Argemiro de Paula Garcia Filho


Calango

Passo, passo, passo. Da parede me olha, curioso. Balança a cabeça, num sim, e anda, sinuoso, indagando o que me move assim. Também o vejo. Seu jeito afirmativo me arrasta. Mal equilibro minha massa enquanto ele vai, da parede 'a arvore da praça, como se voasse pelo chão. A cada pausa, reafirma o sim. Mostra-me a língua, como troca, e me pergunto como a nossa vida humana se apresenta ao lagarto que observo a observar.

Salvador, 17/6/96

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