Archangelus de Guimaraens 

  
Ribeirão do Carmo
       
Levavas as dolentes nostalgias
Das choupanas, dos campos, das cidades,
E é por isso que múrmuro seguias
Como quem segue cheio de saudades...

Nas tuas águas límpidas e frias,
O luar sonhava brancas virgindades...
Eras tão triste assim que parecias
Feito do pranto eterno das idades.

Mas não paravam nunca as tuas águas;
Talvez para matar as próprias mágoas,
Sem te deter corrias sempre além...

E vendo-te passar, como um demente,
Eu tinha às vezes o desejo ardente
De ir ao teu lado, de seguir também...

 
 
Remetente: Marlene Andrade Martins
 

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Página editada por  Alisson de Castro,  Jornal de Poesia,  02 de dezembro de 1997