João Naval

Desabafo
 
 
Quando escrevo não sei se minto 
Sei lá o que sinto, nem sei se é dor; 

A dor que me atende, deveras acende 
Meu pleno vigor. 

O vigor que me sacode, me acode. 
Talvez seja uma flor! 

A flor que me teme, não fala, não geme 
Nem reza ao Senhor. 

Quando escrevo não sei se finjo; 
Mas nunca me exijo sonhar nem compor. 

Talvez seja o consumo do álcool, do fumo, 
Na mostra da arte, da qual não faz parte 
Este mundo em pavor. Parece resumo! 

Se finjo que sinto a dor do temor da flor, 
Não é dor, e sim fluência no odor... 
Acudam-me! As poesias desnudam-me...

 
 

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Página editada por  Alisson de Castro,  Jornal de Poesia,  07  de  Agosto  de  1998