Arthur Fortes



Esfinge

Fico-me só, horas mais horas, triste, Nesta piedosa evocação do Outr´ora, Em face ao quadro a que se não resiste: Sonhos de então, desenganos de agora. Na vida o mal tem também sua aurora Que na alegria para mim consiste, De amar alguém que me repele e adora E que, ai de mim, existe e não existe. Alguém que em meigos sonhos me aparece Com a imácula pureza de uma prece Em lábios virginais por noite clara; E outras vezes me quer e me tortura E sofre como eu sofro essa amargura Desta paixão de forma estranha e rara!.


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