Eugênio de Castro


Um Sonho

Na messe , que enlourece, estremece a quermesse... O sol, celestial girasol, esmorece... E as cantilenas de serenos sons amenos Fogem fluidas, fluindo a fina flor dos fenos... As estrelas em seus halos Brilham com brilhos sinistros... Cornamusas e crotalos, Cítolas,cítaras,sistros, Soam suaves, sonolentos, Sonolentos e suaves, Em Suaves, Suaves, lentos lamentos De acentos Graves Suaves... Flor! enquanto na messe estremece a quermesse E o sol,o celestial girasol,esmorece, Deixemos estes sons tão serenos e amenos, Fujamos,Flor!à flor destes floridos fenos... Soam vesperais as Vésperas... Uns com brilhos de alabastros, Outros louros como nêsperas, No céu pardo ardem os astros... Como aqui se está bem!Além freme a quermesse... - Não sentes um gemer dolente que esmorece? São os amantes delirantes que em amenos Beijos se beijam,Flor!à flor dos frescos fenos... As estrelas em seus halos Brilham com brilhos sinistros... Cornamusas e crotalos, Cítolas,cítaras,sistros, Soam suaves, sonolentos, Sonolentos e suaves, Em Suaves, Suaves, lentos lamentos De acentos Graves, Suaves... Esmaiece na messe o rumor da quermesse... - Não ouves este ai que esmaiece e esmorece? É um noivo a quem fugiu a Flor de olhos amenos, E chora a sua morta,absorto,à flor dos fenos... Soam vesperais as Vésperas... Uns com brilhos de alabastros, Outros louros como nêsperas, No céu pardo ardem os astros... Penumbra de veludo . Esmorece a quermesse... Sob o meu braço lasso o meu Lírio esmorece... Beijo-lhe os boreais belos lábios amenos, Beijo que freme e foge à flor dos flóreos fenos... As estrelas em seus halos Brilham com brilhos sinistros... Cornamusas e crotalos , Cítolas,cítaras,sistros , Soam suaves , sonolentos , Sonolentos e suaves , Em Suaves , Suaves, lentos lamentos De acentos Graves, Suaves... Teus lábios de cinábrio,entreabre-os!Da quermesse O rumor amolece,esmaiece,esmorece... Dê-me que eu beije os teus morenos e amenos Peitos!Rolemos,Flor!à flor dos flóreos fenos... Soam vesperais as Vésperas... Uns com brilhos de alabastros, Outros louros como nêsperas, No céu pardo ardem os astros... Ah! não resista mais a meus ais!Da quermesse O atroador clangor,o rumor esmorece... Rolemos,ó morena!em contactos amenos! - Vibram três tiros à florida flor dos fenos... As estrelas em seus halos Brilham com brilhos sinistros... Cornamusas e crotalos, Cítolas,cítaras,sistros, Soam suaves, sonolentos, Sonolentos e suaves, Em Suaves, Suaves, lentos lamentos De acentos Graves, Suaves... Três da manhã.Desperto incerto...E essa quermesse? E a Flor que sonho? e o sonho? Ah!tudo isso esmorece! No meu quarto uma luz,luz com lumes amenos, Chora o vento lá fora,à flor dos flóreos fenos...

Arcachon,12 de julho de 1889.

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