António Arnaut

Os Meus Heróis

Prezo os símbolos, o rasto e os sinais da minha nostalgia portuguesa. Mas os meus heróis verdadeiros não vêm na história; não têm monumentos nas praças domingueiras nem dias feriados a lembrar-lhes o nome. São heróis dos dias úteis da semana: levantam-se antes do sol e recolhem apenas quando a noite se fecha nos seus olhos. Lavram a terra, o mar, e são jograis colhendo a virgindade pudica da vida. Sobem aos andaimes, descem às minas e comem entre dois apitos convulsivos um caldo de lágrimas antigas. São os construtores do meu país, à espera! Mouros no trabalho e cristãos na esperança; famintos do futuro, como se a madrugada fosse seara imensa apetecida onde o sol desponta nas espigas sobre o casto silêncio da montanha


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