Archangelus de Guimaraens 

Versos Campesinos
(a Urbano Junqueira)
 
Os jasmineiros estão floridos
Pelas devesas que vais trilhar;
Invejam a alvura dos teus vestidos...
Os jasmineiros estão floridos,
Sabendo ao certo que vais passar...

A rosa branca que vai pendida
Nos teus cabelos em desalinho,
Vai orgulhosa por ser querida.
A rosa branca que vai pendida,
Lembra uma pomba dentro dum ninho.

Pelos valados, pelas campinas,
Como que as aves dizem: Bons dias!
Vozes tão frescas, tão cristalinas,
Pelos valados, pelas campinas,
Quando passavas, quando tu ias...

No azul sereno, no azul lavado,
- Pombas d'arminho voando no ar - 
Teu colo branco foi invejado,
No azul sereno, no azul lavado,
Como a pureza do teu olhar...

Pelas longínquas serras nubladas
- Cortinas alvas desse arrebol -
Como num sonho branco de fadas,
Pelas longínquas serras nubladas,
Vinham beijar-te raios de Sol...

E como um bando de raparigas
As laranjeiras davam-te flores
Para a grinalda - boas amigas.
E como um bando de raparigas
Que já soubessem dos teus amores...

Rosa colhida pelo valado,
Era teu dote para o noivado
Tua alma simples de camponesa.
- Rosa colhida pelo valado,
Tanto perfume, tanta pureza...

Tua vivenda branca e isolada
Seria o pouso dos pobrezinhos...
Como que rindo perto da estrada,
Tua vivenda branca e isolada
Por entre flores, por entre ninhos...

 
 
Remetente: Marlene Andrade Martins
 

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Página editada por  Alisson de Castro,  Jornal de Poesia,  02 de dezembro de 1997