Félix da Cunha

Garibaldi
 
                                                                                   
Quero um preito de homenagem
Render à tua coragem,
Valente batalhador.
Beijando a coroa de louros,
Que, pelas mãos dos vindouros,
Há de os séculos transpor.

A estrela da liberdade,
No teu berço em tenra idade,
Foi a teu lado brilhar:
Ela resplende na espada,
Tanta vez desembainhada,
Para a pátria libertar.

Teu gênio nunca descansa: 
Onde raia uma esperança, 
É aí o teu lugar;
Se a pátria luta, batalhas; 
Se te vencem as metralhas, 
Pelos outros vais lutar!

Nos combates, que ilustraste,
Teu nobre sangue estampaste,
Qual glorioso padrão!
Sempre pelos infelizes,
Só levaste cicatrizes,
Mas, deixaste a gratidão!

Nasceste para uma idéia:
Quebrar sempre a vil cadeia,
Onde seu jugo estender!
Tu surges em toda a parte,
Onde existe o estandarte
Dos livres a defender!

Tua pátria é o mundo inteiro!
Onde há trevas, és luzeiro,
Onde há livres, cidadão;
Contra os déspotas, soldado;
Onde há povo escravizado,
És anjo da salvação!

Tão nobre, como valente,
Em ti o homem não desmente
Do guerreiro a intrepidez;
O pranto do patriota
Lava o sangue, que ali brota,
Dos golpes, que o bravo fez!

De quantos povos na história,
Sublimes, ricas de glória,
Que de páginas não tens?!
Quanta idéia grande, santa,
No pleito, em que te agiganta,
Em teu cérebro conténs! ...

Honra a til Talvez a esta hora
já raiasse nova aurora
Na tua Itália infeliz,
E já saúdes, ardente,
Tua pátria independente,
Livre enfim o teu país!

Sim! Venceste! Em nossas plagas
Chega um som, como o das vagas,
Ecos de hino triunfal
Salve! Itália denodada!
Garibaldi... quebra a espada
Basta-lhe o nome imortal!

                                                       
                                                      

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Página  atualizada  por  Alisson de Castro,  Jornal de Poesia,  12  de  Agosto  de  1998