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revista de cultura # 70 |
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Agulha, um balanço português Maria Estela Guedes
Neste domínio, vemos privilegiados nela os artistas do front, das muitas vanguardas, desde Rimbaud a Patti Smith, desde o surrealismo à beat generation, desde a pintura até à música pop. Georges Bataille está presente, bem como Sade e Lautréamont, porque a Europa se enraíza no Novo Mundo, e este naquela, transportados pela grande massa de autores convocados ao anfiteatro da Agulha. Se quisermos, como os editores da revista, englobar todas as vanguardas em só uma, paralela à outra tendência da arte contemporânea, o formalismo, então verificamos que a Agulha se ocupou, sobretudo, do surrealismo.
Vamos ver a que assuntos e autores nossos prestou atenção. Autores e figuras comentados: Almada Negreiros e Cruzeiro Seixas (nº 2-3); Herberto Helder (nº 9,); D. Sebastião (nº 11); Luís Miguel Nava, Mário Cesariny (nº 25); Fernando Pessoa (26; 36); Mário Botas (nº 26); Casimiro de Brito, António Ramos Rosa, Maria do Rosário Pedreira (nº 27); Herberto Helder (nº 29); poetas vários por João Barrento, e António Barahona (nº 30); Paula Rego, Maria João Cantinho (nº 32); Adolfo Casais Monteiro, Eduardo Langrouva (nº 33); Mário Viegas, Fernando Lemos e Manuel de Castro (nº 34); Ana Hatherly, Rosa Alice Branco (nº 35); Mário Cesariny, Graça Morais, Manuel António Pina, Sophia de Mello Breyner (nº 36); José Saramago, Nicolau Saião (nº 37); Herberto Helder (nº 38); David Mourão-Ferreira (nº 38); Manuel Gusmão (nº 39); Ana Marques Gastão, Paula Rego (nº 41); Manuel Fernando Gonçalves (nº 42); Al Berto, Ilda David (nº 44), António Ramos Rosa, Eugénio de Andrade, Nicolau Saião (nº 45); Armando Silva Carvalho, Maria Teresa Horta (nº 46); António Ramos Rosa (nº 47) Rosa Alice Branco, Isabel Meyrelles (nº 49); Bocage (nº 50); Cruzeiro Seixas (nº 51); Cesário Verde, José Régio (nº 52); Ernesto de Sousa, Cruzeiro Seixas (nº 53); António Ramos Rosa (nº 55); José Régio (nº 56); Nicolau Saião (nº 57); Agostinho da Silva (nº 58); Isabel Cristina Pires, Cruzeiro Seixas; vários em “Literatura portuguesa contemporânea” (nº 59); João Pedro Grabato Dias (nº 60); D’Assumpção (nº 62); Herberto Helder (nº 62); Fernando Echevarría, Raul Proença, Florbela Espanca, Ruy Belo (nº 63); Herberto Helder (nº 62); António Lobo Antunes (nº 66); Herberto Helder, Cruzeiro Seixas (nº 67); Alberto Santos, Henrique Risques Pereira (nº 68); Herberto Helder (nº 69).
Com as presenças assíduas de Herberto Helder e Cruzeiro Seixas, verificamos que, no que toca a Portugal, também o surrealismo foi mais intensamente analisado. A percentagem de matéria lusíada é considerável, atendendo não só ao peso dos efectivos do Brasil como da parte restante da América Latina. Não esquecendo que a revista se ocupou das vanguardas, portanto teve de ser universal o bastante para cobrir a Europa, os Estados Unidos e boa parte do restante mundo. Nestes dez anos, a influência da revista no meio dos escritores vivos com acesso ao ciberespaço foi imensa, com saldo muito mais que positivo, e o prémio entretanto recebido assinala o facto com justiça. É importante a influência ao convocar os artistas para um novíssimo suporte de publicação e meio de difusão cultural, com regras próprias, e poder impressionante de impacto, traduzido nos novos contactos, além de na audiência. Nunca, pelos meios tradicionais, Floriano Martins e Claudio Willer se teriam cruzado no caminho com tantos escritores – americanos, europeus e africanos – não fora o apelo do virtual. O virtual tem essa grande virtude: apela para o presencial. As relações presenciais são determinantes na nossa carreira, delas depende a permeabilidade ao fluxo artístico, portanto a permanência dos valores artísticos e culturais, bem como a incitação ao novo e desenvolvimento dos novos caminhos.
O domínio da revista, a sua Url - www.revista.agulha.nom.br/agportal.htm - vai permanecer acessível aos browsers. Quando desaparecer definitivamente, os materiais escritos, na maior parte, ficarão disponíveis no Internet Archive: http://web.archive.org/collections/web.html. Experimente: http://web.archive.org/web/*/http://www.revista.agulha.nom.br/agportal.htm. O TriploV e eu devemos muito à Agulha, isto é, a Floriano Martins e a Claudio Willer. Livros publicados no Brasil, participação na Bienal Internacional do Livro do Ceará, por exemplo, aconteceram e espero que continuem a acontecer devido ao mútuo conhecimento e à camaradagem que se foram desenvolvendo nestes dez anos. Somos veteranos, quase pioneiros em absoluto, e pioneiros relativamente à nossa especificidade.
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Maria Estela Guedes (Portugal, 1947). Escritora, investigadora do Centro Interdisciplinar de Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade de Lisboa. Dirige o TriploV [http://triplov.org]. Autora de livros como Herberto Helder, Poeta Obscuro (1979), Ofício das Trevas (2006) e Chão de papel (2009). Contacto: estela@triplov.com. Página ilustrada com obras da artista Aline Daka (Brasil). |
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