António Ramos Rosa 
Uma Voz na Pedra
                  
 
Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
 

 Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
 Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
 De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
 A minha tristeza é a da sede e a da chama.
 Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
 O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.
 Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
 Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
 Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
 Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
 Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
 Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
 

 
Remetente : Maria Alice Vila Fabião

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