Almeida Garrett

Este Inferno de Amar !
 
Este inferno de amar — como eu amo! 
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi? 
Esta chama que alenta e consome, 
Que é a vida — e que a vida destrói — 
Como é que se veio a atear, 
Quando — ai quando se há-de ela apagar? 

Eu não sei, não me lembra; o passado, 
A outra vida que dantes vivi 
Era um sonho talvez… —  foi um sonho — 
Em que paz tão serena a dormi! 
Oh! que doce era aquele sonhar… 
Quem me veio, ai de mim! despertar? 

Só me lembra  que um dia formoso 
Eu passei… dava o Sol tanta luz! 
E os meus olhos, que vagos giravam, 
Que fez ela? Eu que fiz? — Não no sei 
Mas nessa hora a viver comecei… 

Folhas Caídas 
 
 
 

 Remetido por Alfredo José Brites 
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 Página editada por  Carlos Rosemberg,  Jornal de Poesia,  25 de novembro de 1997