João Naval

Lote Abandonado
 
 
Sou um terreno baldio
Num distrito urbanizado.
Sou apenas um lote vazio,
Num conflito organizado.

À minha esquerda
tem um prédio,
À minha direita 
tem uma farmácia,
Será que para mim
lá tem remédio?
Ou serei sempre
vítima de uma máfia?

Ninguém em mim mora
E assim minha terra chora.
Sou um lote sem coração
Não sirvo nem pra plantação.

Sou um atalho de caminho
E faço fundos com duas casas.
Sou um ser chorando sozinho,
Meu Deus! dá-me duas asas.

Se eu voar,
posso arranjar um dono.
Se eu ficar,
posso derreter num sono.
Enquanto não posso voar
Fico assim, ao deus dará.

Mas resta-me um consolo,
Sem profecia e sem rolo.
Creio ainda ser deste mundo,
Porque além de depósito de lixo,
Sou abrigo de vagabundo.

 
 

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Página editada por  Alisson de Castro,  Jornal de Poesia,  14  de  Agosto  de  1998