A minha aldeia
Antônio Gedeão

        Minha aldeia é todo o mundo.
        Todo o mundo me pertence.
        Aqui me encontro e confundo
        com gente de todo o mundo
        que a todo o mundo pertence.

        Bate o sol na minha aldeia
        com várias inclinações.
        Angulo novo, nova ideia;
        outros graus, outras razões.
        Que os homens da minha aldeia
        são centenas de milhões.

        Os homens da minha aldeia
        divergem por natureza.
        O mesmo sonho os separa,
        a mesma fria certeza
        os afasta e desampara,
        rumorejante seara
        onde se odeia em beleza.

        Os homens da minha aldeia
        formigam raivosamente
        com os pés colados ao chão.
        Nessa prisão permanente
        cada qual é seu irmão.
        Valência de fora e dentro
        ligam tudo ao mesmo centro
        numa inquebrável cadeia.
        Longas raízes que imergem,
        todos os homens convergem
        no centro da minha aldeia.
         

 
Remetente : Jorge Marmelo
VOLTAR | PÁGINA PRINCIPAL