António Arnaut

Gloria Efémera

O rosto do cartaz eleitoral sobre um fundo de promessas, a sorrir lembrava um maioral a franquear as portas do porvir. Vota! O apelo era um alaúde a embalar a fome atávica da grei; haverá trabalho, habitação, saúde, tudo o que at´´a gora não vos dei. Mas o vento límpido, ingrato naquele domingo de eleições ia desfazendo o candidato em cruéis, frenéticos rasgões. E quando a noite desceu um varredor indeciso, sonâmbulo, varreu os últimos detritos do sorriso.


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