gestos
É tépida a noite
e no entanto naufragam os gestos.
Queria
tanto te despir dos temores
dos vagalhões conturbados
que não sei
não compreendo
não toco.
Tomar-te
como rosa amarela
e ir te despetalando
nas ranhuras
nos silêncios
nos imensos espaços desertos de alegria
até roçar de leve
no segredo mais bem guardado.
Te sei
tão pouco
- ainda tateio tua enorme delicadeza
ainda me espanta tua suave intuição
E fascina-me a facilidade
com que invades meus castelos
(quero fugir, já não posso!)
Urge que
percebas quão de vidro eu sou:
transparente e frágil
- antes quebraria a ter de te magoar.
Te imploro, não temas
É tépida a noite e a lua já anda alta:
Permita
que te alcance
meu tímido gesto.
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