Alexandre de Gusmão


A Júpiter Supremo Deus do Olimpo

Númen que tens do mundo o regimento, Se amas o bem, se odeias a maldade, Como deixas com prêmio a iniqüidade, E assoçobrado ao são entendimento? Como hei de crer que um imortal tormento, Castigue a uma mortal leviandade? Que seja ciência, amor ou piedade Expor-me ao mal sem meu consentimento? Guerras cruéis, fanáticos tiranos, Raios, tremores, e as moléstias tristes, Enchem o curso de pesados anos; Se és Deus, se isto prevês, e assim persistes, Ou não fazes apreço dos humanos, Ou qual dizem não és; ou não existes.


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