Iderval Miranda


Do Amor e da Loucura

I diz-se o amor, o divino em sua proximidade. a loucura, ele mesmo em sua simplicidade. juntos, ainda ele em sua totalidade. II o simples traço fará desvendar o desespero contido no coração de quem se quer prazer e dor. e este corpo de mulher dilacerado pela recusa incontida do não? basta, que venha o longe e eterna seja a carne, catedral de prazer e dor. III buscar o amor em claro dia é vã tentativa. ao longe, um brilho na escuridão da tormentosa noite. adiante, além do obscuro do obscuro. IV pois o obscuro revela-se num rosto de mulher. e quem loucamente ama o longe verá o um eternizado em amor e gozo. pois o um revela-se no rosto do um. V pois que tudo seja vanidade e absinto, o nada será sempre o nada e o longe findará aqui, dentro de nós. e esta busca insensata, quando terá fim? VI terás a argila como princesa e no vergel dos desesperados serás o fruto maior. é certo que tudo é um e mesmo assim, ante ele, serás o outro. e o amor mostrará sua face em forma de mulher e sonho, e terás o fogo, a paixão e o prazer não a felicidade, pois tu és tu, outro um ante o um. VII (desperto pela guitarra do morto) o prazer é um. (ao lado da mulher amada) o prazer é um. (ante a última deidade) o prazer é um. - o prazer é um - (ainda assim) o prazer é um. VIII e eis o corpo do longe e longe ainda. e quem mais, pois o tudo lembrar é apenas renegar-se. e esta sombra do longe e longe ainda? IX e eis que meus sonhos nomeiam teu corpo a diluir-se em bruma, névoa e nada X clara paisagem do nada tu dirás longe longe longe mulher deserto e desespero.


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *