Alves Ribeiro

Torturas do Cérebro 
 
Vai alta a noite. Velo. Erra o silêncio em torno.
Encerrado em meu quarto, à luz trêmula e baça
Da lâmpada, medito. Em derredor esvoaça
Feio inseto. Asfixia o ar à feição de um forno.

Tenho a cabeça zonza. E por mais tente e faça
Não consigo dormir. Paira em tudo um transtorno...
Vejo paredes, no chão, no teto sem adorno
Vejo, como a acenar-me, o espectro da desgraça..

Pego e abro um livro, em vão. Não posso ler. È o tédio.
E debalde procuro encontrar um remédio
À dor atroz... O meu anseio não se acalma.

E continuo assim (pena que não se exprime)
A desejar a luz que o cérebro me anime
E sentindo pesar-me a noite dentro d'alma.

 
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