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A coisa pegou fogo na www.
Correu um email em nome da psicóloga Karla Christine — não
sei se verdadeiro — descendo a lenha em Cazuza. Do outro
lado, o belo livro de Digliane Melo Almeida. Trago-lhes a
dupla notícia. Não para vilipendiar o Cazuza; nem a
psicóloga; mas a demonstrar como, em nome do Pluralismo,
devemos conviver com os contrários: respeito.
Em primeiro, o
email recebido do poeta Pedro Ornellas, pau e cobra, isto é,
em símile;
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Sent: Thursday, October 02, 2008 3:06 PM
Recebi essa matéria, pesquisei, vi que está criando polêmica e
não podia ser diferente. Comentário muito interessante. Cada um
tire suas conclusões. Particularmente admiro quem, ao invés de
dizer "amém" e seguir a corrente, tem coragem de expor um ponto
de vista refletido sem medo de ser impopular. Dou parabéns a
essa psicóloga. Ela assistiu o filme Cazuza e escreveu:
"Fui ver
o filme Cazuza há alguns dias e me
deparei com uma coisa estarrecedora.
As pessoas estão cultivando ídolos
errados.
Como
podemos cultivar um ídolo como
Cazuza? Concordo que suas letras são
muito tocantes, mas reverenciar um
marginal como ele, é, no mínimo,
inadmissível. Marginal, sim, pois
Cazuza foi uma pessoa que viveu à
margem da sociedade, pelo menos uma
sociedade que tentamos construir (ao
menos eu) com conceitos de certo e
errado. No filme, vi um rapaz
mimado, filhinho de papai que nunca
precisou trabalhar para conseguir
nada, já tinha tudo nas mãos. A mãe
vivia para satisfazer as suas
vontades e loucuras. O pai preferiu
se afastar das suas
responsabilidades e deixou a vida
correr solta.
São
esses pais que devemos ter como
exemplo? Cazuza só começou a gravar
pois o pai era diretor de uma grande
gravadora. Existem vários talentos
que não são revelados por falta de
oportunidade ou por não terem algum
conhecido importante. Cazuza era um
traficante, como sua mãe revela no
livro, admitiu que ele trouxe drogas
da Inglaterra, um verdadeiro
criminoso. Concordo com o juiz Siro
Darlan quando ele diz que a única
diferença entre Cazuza e Fernandinho
Beira-Mar é que um nasceu na zona
sul e outro não.
Fiquei horrorizada com o culto que
fizeram a esse rapaz, principalmente
por minha filha adolescente ter
visto o filme. Precisei conversar
muito para que ela não começasse a
pensar que usar drogas, participar
de bacanais, beber até cair e outras
coisas fossem certas, já que foi
isso que o filme mostrou.
Por
que não são feitos filmes de pessoas
realmente importantes que tenham
algo de bom para essa juventude já
tão transviada? Será que ser correto
não dá Ibope, não rende
bilheteria?
Como ensina o comercial da Fiat,
precisamos rever nossos conceitos,
só assim teremos um mundo
melhor. Devo lembrar aos pais que a
morte de Cazuza foi consequência da
educação errônea a que foi
submetido. Será que Cazuza teria
morrido do mesmo jeito se tivesse
tido pais que dissesem NÃO quando
necessário? Lembrem-se, dizer NÃO é
a prova mais difícil de amor.
Não
deixem seus filhos à revelia para
que não precisem se arrepender mais
tarde.. A principal função dos pais
é educar. Não se preocupem em ser
'amigo' de seus filhos.. Eduque-os
e mais tarde eles verão que você foi
a pessoa que mais os amou e foi, é,
e sempre será, o seu melhor amigo,
pois amigo não diz SIM sempre. Karla
Christine, Psicóloga Clínica"
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Não sei
se a psicóloga Karla Christine
existe em carne e osso ou se seria
mais ficção, tipo "poema de Borges"
de que a www está cheia. Conferi no
Google e encontrei algumas
referências
a um mesmo nome, consultório médico
em BH.
Pelo sim, pelo não, tenho
que a polêmica está interessante,
não como um ataque a Cazuza, mas a
demonstrar a necessidade de
convivermos neste mundo tão
múltiplo. O respeito, afinal.
Pois
vejamos agora, palavras de Digliane
Melo Almeida — trata-se de uma obra
vasta, não é uma mera biografia,
mas um ensaio, tese, monografia,
livro, como queiram chamar —, em que
ela finaliza (faço questão de
mostrar, em símile), pág. 98:

No mesmo tom, o prefácio, de Daniel da Rocha Leite, também
pau e cobra, isto é, em símile (pena que também em símile
não seja possível colocar o libelo da psicóloga que, repito,
não sei se é verdadeiro):


O
livro de Digliane acaso faz jus ao prefácio? Ora, se faz! É
muito mais!, digo-lhes eu.
Vou conseguir o email dela para
que entrem em contato. (Aliás, já consegui:
diglianealmeida@yahoo.com.br. O
de Daniel da Rocha Leite, autor do
prefácio, está acima, é só clicar.
Ah, sim, o livro pode ser
adquirido diretamente com a autora, via email, ou nas
livrarias da Cidade do Pará, dita Belém.
Soares Feitosa

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