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mariano peyrou

 

Mariano Peyrou

[Apresentação e tradução de Mário Chamie]

 

Mariano Peyrou. Nasceu em Buenos Aires, no ano de 1971. Ao completar cinco anos de idade, sua família mudou-se para Madrid, Espanha, onde vive. Músico e graduado em Antropologia Social, Mariano Peyrou publicou, em 2000, seu primeiro livro de poemas, La Voluntad de Equilibrio. Em 2004, lança A Veces Transparente, livro que configura o perfil vivo de uma proposta poética em que o mesmo pode ser sempre uma ficção do outro. Ainda em 2004, o poeta teve duas antologias de seus poemas (De las Cosas que Caen e La Mitad del Dos) publicadas na Argentina. Em 2005, Peyrou comparece com La Sal, livro em que ele trabalha com as convergências desconcertantes que permeiam o “discurso politico” e o “discurso estético”, intercalados pelo “discurso passional”. Poderíamos dizer que, na poesia de Mariano Peyrou, a ilusória e aparente coerência do mundo dissolve-se na surrealidade natural das coisas e dos acontecimentos. Em sua poesia, os enigmas simples e diretos da palavra sobrepõem-se aos enganosos imperativos da lógica e da razão. [MC]

 

EN ESA ÉPOCA

 

En esa época solíamos mirar por la ventana.

Enfrente, dos hombres intercambiaban algo Negro,

de mano a mano, tuya, mía, como en un juego de

niños, y sudaban. Era una araña grande como un gato.

A veces encontrábamos un hombre en el suelo,

dos marcas violetas en el antebrazo. El

otro era el vecino. Nos contó que

venía gente de muy lejos a

desafiarlo. Nos contó que así los

hombres se expresaban admiración y respeto.

otros decían que era una forma de hacer

dinero. Un día fue el vecino el que perdió.

 

[de A Veces Transparente]

 

NESSA ÉPOCA

 

Nessa época tínhamos o hábito de olhar pela janela.

Em frente, dois homens suados

como num jogo infantil, trocavam

de mão para mão, a minha e a tua, uma coisa negra.

Era uma aranha enorme como um gato.

Às vezes, duas feridas violáceas no antebraço,

víamos um homem tombado no chão. O outro,

era o vizinho. Disse-nos que

de muito longe vinha gente

desafiá-lo.Disse-nos que assim os

homens entre si manifestavam respeito e admiração.

Outras pessoas falavam que era uma forma de ganhar

dinheiro. Nessa época, um dia,

quem perdeu foi o vizinho.

 

LA COROLA ENTERA

 

Nadie es alguien pero tal

vez alguien sea nadie como

yo, piensa este candidato a la

esperanza mientras estudia la

margarita de dos pétalos. Lo

mayor en esos casos es arrancar el

tallo, eludir la lógica disyuntiva

y guardarse la corola entera. No

habrá respuesta, en eso

consiste la flor.

 

[de A Veces Transparente]

 

A COROLA INTEIRA

 

Ninguém é alguém, mas talvez

alguém seja ninguém como

eu, pensa este candidato

à esperança enquanto estuda

a margarida de duas pétalas. Nestes

casos o melhor é arrancar o

 caule, desfazer a lógica disjuntiva

e inteira preservar a corola.

Resposta não haverá, nisto

consiste a flor.

 

NO VA A NEVAR

 

Es el verano y está metido en la cama recordándolo.

Una tarde de agosto me aburro espero que nieve o que alguien muera.

Pasea con su amigo caminan hasta el río para investigar el fondo con la palma de la mano.

Qué es un amigo un amigo es un alemán en Francia.

Cada día del verano consume una tarjeta del teléfono deja mensajes de veinte minutos en un contestador.

Desde ayer he pasado dos años sin decir ni escuchar una palabra.

Esta cama está clavada en su pasado.

No va a nevar espero encontrarme con la mujer violeta hay una cada día.

Investiga con su amigo la idea de mañana ese pedazo de miedo y esperanza.

Esta cama está clavada en mi futuro está apoyada en tu presente.

Es uno de enero el calendario es el impuesto más alto.

 

[de A Veces Transparente]

 

NÃO NEVARÁ

 

É o verão e está recolhido à cama recordando.

Uma tarde agosto me aborreço espero que neve ou que alguém morra.

Passeia com seu amigo caminha até o rio para investigar o fundo com a palma da mão.

Que é um amigo um amigo é um alemão na França.

Cada dia de verão consome uma ficha de telefone deixa gravadas mensagens de vinte minutos.

Desde ontem passei dois anos sem dizer nem ouvir uma palavra.

Esta cama está imersa em seu passado.

Não nevará espero encontrar-me com a mulher violeta há uma para cada dia.

Investiga com seu amigo a idéia de amanhã esse pedaço de medo e esperança.

Esta cama está imersa em meu futuro está apoiada em teu presente.

É primeiro de janeiro, o calendário é o mais pesado tributo.

 

AUTORRETRATO

 

El mejor autorretrato que conozco es de un

pintor que mira un huevo y pinta un ave. Hay

gente cuyo mejor autorretrato está en sus

uñas. Hace diez años pensaba que mi mejor

autorretrato sería al fin un beso durante el que se

piensa en el futuro para que vuelen juntos

los sabores. Toda magia es ingenua. Toda

palabra es mágica. Hace cinco años pinté mi

mejor autorretrato: un corazón y un

cuerpo que late dentro de él y lo alimenta. Hace diez

minutos comencé un poema

pensando que en toda palabra late un deseo

de silencio, una conciencia de esterilidad.

Cómo me arriesgo a quedar como un imbécil.

Todo autorretrato implica un riesgo semejante

Los sueños se suicidan con somníferos.

 

[de De las Cosas que Caen]

 

AUTORETRATO

 

O melhor auto-retrato que conheço é de um

pintor que vê um ovo e pinta uma ave. Há

pessoas cujo melhor auto-retrato está em suas

unhas. Há dez anos acreditava que o meu melhor

auto-retrato seria enfim um beijo durante o qual

sonhamos o futuro para que juntos voejem

os sabores. Toda magia é ingênua. Toda

palavra é mágica. Há cinco anos pintei o meu

melhor auto-retrato: um coração e um corpo

que o alimenta e pulsa dentro dele. Há

dez minutos dei início a um poema

pensando que em toda palavra vibra um desejo

de silêncio, uma consciência de esterilidade.

Assim me arrisco a passar por imbecil.

Todo auto-retrato carrega em si semelhante risco.

Os sonhos se suicidam com soníferos.

 

JAN TOCANDO LA FLAUTA/ LAS PINTORAS

 

Aunque el asombro está prohibido

el sonido del agua el sonido

del agua

niña que canta sílabas

de algún lado de la ventana

cristal donde las gotas revientan en murmullos

revientan en recuerdos impalpables

el asombro se abre paso y prevalece.

 

[de A Veces Transparente]

 

JAN TOCANDO A FLAUTA/ AS PINTORAS

 

Mesmo proibido o assombro

o som da água o som

da água

menina que canta sílabas

de algum lado da janela

cristal onde gotas revertem-se em murmúrios

revertem-se em recordações impalpáveis

o assombro abre caminho e prevalece.

 

UNOS OJOS

 

Unos ojos que no ven las pestañas

no funcionan, la boca es besos

y dientes, el abrazo es también

una estrategia de huida. Para el

tacto hay un cristal, si me resigno a mirar

se vuelve espejo, se

mueve el horizonte a cada

paso, sol

cargado de noches. Y si

aceptamos que desde dentro de un sistema

nunca entenderemos el sistema,

no hay más que hablar.

 

[de A Veces Transparente]

 

UNS OLHOS

 

Aqueles olhos que não vêem os cílios

não funcionam, a boca é beijos

e dentes, o abraço é também

uma estratégia de fuga. Há um cristal

para o tato, se me resigno a olhar

torna-se espelho, move-se o horizonte a cada

passo, sol

repleto de noites. E se

admitimos que, de dentro de um sistema,

jamais entenderemos o sistema,

nada mais há o que dizer.

 

MITO

 

Uno pasea por la calle con la chica colgada del brazo,

puede ser que se pregunte quién cuelga del quién,

pasea y compra unas flores y unas frutas en el mercado.

Y en algún momento ella muerde una manzana

y uno la ve y ya no es capaz de advertir otra belleza.

Tal vez así comenzó todo.

 

[de La Mitad del Dos]

 

 

MITO

 

Alguém passeia pela rua de braço dado com uma menina.

Pode ser que se pergunte quem leva quem,

caminha e compra algumas flores e algumas frutas no mercado.

Em dado momento a menina morde uma maçã

e alguém ao vê-la já não é mais capaz de conceber

outra beleza.

Talvez assim tenha tudo começado.

 

PARQUE

 

Tienes razón: los besos al sol

son diferentes. Hay para todos

los gustos, sobre todo porque los gustos

se desarrollan a partir de lo que hay.

pero habíamos prometido abandonar

estos análisis.

 

Estaba pensando en la muerte.

Pasa un hombre muy satisfecho

con sus juguetes, sin hacer preguntas.

Y ahí brillan unas jóvenes

transgresoras, un instante,

antes de desaparecer.

 

[de De las Cosas que Caen]

 

PARQUE

 

Tens razão: os beijos ao sol

são diferentes. Há para todos

os gostos, sobretudo porque os gostos

desabrocham-se a partir do que existe.

Mas havíamos prometido esquecer

estas análises.

 

Estava pensando na morte.

Sem fazer perguntas,

passa um homem muito feliz

com seus brinquedos.

Instante fugaz e aí iluminam-se

umas jovens transgressoras,

antes de desaparecer.

 

NI LOS AÑOS

 

Ni los años

ni los kilómetros

ni la colección de placeres;

solo una adecuada combinación

de maldad y sentimientos autocompasivos

permite apreciar la belleza

de las cosas que caen.

 

[de De las Cosas que Caen]

 

NEM OS ANOS

 

Nem os anos

nem os quilômetros

nem a soma de prazeres;

só uma justa combinação

de maldade e de sentimentos autopiedosos

permite admirar a beleza

das coisas que caem.

 

LOS DÍAS MÁS LARGOS

 

Una tristeza exclusiva del verano,

de las despedidas o las noches del verano.

Durante el día es imposible notarla, igual que en

invierno, cuando está ocupada combatiendo

el frío. Su olor la delata. Mis sueños recientes

anuncian cambios pero no sé qué hacer

con la misericordia. La representación del dolor

es lo que duele. Ya se puede abrir la ventana,

un rato, todos los días, y escuchar

las bocinas, la tarde reventando.

Prefiero no hacer nada, que es peor.

 

[de De las Cosas que Caen]

 

OS DIAS MAIS LONGOS

 

Uma tristeza exclusiva de verão,

das despedidas ou das noites de verão.

Assim como no inverno,

durante o dia é impossível percebê-la,

quando ocupada está combatendo

o frio. Seu perfume a denuncia. Meus sonhos recentes

prenunciam mudanças mas não sei lidar

com a misericórdia. O que dói

é a representação da dor. Já se pode abrir a janela,

um momento, todos os dias, e ouvir

as buzinas, a tarde se soprando.

O pior é que prefiro nada fazer.

Esta página foi gentilmente preparada para a Banda Hispânica pelo poeta Mário Chamie.

 

projeto editorial do jornal de poesia

editor geral e jornalista responsável

soares feitosa

coordenação editorial da banda hispânica

floriano martins

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