Almeida Garrett

Seus Olhos
 
Seus olhos se eu sei pintar 
O que os meus olhos cegou  
Não tinham luz de brilhar, 
Era chama de queimar; 
E o fogo que a ateou 
Vivaz, eterno, divino, 
Como facho do Destino. 

Divino, eterno! e suave 
Ao mesmo tempo: mas grave 
E de tão fatal poder, 
Que, um só momento que a vi, 
Queimar toda alma senti... 
Nem ficou mais de meu ser, 
Senão a cinza em que ardi. 
 

 Remetido por Alfredo José Brites  
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 Página editada por  Carlos Rosemberg,  Jornal de Poesia,  25 de novembro de 1997