Archangelus de Guimaraens 

Balada da Lua
    
 
É noite. Vai alta a lua,
Barco perdido no céu!
Serena e doce falua,
Procurando a imagem tua,
Vai tão triste assim como eu!

Dormem as rosas, os ninhos,
Neste silêncio infinito.
E à beira dos caminhos
A lua estende os seus linhos
Sobre as rochas de granito.

Que infinita tristeza!
Quem resistir-te, quem há-de?
Foi a lua, com certeza,
Da noite branca a princesa,
A triste mãe da saudade!

As falas do luar, querida,
Nos entram no coração
E aí ficam toda a vida
Numa expressão dolorida
Como uma triste canção.

Viram-te um dia passar,
Em noite assim, os meus olhos...
Mais branca do que o luar
Ias feliz sem pensar
Que a vida é cheia de abrolhos.

Anos depois, já passados,
Entre as flores do balcão
Meus tristes olhos, coitados!
Viram teus olhos magoados
Da lua ao doce clarão.

E essa suave tristeza
Que vinha do rosto teu
Não sei se vinha do céu.
Mas a lua com certeza
Foi que ao ver-te entristeceu.

 
 
Remetente: Marlene Andrade Martins
 

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Página editada por  Alisson de Castro,  Jornal de Poesia,  02 de dezembro de 1997