Jônatas Batista


A Aranha

Estende o fio fino e a fina trama tece a diligente aranha, em contínuo labor. E, a trabalhar, assim, naturalmente esquece a atormentada lida — o sofrimento e a dor. E vai e vem e volve e, em volteios, parece que uma dansa executa, em medido rigor... Por fim, se imobiliza ou finge que adormece, à carícia da luz, no mórbido calor... O cérebro trabalha: — O pensamento é a teia que se estende, se liga e prende e se enrodeia em torno dessa oculta e diligente aranha... O poeta, em fios de ouro, as malhas urde e tece... No labor que o fascina, a própria mágoa esquece e a crias a sorrir, moscas de luz apanha...


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