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Maria da Glória Sá Rosa
Emoções viajam nos poemas de Rubenio
Marcelo
Tudo é poesia no belo discurso de
RUBENIO MARCELO, membro titular da Cadeira 35 e Secretário-Geral
da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Em Reticências...
Sonetos, Cordéis & Outros Poemas, as suas palavras
iluminadas viajam nas crinas do vento, acompanham o ritmo do mar,
eterno objeto de fascínio, reinventam os encantos da mulher amada,
fonte de perene inspiração, tornam-se melancólicas, quando retiram
das dobras da memória o vulto materno, que tão cedo teve que
abandonar, são carícia de pluma, ao pousar no rosto dos filhos
pequeninos. Seguindo o que afirma Novalis: “quanto mais
verdadeiro, tanto mais poético”, o escritor RUBENIO
MARCELO mergulha fundo nas coisas vividas. Não há limitações no
imenso universo poético desse criador que descobriu na construção do
poema um jeito dúlcido de suplantar as asperezas do tempo. As
imagens retidas pela lembrança, ou pelo sonho, despertam no leitor
as paisagens envolventes do Ceará, seu estado natal, descrito com
fecunda espiritualidade por meio do olhar do presidente americano
George W. Bush, que certamente dominaria os ímpetos guerreiros
depois de ouvir os cantadores menestréis e provar o sabor
inesquecível dos frutos alencarinos. As palavras retiram do limbo a
figura imortal de Patativa do Assaré reconduzido ao mundo dos
admiradores na linguagem saborosa da literatura de cordel. No texto,
o autor − com maestria e arte − compõe um quadro onírico em que os
maiores nomes do cancioneiro popular, da música e da poesia nacional
e mundial vão prestar homenagem, na chegada ao céu, a uma criatura
tornada mito pela força mágica da palavra.
O leitor tem a sublime sensação de
penetrar no intervalo entre imagem e som, quando a perfeita
metalinguagem rubeniana toma conta do texto que descreve as figuras
de estilo ou quando são “traduzidas”, com grande criatividade e
senso de humor, certas expressões do vocabulário nordestino.
Nas produções ecléticas do exímio
poeta RUBENIO MARCELO convivem de forma harmoniosa estilos e
temas aparentemente contraditórios como o soneto clássico e o cordel
poético, o erotismo e a unção religiosa, as alegrias da mocidade e o
frio da noite que baixa sobre a maturidade.
Caminhando do geral ao particular, das
aparências às essências, RUBENIO MARCELO − senhor de seu
ofício e pleno de sentimentos profundamente humanos − une
admiravelmente as pontas do Nordeste às do Centro Oeste,
ao tecer um leito cintilante de metáforas originais e criar um mundo
sincrético e miscigenado todo seu.
No canto multiplicado, as presenças
imaginárias ganham forma, ritmo, cor e som nesse fascinante milagre
da criação que só a arte autêntica é capaz de realizar.
Profª. Maria da Glória Sá Rosa
(Academia Sul-Mato-Grossense de Letras)

Leia Rubenio Marcelo
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