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Arine de Mello Jr

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Poesia & conto:

 


 
 

Ensaio, crítica, resenha & comentário: 

 


Fortuna:


 
Ana Cristina Souto

Alguma notícia do(a) autor(a):

Arine de Mello Jr, advogado, casado com Rogéria Siqueira Hernandes de Mello e pai de Juliana Alves Francisco de Mello. Autor dos livros “Estes Momentos” lançado em 2.004, “Outros Momentos” no ano seguinte e “Reflexões dos Momentos” em 2007. Todos de poesia publicados pela Editora Scortecci. Filho de Arine Francisco de Mello e Julia Ramos de Mello. Descendente de imigrantes italiano e portugueses, nasceu no “Engenho Tambaú” no  município de Murutinga do Sul, SP, no dia 19 de junho de 1947.  

 

 

Culpa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Silas Correa Leite


 

O Horror dos Miseráveis

 

 

“Que não temas amar sabendo

Que embora a vida seja sombra e luz

Num palco de perplexidades

Aqui estarei para que venhas(...)

E se souberes querer que em mim

Tenhas pouso e pasto e sacrilégio”

Lia Luft

 

 

 

Lançado pela Editora Nelpa de São Paulo, o belo Romance “A Dualidade” do já consagrado escritor (poeta e ficcionista) de Ponta Porã-MS, Arine de Mello Jr, pelo próprio título da obra já se apresenta de alguma maneira: a luta do bem contra o mal nos seus mais plenos estágios, de espirituais a sobrenaturais, na cidade de Paraíso que, paradoxalmente ao que o próprio nome alude, é mais do que uma espécie assim de filial do inferno em tempos de dezelo público neoliberal, dívidas sociais impagas, injustiças criminosas e mesmo um quadro de abandono social histórico, numa usurpada geografia de contrastes sociais do norte do Brasil.

A “luta” brava não só e exatamente pelas causas sociais ou agro-rurais, na conturbada região de Altamira; portanto não entre classes dominantes e miseráveis como foco, ou mesmo sem terras contra latifundiários num tema político, mas a miséria mesma em todo o seu triste horror, evocando a mente não os miseráveis de Paris, mas os miseráveis expropriados dessa nossa afrobrasilis latrina sulamérica católica com suas aberrações de toda ordem (ou desordem) entre a hiléia verde e o homem explorador ainda satanizado. Pra começo de conversa, um amargurado homem urbano, de uma grande cidade - com suas estátuas, igrejas e cofres - perdido, infeliz, à procura de si mesmo; peregrino a buscar sinais e sentido para viver, e sobreviver de algum modo, que vaga até dar-se errante em plagas de cafundós pra lá de onde o Judas perdeu o tênis all-star, um lugar perdido no mapa, mas em que há atribulações de seres como reses tangidos com medo para o redil dos submissos, lugar que terrivelmente tem a sua historicidade degradante toda própria, onde exploradores do povo estão impunes, onde as forças do mal convergem para uma hecatombe, onde não se sabe quem é bandido e quem é autoridade constituída, e onde, ainda por cima de tudo, como pano de fundo por assim dizer, descontroladas forças sobrenaturais se juntam para criar uma espécie de apocalipse moreno-tropical como sinal de começo do fim do mundo. O autor vai longe, tem imaginação, carrega nas tintas, pintando o pré-caos.  

Numa impressionante narrativa realista, onde o personagem principal como que, se atendesse a um chamado espiritual de um tempo que já se perdeu nas dobras dimensionais do espaço, fugindo de si mesmo e querendo purgações de alguma maneira, como por uma estranha coincidência (muito além das fronteiras da alma); como uma profecia bíblica cai no olho do furacão de um local abandonado por Deus, e como numa batalha de miseráveis, em união pra lá de ecumênica junta-se a um pastor, um espírita, um católico, tudo isso entre matadores de aluguel impunes, jagunços, pervertidos, grileiros, ateus, loucos, garimpeiros, cegos, velhacos, ossadas e cadáveres, tentando enfrentar o que não sabe exatamente o que é e quem é, mas um verdadeiro legado do demo em vidas passadas e com cobranças num devir próximo, em terra de muito ouro e pouco pão, do nosso estilo mestiço-afrobrasilis de tantos renegados entregues à própria sorte, numa área perigosa de garimpo, local sem alma e sem lei, onde reina a arma branca ou uma valentia sobrevivencial, tudo figurado pela dona Morte. Vai por aí o belo romance.

Arine de Mello Jr, já elogiado por um dos melhores poetas brasileiros de então, Ascendino Leite, que dele diz “(...)Autor que honra e enriquece nossa linguagem lírica de modo irresistível e une com a vida nossa à do nosso país e da nossa comunidade comprometida com os valores de uma expressão poética(...)”. Ou ainda elogiado pelo maior proseador brasileiro, Moacyr Scliar, que comenta dele: “O autor tem um excelente domínio da forma poética, muita sensibilidade, muita imaginação(...)”.

Falando sério, com um handicap destes, o autor só poderia estrear muito bem como romancista numa ficção limpa, fluente. Logo de cara o romance “A Dualidade” se nos apresenta um prefácio edificante de Caio Porfirio Carneiro que apresenta o autor do livro: “O autor desce fundo no passado de Paraíso e descobre surpresas espantosas e espetaculares(...). Com uma disposição e sede de justiça, o personagem narrador enfrenta todas as tempestades e borrascas demoníacas(...). Paraíso é um sarcófago, um símbolo regional de alcance universal, entre o Bem e o Mal, entre Deus e o demônio em atmosfera lúdica(...). A busca da justiça social aos deserdados contra o poder dos que, lá em cima, acomodam-se com os cordéis do comando”.

É isso. Com os cordéis da contação sob domínio, o autor delineia um teatro ora de absurdos, ora de incompletudes, ora de um adubo humano entre carcaças e sofridas acontecências ribeirinhas que o personagem narrador, como um herói de ocasião, veio cobrar, justiçar. Será o impossível? Arine de Mello Jr, Advogado, com passagem pela Administração Pública em sua aldeia natal, Ponta-Porã, MS, é já autor de 3 livros de poemas: Estes Momentos (2004), Outros Momentos (2005) e Reflexões dos Momentos (200&), todos lançados pela Scortecci Editora de São Paulo. Vargas Llosa dizia: Escrever é uma obrigação para nos dar uma apaziguação existencial”. A busca do personagem principal é a busca também do autor como testemunho de um tempo, seu tempo, nosso tenebroso tempo?

O autor trabalha a tez chã de uma área em conflitos, narra os desacertos dos miseráveis que bem retrata em preto e pranto, o horror da própria miserabilidade social, rituais demoníacos, seres doentes, mistérios, erranças, encarnações datadas, e ainda, aqui e ali, poético e um filosófico prisma:  “Onde está a inteligência humana?(...). Onde está o lado bom da vida que é o amor? Na globalização dos mercados? Nos preços dos remédios? Nas sementes modificadas dos alimentos?(...) Nas guerras, nas armas sofisticadas?(...) A compaixão de Deus está nesse inferno que ele criou para separar o o joio do trigo(...) Li nomes naqueles corações de vidro(...)”

É isso, Arine de Mello Jr conta do joio e do trigo, quando não estão os dois num só – ah a espécie humana tão desumana - uma espécie assim de “troios” humanos, pseudo-humanos. O horror da miserabilidade e desesperança.

Talentoso, no entanto, lidando com um tema arenoso, o autor não cai na falácia panfletária, mostra todo seu caldo cultural, sua inteligência criativa, narra na primeira pessoa a vivificação letral dos fatos. O livro de cara custa a engrenar, fica algo suburbano, de uma altura pra frente, situado o conflito emergente, corre a corrente narrativa com garbo, é difícil de largar até chegar aos mistérios, contundências e final; você quer saber, quer continuar, tal a historiação entrando literalmente nas entranhas das almas sucumbidas pelo caos, pela maldade humana, pelos  podres poderes de áreas periféricas desse Brazyl S/A; o espectro horrendo do devir que se afigura trágico, as injustiças sociais e o risco de uma desgraça mundial a partir daquele lugar perdido no tempo e no espaço, como se um filme se passando na sua cabeça de leitor cativado ao ler e “ver” as cores das imagens correndo. “A Dualidade” é com todas as letras, o próprio eixo do romance, o leitmotiv; o núcleo em toda a construção literária de fio a pavio. Ganha quem gosta de leitura de qualidade onde o mal e o bem se confrontam e, bem ou mal, todos saem perdendo, porque o custo vem da derrama de lágrimas e sangue. Mas, afinal, é Deus ou o diabo que mora nos desfechos?. Leia o livro. Você vai adorar. Faz valer a pena conhecer um escritor de gabarito.

 

 

 

 

 

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Adelaide Lessa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Daisy Maria Gonçalves Leite

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vassia Silveira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Elizabeth Marinheiro

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Edna Menezes
   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Caio Porfírio Carneiro


 

“Estes Momentos”

Escala ascendente de um poeta

 

Temos aqui um poeta extremamente intrigante e instigante. Intri­gante porque sua poesia é uma seqüência de questionamentos pessoais, numa visão crítica, de alcance filosófico, de si mesmo perante seus pró­prios sentimentos e perante o mundo que o cerca; instigante porque, por isso mesmo, pontilha os poemas de interrogações:; mudas, para além das interrogações que exsurgem deles, que vêm a ser' as perplexi­dades do autor, ao correr dos textos.

Por serem assim, estas criações trazem a relevo, de imediato, uma amostragem enganosamente anárquica ou dispersiva na montagem do:; versos, transmudados em "lançadeiras" ou "fusos velozes" ,livres de rigores formais. Como poemas soltos ao vento, como lampejos poéti­cos em cambiâncias de espelhos e contra-espelhos, vinda à luz com toda a expansão imediata da catar se criadora, sem polimentos posteri­ores que dariam brilhos falsos ao que, de pronto, nasceu da sensibilida­de quase epidérmica do poeta.

Por tais razões e méritos, Arine Francisco de Mello Junior é um poeta diferente. Extremamente confessional, nem por isso é intimista; extremamente objetivo, liberto de recursos metafóricos, não cai nunca no dis­curso das mesmices pessoais. O que busca - vê-se bem - é o ponto nodal da vida, dos seus porquês, dos desacertos da existência, com os quais se con­fronta ou os afronta, esse abismo enorme entre o sentir e o não conseguir dimensionar através da precariedade das palavras. É um mostrar-se constan­te, um dar-se por inteiro, visando explicar ou alcançar o inalcançável da frágil existência humana. Os poemas se traduzem em amostragens sensíveis, perquirições pontuais e ao mesmo tempo ilocalisáveis. Embora de dentro para fora é um poeta que caminha em busca de si mesmo.

Bem como ele diz, em poucos versos de um poema tomado ao acaso:

 

“preciso de uma revisão,

preciso ser revisado,

preciso ser pensado,

um mundo de toda uma vida e

palavras sobre um papel qualquer,

algumas palavras e nada mais que

subverta estes momentos de ilusão."

(do poema Revisão)

 

Mas se esta é a sinalização de maior evidência das suas criações, nem por isso o poeta se enclausura ou se torna redundante; nem por isso se apequena diante de si e da vida; nem por isso parte para questionamentos dúbios que o levem a afirmações ilusórias ou arrema­tes que o aproximem de uma visão de vida conclusiva e própria. Tudo permanece em aberto. Tal como o velho truísmo: "minha vida é um livro aberto. "Espicaçante, apaixonante. sem aflições, porém.Caio Porfírio Carneiro Sua cosmovisão é muito abrangente, embora não pareça. Alcança uma visão lúdica do que sente, pensa, toca, ama e padece.

Vale-se de uma inversão muito particular, pouco encontradiça em outros poetas: são descaminhos ou caminhos outros, pessoais, ao longo do palmilhar das suas criações. É quando se volta para o amor, é quando se mostra, em desenho sem retoques, pleno de benquerença e generosidade poética. Espiraliza-se ou espiritualiza-se em momentos de notável beleza poética:

"sendo o corpo a menor parte

da vida,

como me pedes uma mão”?”

(do poema O Espírito de Uma Mão)

 

Valem pouco as citações. É que umas pedem outras. E este livro está pleno de momentos assim..

Eis aqui um poeta de dupla ou duas vertentes: um caudal que nasce do fundo da alma com um arroio cristalino que norteia o curso poético e mantém o formal processo criador, personalíssimo. Espontâneo, solto, liberto, dotado de sinais sensíveis notáveis que tocam o coração, a alma e a consciência do leitor. E o poeta nada disso busca. Apenas se mostra, em corte vertical, na sua personalidade artística e criadora.

Por isso é humaníssimo.

Por isso é um poeta que vem a público em mágicos lampejos, iniciando, com este livro, uma caminhada que, sem favor, irá longe, sempre em escala ascendente.


 

“Outros Momentos”

A substância de um talento poético

Embora a linha poética de Arine de Mello Jr; neste livro, seja, a mesma, na sua visão estética, do seu livro anterior – Estes Momentos – de 2004, com o qual veio a público em bela estréia, vê-se aqui que novos traços criadores se projetam do seu talento. Procura, e consegue, ver o mundo interior e o que o cerca mais a distância. Os questionamentos existências e sociais são mais esmerilhados, sem doídas aflições. Permanece inconformado e critico com os padrões estabelecidos, onde sopram os ventos das hipocrisias disfarçadas. Mas isto- e se nota no livro anterior- é da sua sensibilidade poética, quase epidérmica. Nunca parte para a vertical da denuncia direta, que levaria ao discursivo e ao panfleto.

 Além do que, o seu vigor, agudamente sensível, alcança abrangência maior, mais cósmica, detendo-se em espiralações mais vívidas, nos pontos nodais tão das suas motivações poéticas: a natureza, o social, e sobretudo o Amor. Esse amor totalizante, de alcance precário e tão infinito, que nasce das suas pulsações primeiras no ato da criação poética, numa dualidade imediata entre o palpável e fugidio:

“abrindo sempre os braços,

vem-me um sorriso adormecido mascarado

em tristes traços,

o sangue aquecendo-me o corpo, 

me prepara para o dia seguinte,

meu inferno de tantos beijos e abraços.”

(in Amor Sem Fim)

 

Arine é um poeta permanentemente voltado às emoções da vida e, de maneira muito própria e intuitivamente disciplinada, capta das essências primeiras dela – a vida -  a força das suas criações. Não aceita contornos e limites entre os sonhos e as esperanças, eis que é um poeta de eterna buscas; não procura respostas para as interrogações e não se mostra perplexo diante delas. 

Importa-lhe o ponto inicial de tudo, sem perquirições mais ou menos confusas sobre o ser e o não ser, o é e o não é, nunca resvalando para um intimismo inconseqüente. O verso e o vértio deste poeta sempre  serão assim porque até quando interroga ou se interroga é, embora subjacentemente, objetivo.

Eis porque essa grande busca, que não nasce da emoção do poeta, mas o persegue na consciência criadora, é não encontrar as palavras exatas que lhe “traduzam” os vendavais do coração, da alma, do mundo interior e que transmudem, se  possível, a própria substância das coisas. Mas as palavras serão sempre e sempre precária. Sempre. Como diz com precisão poética Lenilde de Freitas: “palavra/ que não és/ e és eterna.” Este é o xadrez sofrido do poeta – e Arine é muito bom poeta – diante delas: as palavras.

Eis a prova:

“Observando,

não sou mais que minhas palavras,

nem menos que meu pensamento”

(in Mais e Menos)

 

Valendo-se delas, porem, com grande talento poético, Arine nunca se detém nas esquinas da vida. Sua lupa é mágica e a bondade e a miséria estão aí.

“Tateando meu teclado,

procuro letras...procuro como um

cego no escuro procura visões tateando

seu eterno,

escuro tateado.”

(in Identidade)

 

Ou em voleio inesperado:

“se pela terra me enterro,

e pelos mares me afogo,

sou eu o dono deste grito...”

(in Culpa Sem Culpa)

 

Ou ainda esta beleza, que é quase síntese de todo o seu universo criador:

“abre-se a porta de minha casa

e levo para as ruas estas reservas

de meus recursos,

vou por elas com minha

simplicidade...”

( in Ruas )

 

Estes recursos são quase a projeção poética da personalidade do autor. Como não se volta para sentidas queixar, busca – e já foi dito – os pontos vitais de tudo, e se volta a bem querença do amor e ao inconformismo com as aparências enganosas, numa linguagem poética onde o lirismo e a luz e o caminho para dar espiritualidade até para as plantas e as pedras dos caminhos.

O lado formal deste livro é mais límpido e pulsante do que o anterior, os versos melhor disciplinados, o que em nada diminuem, em qualidade, a obra de estréia.

A riqueza sonora é vívida, quase um solfejo que exala da liberdade particularíssima de versejar do poeta.

De tudo isso, e com um talento assim, exsurgem para o publico estes poemas de um poeta de primeiro plano.

 

 

Link para a Caio Porfírio Carneiro

 

 

  Allan R. Banks (USA) - Hanna

 

 

 

Maria Helena Nery Garcez

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Helena Armond

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

21.11.2009