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Luís Antonio Cajazeira Ramos

Véspera do dia dos mortos

Eu não amei meu pai como devia.
Houve o dia de amá-lo e não o amei.
Ele morreu, e não nasci ainda.
Amanhã levantei sem seu amor.

Nenhum conselho amigo soa seu.
Uma vida padrasta me acompanha.
Meu caminho não quis olhar pra trás.
Tão longe de meu pai me abandonei.

Nem meu, nem de ninguém, nunca fui seu.
Não me quis dar a quem eu estranhava.
Só teu colo, mamãe, era aconchego.

Do pai, resta-me um calo de silêncios.
Ai, arranco do peito o corpo estranho.
Coração, cava o chão, busca meu pai.

Comentários

 

Outros poemas de Luís Antonio Cajazeira Ramos

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Ivo Barroso

ivo.barroso@infolink.com.br>

Caro Luís Antonio:


       Seu soneto sobre o pai é realmente muito bem realizado. Sei, por experiência própria, que o tema (pai, mãe, etc.) é traiçoeiro, verdadeira corda-bamba sobre a qual a menor indecisão leva à queda no sentimental ou no derramativo. 

       Parabéns.

 

 

 

 

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Soares Feitosa

Caro Poeta Luís Antônio:

          Se a Santa Inquisição voltar — espero que volte! — vou sugerir que este seu poema seja lido sob reservas, como aquela passagem de Ezequiel em que o profeta vê metade do quadril de Yaveh, no carro de fogo, e que, na tradição judaica, somente uma congregação do alto rabinato podia lê-la, mas com reservas e em silêncio. Punia-se com a morte (lapidação) aquele que ousasse — assim este texto, de tão forte, denso, humano e belo.

          Em profundo silêncio interior, com as lágrimas só para dentro, — elas me teimam em nunca externar — é que lhe consigo chegar ao fim... logo eu que nunca tive pai. A busca. Impossível achá-LO. 
 

PS. - 
Quem, depois de Véspera do dia dos mortos, pronunciar a palavra soneto estará na obrigação de citar, dentre os mais belos, este, seu.
 

 

 

 

 

 

 

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Comentários
Sent: Tuesday, October 30, 2001 9:22 AM
Subject: Comentário sobre Véspera

Parabéns seu soneto vai de encontro com os sentimentos de quem um dia teve um pai e não lhe deu o devido valor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Débora Carvalho de Oliveira

Sent: Monday, November 05, 2001 7:05 PM
Subject: Vésperas

Luiz,

gostei muito do seu poema sobre o pai. Sabe, fiquei pensando nas coisas que deixei de fazer para o meu pai, em função de outras coisas que ele me negou.

Mas, de repente, me pego lendo um poema que me faz perceber que a suposta vingança não me satisfez. Parece até ironia, mas as palavras de Jaumir da Silveira são verdadeiras, especialmente o exemplo bíblico sobre o complemento intrínseco entre fé e obras. A Bíblia fala mais; fala que o verdadeiro amor é aquele capaz de amar e direcionar-se até mesmo para aqueles que não são amáveis conosco. 

Essa é a chave da felicidade: o amor incondicional - o amor por amor apenas, sem cobrar nada em troca. Mesmo que, pressupõe-se ser nossos pais os responsáveis pelas nossas atitudes, e até mesmo pelo nosso modo de os tratar, devemos considerar que não somos mais crianças, e que os maiores prejudicados com qualquer falta de amor, somos nós mesmos. 

Palavras de amor escritas na lápide, são inúteis, pois os mortos não as podem ler.

Um beijo,

DB

 

 

 

 

 

 

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Paulo José Castilho
Sent: Friday, November 09, 2001 8:08 AM
Subject: Comentário sobre Véspera

Hoje faz quatro anos da morte de meu pai.

Hoje encontrei um soneto.

Hoje reencontrei minha alma.

Hoje, duas estrofes de quatro versos, e duas de três fizeram uma oração que a quatro anos não fazia.

Obrigado Luiz Antônio.

Paulo José Castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sônia Alves Dias

Sent: Sunday, November 25, 2001 3:42 PM
Subject: Comentario sobre Véspera

Me calou teu poema.
Não porque eu não amei meu pai como devia, mas sim porque o amei como podia, e o amei muito.
Agora todos as noites, tornaram-se Véspera do dia dos mortos.
Teu poema, é atemporal e metafísico.
Chora e treme diante de meus olhos abertos e minha alma flutuante.
Nenhum amigo, nenhum conhecido pode me dizer as palavras certas
(não quis ouvir ninguém, a não ser as batidas do meu coração)
Agora, se alguém me indagar sobre o Dia dos Mortos, recitarei
um soneto:
"Amanhã levantei sem seu amor. "
numa referência verbal que soa inverídica, mas que é tão
real que me gela os ossos. Só para quem teve em demasia
ou para quem faltou incessantemente é que a morte bate à porta
e arrebata sem pedir licença
"Coração, cava o chão, busca meu pai"
Meu coração está triste por tempo indeterminado mas em teu soneto, encontrou a voz que a muito me escapa... 

Beijo grande,
que tuas palavras têm asas e voam

Sônia Alves Dias
(São Paulo, domingo lindo de sol, mas em meus olhos rasos há gotas de chuva e neblina alta)

 

 

 

 

 

 

 

 

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João Paulo Freitas
Sent: Wednesday, April 24, 2002 4:02 PM
Subject: Comentário sobre Véspera

Caríssimo Sr. Luís António:
 
Desde este recanto pacato do mundo que é Vila do Conde, em Portugal, formulo os meus mais fervorosos votos para que este soneto sobre o pai não fique filho único.
Obrigado por traduzir para palavras o que muitos de nós, comuns mortais, não conseguimos fazer por mil e uma razões.

João Paulo Freitas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Júlio Santos
From: Julio Santos
Sent: Wednesday, May 01, 2002 7:04 PM
Subject: Comentário sobre Véspera

Sim, é sentido e lendo me fez recordar meu PAI ...
Pai que por vezes me recordo agora que sou PAI...
Tantas vezes o busquei e o que mais busquei foi seu olhar..
Tinha uma forma de dar que dei de forma diferente agora que sou PAI..
Obrigado Luís pelo soneto, me fez recordar aquele PAI que num tive, que embora presente estava sempre ausente..
Bem haja e continue...
Um comentário apenas - ADOREI...

 

 

 

 

 

 

 

 

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Rubens Marcelo
From: rubmarcelo
Sent: Monday, April 22, 2002 10:15 AM
Subject: Comentário sobre o Soneto "Véspera" de Luis Antônio C. Ramos

Meu Caro Luis Antônio, 

Nunca emocionei-me tanto, lendo um poema! Que belo soneto, companheiro! Nele você timbra, com maestria, esse complexo relacionamento filho/pai; e diz, de uma maneira poética estupenda, tudo que talvez `todos` os filhos da mesma geração que a sua queriam (e querem dizer). 

Eu, que também escrevi e publiquei  recentemente  no meu último Livro de Poemas - "Estigmas do Tempo" -, um elegíaco poema dedicado à memória do meu pai, realmente extrapolei os limites da emoção e,
em lágrimas, pude constatar, através da magia da sua magistral escrita,
o autêntico e mais puro sentido do valor paternal. 

Que divina inspiração, engenho e arte, esse seu indescritível soneto!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Gláucia Lemos

"Gláucia Lemos" <glaucialemos@e-net.com.br>

Luís:

        Esse o seu soneto mais tocante, carregado de um sentimento tardio de amor escondido que só a maturidade permitiu desabrochar. A mim, que perdi tão cedo o meu pai, mas que o amo mais que a qualquer dos vivos  com os quais convivo, a mim ele fala de um ser santificado e de uma lacuna que o amadurecimento do tempo vivido não curou. Ainda é tempo de amá-lo, com um amor que não precisa ser confessado, basta que seja sentido. Gláucia

 

 

 

 

 

 

 

 

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André Seffrin

             Crispado, agônico, sátiro, o poeta caminha sem medo de ferir ou ferir-se, aberto ao universo íntimo tanto quanto às intempéries do mundo. Não será à toa um conterrâneo do já citado Gregório de Matos e de Castro Alves. Viaja no coração da rua como participante indignado, e não faz concessões, não se deixa abraçar pelas facilidades. Talvez por isso exija muito do leitor, que só aos poucos penetra na selva escura de sua insólita música, misto de escuridão e luz, concha de ressonâncias em que a memória é casa e espanto, riso e risco.

André Seffrin

 

 

 

 

 

 

 

 

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Francismeire
<gep@proxy.fieto.com.br
 

LUÍS,

Com palavras não consigo expressar o quão profundo me tocou; voltei ao passado e pesei minhas ações em relação ao meu saudoso papai, que partiu deixando uma lacuna, que só o amor de Deus é capaz de preencher. Será que fui boa filha? Voltei a questionar.

Francismeire

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Roberto Pires
Amigo:

         Gostei muito, muito mesmo, pois tenho a alegria de ter vivido intensamente a existência de meu pai, já falecido, Ocacy Pires de Oliveira. Tive inclusive a graça de dizer a ele antes de morrer: "Papai, me perdoe os erros, você tinha razão o tempo todo e eu não sabia." E ele fez uma carícia amorosa na minha cabeça, dizendo: "Eu também fiz assim na minha juventude."

         Abraços.

rpires@mcanet.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Jaumir da Silveira

<JDsilvei@novell.com>

Caro Luís Antônio:
Eu tive um pai atencioso na infância, e o tenho ainda, embora apartado de mim por um oceano: Irlanda, onde moro—Brasil onde vivem os meus. Quero crer que não tenha sido um filho ruim — até acho que não sou — mas quando li o seu poema tive esta sensação esquisita de que eu não fiz nada por ele, nada comparado ao que ele fez por mim. Li numa destas epístolas do novo testamento que de nada adianta a fé sem a obra; igualmente, de nada adianta o amor que não se expressa.

 

 

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Nei Duclós
From: "Nei Duclós" <nei@consciencia.org>
Sent: Friday, April 12, 2002 6:39 PM
Subject: Comentário sobre Véspera


Belíssimo poema, feliz na realização e doloroso no grito guardado. Uma lição de poesia.


Nei Duclós

 

 

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Heloisa Covolo

Sent: Thursday, December 06, 2001 6:55 PM
Subject: Comentário sobre Véspera
 

Boa noite Sr. Luiz.

Um vez ouvi alguém dizer que tudo que é misterioso, por simplesmente sê-lo, torna-se verdadeiro ou poderoso para as pessoas. E, há coisas que acontecem em nossas vidas, às quais damos tanto valor, ou mesmo, compreendemos tão pouco, que classificamos como mistério, ou coisa de DEUS. O fato de ter lido seu texto hoje foi tão importante e tão bom pra mim, que não quero esquecer nunca. Assim, vou classificar esse "acaso", haja vista que é a primeira visita que fiz ao site, a procura de outra coisa, como um mistério, que me será muito útil na convivência com meu velho pai. 

Espero que ainda haja tempo..

Obrigada.

Heloisa

 

 

 

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João de Oliveira
Sent: Tuesday, November 30, 2094 8:40 AM
Subject: Comentário sobre Véspera

Caro Luís Antonio,
 
Belo sentimento em forma de poesia. Nos mostra que o tempo é como a vida, não volta jamais! Viva no tempo de hoje o sentimento  que ficou pelo teu pai, pois, para sentir não existe limitações!
 
Um abraço,
 
João de Oliveira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Luiz Roberto
From: Luiz Roberto
Sent: Monday, December 24, 2001 4:43 PM
Subject: Comentário sobre Véspera

Luiz, meu chará...
Acabei de ler o seu soneto. É lindo, maravilhoso mesmo.
Não amei meu pai! Não o conheci e não o amei. Apenas o vi à distância no dia da minha formatura quando ele tentou me conhecer e eu não permiti. Por quê? Porque me senti frustrado a vida toda pela sua ausência. Sou filho natural e hoje sei que ele não podia me reconhecer como filho... Agora já é tarde... Ele é morto!
Abraços, 

Luiz Roberto.

 

 

 

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Celina Queila Graça dos Santos
From: "DIPES/AP - Celina Queila Graça dos Santos" <dipesap@fazenda.gov.br>
Sent: Saturday, December 01, 2001 4:14 PM
Subject: comentário sobre véspera


Só quem vive, sabe expressar seus sentimentos de maneira tão clara e objetiva.
Através de seu poema, vejo um reflexo de minha vida.
Grande abraço
celina

 

 

 

 

 

 

 

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Jorge Henrique
From: Jorge
Sent: Sunday, December 30, 2001 12:51 PM
Subject: Comentário sobre Véspera
 
Luiz Antônio,
 
Você condensou no verbo o inefável.   Seu soneto me tocou profundamente.  Despertou-me a impressão de que o poema em sua vida imperecível contemplava minha efêmera existência.  Corri a dizer a meu pai o quão importante é sua presença em minha vida.
Seu poema permanecerá.  Parabéns!
 
Prof. Jorge Henrique
Rua João Francisco de Sousa, 123
N. Sra. da Glória - SE
CEP 49680-000

 

 

 

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Flávio Padrão
Sent: Friday, January 25, 2002 9:50 PM
Subject: Comentário sobre Véspera

Gostei. Achei o soneto belo e profundo.

E fez-me pensar se dei ao meu o suficiente para receber o tudo.

 

Flávio

 

 

 

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Rinaldo Allen Chaves
Sent: Wednesday, March 13, 2002 11:39 AM
Subject: Comentário sobre Véspera
 
Seriam meus estes versos, caso não fossem teus. Este soneto praticamente descreve-me o passado, hoje já superado, muito embora as marcas de uma súbita separação de meu pai, jamais cicatrizaram. fostes muito feliz, com certeza, rogo à inspiração superior que prossigas em teu trilhar de singela e profunda sensibilidade.
Um Abraço
 
Rinaldo Allen Chaves

 

 

 

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José Augusto Carvalho
Sent: Sunday, February 03, 2002 2:46 PM
Subject: Comentário sobre Véspera

Prezado Poeta:
 
Daqui, das velhas terras alentejanas, outrora da moirama, envio-lhe um abraço enternecido.  O seu soneto é verdadeiramente um SONETO, que tem de estar em todas as antologias da nossa língua comum!
Estranhará que, de Porrtugal, um aprendiz de poeta ou, como eu gosto de me definir, um poeta em construção, lhe envie um correio, não o conhecendo. É que, Prezado Poeta, ao ler o seu soneto eu fiquei a conhecê-lo, por isso lhe devo agradecer o grande favor de enriquecer não só a língua portuguesa, mas o Verbo.
Permito-me enviar-lhe um abraço (que queria considerasse fraternal).
José-Augusto Carvalho

 

 

 

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Luciana Feitosa
From: Luciana
Sent: Saturday, November 10, 2001 9:11 PM
Subject: Comentário sobre Véspera

Luis,
descobri este site e estou muito gratificada c/o que leio;tanto  com os escritos do FEITOSA, cearense como meu PAI,como quanto este seu...Muito bonito e bem construído,expressa a grande dor pela ausência de um ser tão essencial à formação do individuo...Se pudesse,dividiria  c/você o imenso amor q recebi do meu,CARLOS LIBORIO FEITOSA,meu maior amigo e confidente...Foi-se aos 89 anos e ficou, vivo, indelével, patrimônio real de amor e dignidade em cada descendente...Hoje lhe faço meu irmão e mando um abraço igual aos q sempre recebi dele.Parabéns por sua sensibilidade.

Luciana

 

 

 

 

 

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