Mais de 3.000 poetas e críticos de lusofonia!

Affonso Romano de Sant'Anna

santanna@novanet.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Fortuna Crítica:


Alguma notícia do autor:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Allan Banks, USA, Hanna

 

Da Vinci, Homem vitruviano

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904) - Phryne before the Areopagus

Affonso Romano de Sant'Anna


 

Bio-bibliografia


Affonso Romano de Sant'Anna nasce em Belo Horizonte, no dia 27 de março de 1937, filho de Jorge Firmino de Sant'Anna, Capitão da Polícia Militar mineira, e de D. Maria Romano de Sant'Anna.

Criado em Juiz de Fora, tem uma infância de menino pobre, trabalhando desde muito cedo para pagar seus estudos. Entre um e outro biscate, aproveita para ler os livros que consegue nas bibliotecas do Serviço Social da Indústria (SESI).

Filho de pais protestantes, é criado para ser pastor. Aos 17 anos prega o evangelho em várias cidades de Minas Gerais, visita favelas, prisões e hospitais, convivendo com pessoas pobres e sofridas. Leva a elas sua mensagem. Essa experiência irá influir, futuramente, no estilo de seus textos e poesias, com forte conteúdo social.

Custeia seus estudos na Faculdade de Letras de Belo Horizonte, tornando-se bacharel.

Em 1956, esteve envolvido com movimentos de vanguarda e, no ano seguinte, com sua voz de barítono, passa a fazer parte do "Madrigal Renascentista", à época regido pelo maestro Isaac Karabtchevsky.

Fez parte dos movimentos que transformaram a poesia brasileira, sempre interagindo com grupos inovadores e construindo sua própria linguagem e trajetória. Data desta época a participação nos movimentos políticos e sociais que marcaram o país. Como poeta e cronista, foi considerado pela revista "Imprensa", em 1990, como um dos dez jornalistas formadores de opinião por desempenhar atividades no campo político e social que marcaram o país nos anos 60.

Coloca em seu primeiro livro, lançado em 1962, "O Desemprego da Poesia", seu inconformismo com a atuação do poeta da época que não possuía a força dos poetas do século XIX. Analisa o desencontro do poeta no seu tempo e sua frustração pessoal. O poeta era tido como um ser boêmio, romântico, fora de época.

Em 1965, muda-se para Los Angeles onde, durante dois anos, dá cursos de Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia. Nasce sua primeira filha, Fabiana. Lança seu primeiro livro de poesias "Canto e Palavra".

Em 1968, retorna aos Estados Unidos para, durante dois anos, participar como bolsista do International Writing Program, na cidade de Iowa, dedicado a jovens escritores de todo o mundo.

Apresenta, na Universidade Federal de Minas Gerais, em 1969, sua tese de doutoramento "Carlos Drummond de Andrade, o Poeta "Gauche", no Tempo e Espaço", publicada em 1972 e que lhe garantiu os quatro prêmios mais importantes no universo literário brasileiro.

Casa-se, em 1971, com Marina Colasanti, escritora e jornalista, segundo ele sua melhor crítica e também musa inspiradora.

Nasce, em 1972, sua segunda filha, Alessandra. Leciona na Pontifícia Universidade Católica - PUC e na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.

De 1973 a 1976, dirige o Departamento de Letras e Artes da PUC/RJ. Para o curso de Pós-Graduação em Letras, realizado em 1976 na PUC/RJ, promove a vinda de conferencistas internacionais, entre os quais Michel Foucault, sociólogo francês. Houve grande repercussão da visita de Foucault ao país, que se encontrava em pleno regime ditatorial. Lança seu segundo livro de poesias "Poesia sobre Poesia".

Em 1976, volta aos Estados Unidos para lecionar Literatura Brasileira na Universidade do Texas.

Em 1978, torna-se professor de Literatura na Universidade de Colônia, na Alemanha. Lança "A grande fala do índio guarani".

Lança, em 1980, o livro de poesias "Que país é este?", cujo poema título é publicado com destaque pelo "Jornal do Brasil". Leciona, durante dois anos, na Universidade Aix-en-Provence, na França, como professor visitante.

Em 1984, assume no "Jornal do Brasil" a coluna anteriormente escrita por Carlos Drummond de Andrade, o que viria confirmar a opinião do conhecido crítico Wilson Martins de que o biografado seria o sucessor de Drummond. O jornal publica seus poemas na página de política, e não no suplemento literário, iniciativa pioneira e insólita, o que faz com que Sant'Anna mude seu conceito sobre o próprio emprego do poeta na sociedade. Percebe mais claramente que a função do poeta está vinculada, primeiramente, ao fato de que ele precisa ter uma linguagem eficiente, ter domínio de todas as técnicas, falar sobre assuntos que interessem às pessoas em geral, sem narcisismo nem subjetivismo, e encontrar um veículo eficiente para projetar o seu trabalho, no caso o jornal. Considera o livro ainda muito elitista, sofisticado, de acesso impossível às camadas mais pobres de nossa sociedade. Saber que seus poemas, como: "A Implosão da Mentira", "Que país é este?" (traduzido para o espanhol, inglês, francês e alemão) e "Sobre a atual vergonha de ser Brasileiro", estavam sendo lidos nas casas, nas praias, nos clubes, transformados em poster e colocados nas paredes de escritórios e sindicatos, em muito o gratifica e o ensina que os poetas têm que re-achar o seu lugar existencial e estético dentro da sociedade.

Publica pela Editora Rocco seu primeiro livro de crônicas, "A Mulher Madura", em 1986.

Em março do ano seguinte participou do Congresso "Les Belles Etrangères", onde foram reunidos dezenove escritores brasileiros em Paris e no mesmo ano publica com sua esposa a antologia "O Imaginário a Dois".

Em 1989 participou do "IV Encontro de Poetas do Mundo Latino", realizado no México.

Em 1990, nomeado Presidente da Fundação Biblioteca Nacional (a oitava maior biblioteca do mundo, com mais de oito milhões de volumes), cargo que ocupa até 1966, onde defronta-se, na prática, com sua própria frase a respeito do país: "Nós estamos muito à frente, mas estamos ainda muito atrás de nós mesmos". Informatiza a Biblioteca, cria o Sistema Nacional de Bibliotecas, reunindo 3000 instituições e o PROLER (Programa de Promoção da Leitura), que contou com mais de 30000 voluntários em 300 municípios brasileiros. Lança a revista "Poesia Sempre", de circulação internacional, e apresenta edições especiais sobre a América Latina, Itália, Portugal, Alemanha, França e Espanha.

Preside o Conselho do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (CERLALC), no período 1993/1995), sendo também o Secretário Geral da Associação das Bibliotecas Nacionais Ibero-Americanas (1995/1996), que reúne 22 instituições.

Cronista do jornal "O Globo", tem também participação em programas na TV Globo onde cria um novo gênero, algo entre a literatura e o jornalismo. Durante a Copa do Mundo, a TV Globo encomenda-lhe dez textos sobre os jogos, que deveriam ser escritos num espaço de duas horas, ligados à imagem e inteligíveis pelo país inteiro. O mesmo acontece com relação à Fórmula I. Também, nesse mesmo gênero, escreveria um poema por ocasião da morte do Presidente Tancredo Neves. Na sua opinião, a televisão, ao contrário do que muitos dizem, não veio para acabar com a literatura. É um veículo moderno e eficiente de promoção da literatura.

Proferiu conferências em diversos países, entre outros: México, Dinamarca, Chile, Canadá, Argentina, Portugal, Estados Unidos e Espanha.

Foi agraciado com o Prêmio Especial de Marketing — concedido pela Associação Brasileira de Marketing, pelo trabalho realizado frente à Biblioteca Nacional.

Além deste, recebeu, entre outros, os seguintes prêmios:

"Prêmio Mário de Andrade" - Com o livro "Drummond, o gauche no tempo."

"Prêmio Fundação Cultural do Distrito Federal" - Com o livro "Drummond, o gauche no tempo."

"Prêmio União Brasileira de Escritores" - Com o livro "Drummond, o gauche no tempo."

"Prêmio Pen-Clube" - Com o livro "O canibalismo amoroso"

"Prêmio União Brasileira de Escritores" - Com o livro "Mistérios Gozosos"

"Prêmio APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte", pelo conjunto de obra.

Atualmente escreve colunas aos sábados para o jornal "O Globo", no caderno "Prosa e Verso", bem como em outros diários do país.

Poesia (Brasil):

"Canto e Palavra"- 1965 - Imprensa Oficial de Minas Gerais

"Poesia sobre Poesia"- 1975 - Imago/RJ

"A Grande Fala do Índio Guarani"- 1978 - Summus Editorial/SP

"Que País é Este?"- 1980 - Civilização Brasileira - 1984 - Rocco/RJ

"A Catedral de Colônia e Outros Poemas"- 1987 - Rocco/RJ

"A Poesia Possível" (poesia reunida) - 1987 - Rocco/RJ

"O Lado Esquerdo do Meu Peito"- 1991 - Rocco/RJ

"Epitáfio para o século XX" (antologia) - 1997 - Ediouro/SP

"Melhores poemas de Affonso Romano de Sant'Anna - Global/SP

"A grande fala e Catedral de Colônia" (ed. comemorativa) -1998 - Rocco, Rio

"O intervalo amoroso" (antologia). - 1999 - L&PM/Porto Alegre

"Textamentos" - 1999 - Rocco/RJ


Poesia (Exterior):

"Antologia de Poesia Brasileira" (org. Jose Valle Figueiredo) - 1970 - Verbo, Portugal.

"Antologia de La Poesia Latinoamericana (1950-1970) (org. Stfan Baciu) - 1974 - State University of New York, 1974.

"Litérature du Brèsil (Revue Europe)" - 1982 - Paris, França.

"Beispilsweise Koln-Ein Lesebuch herausgegeben von H. Grohler" - G. E. Hoffman, H. J. Tummers, Lamuv Verlag, Alemanha, 1984.

"Translation: The Journal of literary Translation" - 1984 - Spring Columbia Univ.

"Lianu Liepsna (Brazily naujosios poezijos antologija)" (Antologia de poesia brasileira em lituano) - 1985 - Org. Povilas Gaucys, Chicago.

"South Easser Latin americanisis" - 1985 - Univ. Miami

"A posse da terra (escritor brasileiro hoje)" (org. Cremilda Medina) - 1985 - Imp. Nacional/Casa da Moeda/Sec. Cultura, SP.

"Antologia da poesia brasileira" (org. Carlos Nejar) - 1986 - Imp. Nacional/Casa da Moeda, Portugal.

"Brazilian literature" - 1986 - Special Issue. Latin American Literary Review, Univ. Pittsburgh.

"Anthologie de la nouvelle poèsie brèsilienne" (org. Serge Borjea) - 1988 - Harmatan, Paris.

"Okolice (miesiecznick spoleczno-literacki)" - 1992 - Marzec, Polônia

"Epitáfio para el siglo XX" - 1994 - Fundarte - Caracas, Venezuela

"Antologia da Poesia Brasileira" - 1994 - China, Emb. do Brasil - Pequim

"Liberté/Brasil Lirtéraire" - 1994 - Montreal, Canadá

"Das Gediche (Zeitschrife fur lyrik, Essay und Kritik)" - 1995 - AGHL, Alemanha.

"Vision de la poesia brasileña" (org. Thiago de Mello) - 1996 - Instituto Libro Santiago, Chile.

"Tierra de Nadie" (antologia de nueve poetas latinoamericanos) - 1996 - Ed. Una, Costa Rica.

"Neue lateinamrikanishee poesial" - Nueva Poesía America Latina. Rowohir Literatur Magazin, 38, Hamburg, 1996.

"Review: Latin American Literature and Arts" - 1996 - America Societe, New York, USA.

"Poeti brasiliani contemporanei" - 1997 - Silvio Castro. Centro Internazionale della Grafica di Venezia. Univ. Padora, Itália.

"Affonso Romano de Sant' Anna & Carlos Nejar: deux poètes brésiliens contemporains" (org Regina Machado) - 2000 - La Sape, Centre Nationnale de Lettres, Paris.

Antologias de Poesia (Brasil):

"4 poetas" - 1960 - Universitária, Belo Horizonte

"Violão de rua I" - 1962 - Civilização Brasileira

"Violão de rua II" - 1963 - Civilização Brasileira

"Violão de rua III" - 1963 - Civilização Brasileira

"Poesia da fase moderna" (org. Manuel Bandeira e Walmyr Ayala) - 1966 - Ediouro

"Poesia viva" (org. Moacyr Felix) - 1968 - Civilização Brasileira

"Poesia contemporânea" (org. Henrique Alves) - 1985 - Roswitha Kampf - SP

"Carne viva" (org. Olga Savary) - 1984 - Anima/RJ

"O Imaginário a Dois "- 1987 - Artetexto/RJ (com Marina Colasanti)

"Sincretismo: a poesia da Geração 60" (org. Pedro Lyra) - 1995 - Topbooks

"Poesia contemporânea, cadernos de poesia brasileira" - 1997 - Cadenos de Poesia Brasileira. Inst. Cultural Itaú, SP

"Baú de Letras" (antologia poética de Juiz de Fora) - 2000 - Funalfa, Juiz de Fora

"Os cem melhores poetas brasileiros do século" (org. José Nêumanne Pinto) - 2001 - Geração Editorial,SP

Crônicas:

"A Mulher Madura"- 1986 - Rocco/RJ

"O Homem que Conheceu o Amor"- 1988 - Rocco/RJ

"A Raiz Quadrada do Absurdo"- 1989 - Rocco/RJ

"De Que Ri a Mona Lisa?"- 1991 - Rocco/RJ

"Mistérios Gozosos"- 1994 - Rocco/RJ

"A vida por viver" - 1997 - Rocco/RJ

"Porta de Colégio" (antologia) - 1995 - Ática/SP

"Nós os que matamos Tim Lopes" - 2002 - Expressão e Cultura

"Pequenas seduções" - 2002 - Sulina

"Que presente te dar" - 2002 - Expressão e Cultura

"Antes que elas cresçam" - 2003 -Landmark

"Os homens amam a guerra" - 2003 - Francisco Alves

"Que fazer de Ezra Pound" 2003 - Imago

Ensaios:

"O Desemprego da Poesia"- 1962 - Imprensa Universitária de Minas Gerais

"Drummond, o "gauche" no tempo" - Record/Rio - 1990

"Política e Paixão"- 1984 - Rocco/RJ

"Análise Estrutural de Romances Brasileiros" - 1989 - Ática/Petrópolis

"Por um novo Conceito de Literatura Brasileira"- 1977 - Eldorado/RJ

"Música Popular e Moderna Poesia Brasileira" - 1997 - Vozes/Petrópolis

"Emeric Marcier "- 1993 - Pinakothec/RJ

"O Canibalismo Amoroso"- Rocco/RJ - 1990

"Paródia Paráfrase & Cia."- 1985 - Ática/SP

"Como se Faz Literatura "- 1985 - Vozes /Petrópolis

"Agosto 1991: Estávamos em Moscou"- 1991 - Melhoramentos/SP (com Marina Colasanti)

"O que aprendemos até agora?" - Edutifia, São Luís, Maranhão (1984). Ed. Universidade de Santa Catarina - SC, 1994

"Barroco, alma do Brasil." - 1997 - Comunicação Máxima/Bradesco, RJ
Reeditado em inglês, francês e espanhol , 1998

A sedução da palavra(ensaio e crônicas). Letraviva. Brasili, 2000

Barroco, do quadrado à elipse. Rocco,Rio, 2000

Desconstruir Duchamp, Vieira e Lenti Casa Editorial, 2003

Prosa e Ensaios (participações):

O livro do seminário (1ª. Bienal Nestlé de Literatura), 1982

Crônicas mineiras. Ática, 1984

A paixão segundo G.H. - Clarice Lispector (textos críticos). Co. Arquivos, Unesco, 1988

Tv ao vivo. Brasiliense, 1988

Homenagem a Manuel Bandeira, UFF/ Presença, Rio, 1989

Palavra de poeta. Denira do Rosário. José Olympio, Rio, 1989

Auto-retratos.Giovani Ricciardi, Martins Fontes, São Paulo, 1991

Drummond (arte em exposição). Salamandra, Rio, 1990

Minas liberdade. Secretaria de Cultura de Minas Gerais, 1992

O amor natural. Carlos Drummond de Andrade (prefácio), Record. Rio, 1992.

Cartas de Mário de Andrade. Nova. Fronteira, Rio, 1993

Hélio Pelegrino. A-deus. Vozes, Petrópolis, 1990

131 posições sexuais (o sexo visto por 131 personalidades) Org./ Lu Lacerda

Tiradentes, teu nome é liberdade, Máxima Comunicação, Rio, 1992

O livro ao vivo. Centro Cultural Cândido Mendes, Rio, 1995

Crônicas de amor. Ceres, SP, sem data

Brasil e Portugal: 500 anos de enlaces e desenlaces - volume 01 - (org. Gilda Santos). Real Gabinete Português de Leitura, Ano 2000, Rio

Para entender o Brasil.(org. Marisa Sobral Luiz Antonio Aguiar), Alegro, São Paulo,2000

Brasil e Portugal 500 anos de enlaces e desenlaces, volume 02 - Real Gabinete Português de Leitura, 2001,Rio

Prosas e Ensaios (participações no exterior):

Confluences littéraires(Bresil-Quebec). Les bases d"une compairaison.Les Editions Balzac,Montreal, 1992

Les riques du métier. L'Exagone.Quebec. Montreal. Canadá, 1990

Cuentos Brasileños. Andres Bello, Chile, 1994

O Brasil no limitar do sec. XXI. Frankfurt am Main,TFM, Frankfurt, 1996

Libraries, social inequalities and the challenge of the twenty first century.Dedadus(Journal of the American Academy of Arts ans Sciences,Fall 1996).

Tropical Paths: essay on modern brazilian literature (Org. Randal Jonhson) Ed.Garland, N. York/London, 1993

Brésil, poèsie du corpos. M. Leroy-Patay- M.E. Malheiros Poulet, La taillanderie, Lyon, 2000

"Lusofonia, mentiras e realidade" in "Veredas (Revista da Associação Internacional de Lusitanistas), Fundação Eng. Antonio de Almeida, Porto, 2000

Multimídia:

Cds:

Affonso Romano de Sant'Anna por Tônia Carrero. Luzdacidade. Niterói, 1998.

Crônicas escolhidas (com participação de Paulo Autran). Luzdacidade, Niterói, 1999.

"O escritor por ele mesmo" Instituto Moreira Salles, 2001.

Prêmios Literários:


"Prêmio Mário de Andrade" - Com o livro "Drummond, o gauche no tempo."

"Prêmio Fundação Cultural do Distrito Federal" - Com o livro "Drummond, o gauche no tempo."

"Prêmio União Brasileira de Escritores" - Com o livro "Drummond, o gauche no tempo."

"Prêmio Pen-Clube" - Com o livro "O canibalismo amoroso"

"Prêmio União Brasileira de Escritores" - Com o livro "Mistérios Gozosos"

"Prêmio APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte", pelo conjunto de obra


Fonte: Releituras

 

   

 

Franz Xavier Winterhalter, retrato de Roza Potocka

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Circe Vidigal

 

 

 

 

 

 

 

 

Titian, Three Ages

Affonso Romano de Sant'Anna


 

O Homem e a Letra


Depois de Beranger ter visto seus vizinhos virarem rinocerontes
depois de Clov contemplar a terra arrasada e comunicar-se
em monossílabos com seus pais numa lixeira
depois de Gregory Sansa ter acordado numa manhã
transformado em desprezível inseto aos olhos da família
e Kafka não ter entrado no castelo para ele aberto todavia
depois de Carlito a sós na ceia do ano cavando o inexistente
afeto no ouro dós salões
depois de Se Tsuam perder-se não entre as três virtudes
teologais
mas num maniqueísmo banal entre o bem e o mal
depois dos diálogos estáticos de Vladimir e Estragon
na estrada.de Godot
depois de Alfred Prufrock como um velho numa estação
seca contemplando a devastação e incapaz de perturbar o universo
depois dos labirintos de Teseu, Borges e Robbe-Grillet
depois que o lobo humano se refugiou transido na estepe fria
depois da recherche no tempo perdida e de Ulisses perdido
no périplo de Dublin
depois de Mallarmé se exasperar no jogo inútil de seus dados
e Malevitch descobrir que sobre o branco
só resta o branco por pintar
depois dos falsos moedeiros moendo a escrita exasperante
em suas torres devorando o que das mãos de Cronos
gera e degenera
depois da morte do homem e da morte da alma
depois da morte de Deus na Carolina do Norte
antes e depois do depois
aqui estou Eu confiante Eu pressupondo EU erigindo
Eu cavando Eu remordendo
Eu renitente Eu acorrentado Eu Prometeu Narciso Orfeu
órfano Eu narciso maciço promitente Eu
descosendo a treva barroca desse Yo
sem pejo do passado
reinventando meu secreto
                   concreto
                   Weltschmerz
Que ligação estranha então havia entre os nós e os nós
de outros eus
entre Deus e Zeus
que estranha insistência que penitência ardente que estúpido
e tépido humanismo
que fragilidade na memória que vocação de emblemas
e carência em mitografar-se
que projectum árduo e cego que radar tremendo pelas veias
que vocação de camuflar abismos e flutuar no vácuo
que reincidente recolocar do vazio no centro do vazio?

Que aconteça o humano com todos os seus happenings
e dadas?
que para total desespero de mim mesmo e de meus amigos
I have a strong feeling that the sum of the parts does not
equal the whole
e que la connaissance du tout précède celle des parties
e com um irlandês aprendo a dividir 22 por 7 e achar
no resto ZERO
enquanto grito sobre as falésias
when genuine passion moves you say what you have to say
and say it hot
Bêbado de merda e fel egresso da Babel e de onde os sofistas
me lançaram
vate vastíssimo possesso e cego guiado pelo que nele há
              de mais cego
tateando abismos em parábolas
açodando a louca parelha que avassala os céus
diante do todo-poderoso Nabucodonosor eu hoje tive um sonho:
OOO: INFERNO — recomeçar
Salute o Satana, "Finnegans reven again!"
agora sei que há a probabilidade da prova e da idade
o descontínuo do tímpano e o contínuo
que de Prometeu se vai a Orfeu e de Ptolomeu se vai
      a Galileu
Eurídice e Eu, Eu e Orfeu
o feitiço contra Zebedeu Belzebu e os seus


Madness! Madness!"
sim, loucura, mas não é a primeira vez que me expulsam
      da República
loucura, sim, loucura, ora direis
enquanto retiro os jovens louros de anteontem


Que encham a casa de espelhos aliciando as terríveis maravilhas
para que vejam quão desfigurado cursava o filho do homem
             em seus desertos cheios de gafanhoto e mel silvestre
que venha o longo verso do humano
o desletrado inconsciente
fora os palimpsestos! Mylord é o jardineiro
eis que o touro negro pula seus cercados e cai no povaréu
Ecce Homo
ego e louco
cego e pouco
ébrio e oco
cheio de sound and fury
in-sano in-mundo


Madness! Madness! Madness!
Madness
Summerhill
                 Weltschmerz

ET TOUT LE RESTE EST LITTÉRATURE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Michelangelo, 1475-1564, Teto da Capela Sistina, detalhe

Affonso Romano de Sant'Anna



Os Limites do Autor


Às vezes, ocorre
um autor estar
aquém
— do próprio texto.
De o texto ter-se feito,
além dos dedos,
como gavinha que inventou
a direção de seu verde,
e fonte que minou
o inconsciente segredo.
Um texto ou coisa
que ultrapassa a régua,
a etiqueta e o medo,
copo que se derrama,
corpo que no amor
transborda a cama
e se alucina de gozo
onde havia obrigação.
Enfim, um texto operário
que abandonou o patrão.

Às vezes ocorre
um autor estar aquém
da criação.
O texto-sábio
criando asas
e o autor pastando
grudado ao chão.

— Como pode um peixe vivo
estar aquém do próprio rio?
— Que coisa é esse bicho
que rompe as grades do circo
e se lança na floresta
no descontrole de fera?
— Que coisa é essa
que se enrola?
É fumaça? ou texto?
que se alça do carvão?

Lá vai o poema ou trem
que larga o maquinista
na estação
e se interna no sertão.
Ali o poema
olhado de binóculo
— só de longe tocado —
e o autor, falso piloto
largado na pista ou salas
do aeroporto, atrás do vidro,
enquanto o texto
levanta seu vôo cego
com o radar da emoção.

Enfim,
um poema que vira pássaro
onde termina a mão
ou avião desgovernado
que ilude o autor e a pista
e explode na escuridão.


 

   

 

Bronzino, Vênus e Cupido

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R Roldan-Roldan

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Caravagio, Êxtase de São Francisco

Affonso Romano de Sant'Anna


 

O Duplo


Debaixo de minha mesa
tem sempre um cão faminto
-que me alimenta a tristeza.
Debaixo de minha cama
tem sempre um fantasma vivo
-que perturba quem me ama.

Debaixo de minha pele
alguém me olha esquisito
-pensando que eu sou ele.

Debaixo de minha escrita
há sangue em lugar de tinta
-e alguém calado que grita.
 


* Este poema foi recitado na voz de Tônia Carrero no CD "Affonso Romano de Sant'Anna por Tônia Carrero" da Coleção "Poesia Falada".

 

   

 

A menina afegã, de Steve McCurry

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Alfredo Fressia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Andreas Achenbach, Germany (1815 - 1910), A Fishing Boat

Affonso Romano de Sant'Anna



Carta aos Mortos


Amigos, nada mudou
em essência.
Os salários mal dão para os gastos,
as guerras não terminaram
e há vírus novos e terríveis,
embora o avanço da medicina.
Volta e meia um vizinho
tomba morto por questão de amor.
Há filmes interessantes, é verdade,
e como sempre, mulheres portentosas
nos seduzem com suas bocas e pernas,
mas em matéria de amor
não inventamos nenhuma posição nova.
Alguns cosmonautas ficam no espaço
seis meses ou mais, testando a engrenagem
e a solidão.
Em cada olimpíada há récordes previstos
e nos países, avanços e recuos sociais.
Mas nenhum pássaro mudou seu canto
com a modernidade.

Reencenamos as mesmas tragédias gregas,
relemos o Quixote, e a primavera
chega pontualmente cada ano.

Alguns hábitos, rios e florestas
se perderam.
Ninguém mais coloca cadeiras na calçada
ou toma a fresca da tarde,
mas temos máquinas velocíssimas
que nos dispensam de pensar.

Sobre o desaparecimento dos dinossauros
e a formação das galáxias
não avançamos nada.
Roupas vão e voltam com as modas.
Governos fortes caem, outros se levantam,
países se dividem
e as formigas e abelhas continuam
fiéis ao seu trabalho.

Nada mudou em essência.

Cantamos parabéns nas festas,
discutimos futebol na esquina
morremos em estúpidos desastres
e volta e meia
um de nós olha o céu quando estrelado
com o mesmo pasmo das cavernas.
E cada geração , insolente,
continua a achar
que vive no ápice da história.
 


* Este poema foi recitado na voz de Tônia Carrero no CD "Affonso Romano de Sant'Anna por Tônia Carrero" da Coleção "Poesia Falada".

 

   

 

Albrecht Dürer, Mãos

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Sebastião Uchoa Leite

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Caravagio, Êxtase de São Francisco

Affonso Romano de Sant'Anna


 

CHEGANDO EM CASA


Chegando em casa
com a alma amarfanhada
e escura
das refregas burocráticas
leio sobre a mesa
um bilhete que dizia:

- hoje 22 de agosto de 1994
meu marido perdeu, deste terraço:

mais um pôr de sol no Dois Irmãos
o canto de um bem-te-vi
e uma orquídea que entardecia
sobre o mar.
 

   

 

A menina afegã, de Steve McCurry

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Alfredo Fressia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Caravagio, Êxtase de São Francisco

Affonso Romano de Sant'Anna


 

A PRIMEIRA VEZ QUE ENTENDI
 


A primeira vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na infância
cortei o rabo de uma lagartixa
e ele continuou se mexendo.

De lá pra cá
fui percebendo que as coisas permanecem
vivas e tortas
que o amor não acaba assim
que é difícil extirpar o mal pela raiz.

A segunda vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na adolescência me arrancaram
do lado esquerdo três certezas
e eu tive que seguir em frente.

De lá pra cá
aprendi a achar no escuro o rumo
e sou capaz de decifrar mensagens
seja nas nuvens
ou no grafite de qualquer muro.
 

   

 

A menina afegã, de Steve McCurry

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Alfredo Fressia

 

 

 

 

 

 

 

 

12/11/2007