revista de cultura # 58
fortaleza, são paulo - julho/agosto de 2007

discos da agulha

Canja, de André Juarez1. Canja, de André Juarez. Pôr do Som. Brasil. 2007. contato@pordosom.com.br – www.pordosom.com.br

Com o propósito de trazer ao público, produtos de extrema qualidade e importância cultural, o Selo independente Pôr do Som, lança o Cd, “Canja” de André Juarez, com distribuição da Atração Fonográfica.

Neste disco o vibrafonista, maestro e arranjador André Juarez, apresenta um trabalho  baseado  numa  fusão de MPB, salsa e jazz, dando uma roupagem diferenciada a clássicos da música popular brasileira como Disparada (Théo de Barros/Geraldo Vandré), Luz do Sol (Caetano Veloso), Trenzinho Caipira (Villa Lobos), Berimbau (Baden Powel/Vinicius de Moraes)etc. O disco contou com diversas “canjas”: Jair Rodrigues, Osvaldinho do Acordeon, Zé Eduardo Nazário, Benito Juarez, Don Betto, Pepe Cisneiros, Andréas Marker, Dinho Nascimento, Euclides Marques, entre outros.

Nascido em São Paulo, numa família de músicos, filho do maestro Benito Juarez, irmão da cantora Carmina Juarez e do compositor e intérprete Tiago Pinheiro, André Juarez, iniciou a carreira ainda jovem, e sempre se manteve entre o erudito e o popular.

Vibrafonista, maestro e arranjador graduado Cum Laude pela Berklee College of Music, em Boston (EUA), possui também títulos de Bacharel em Música pela UNESP, de Mestre em Artes pela UNICAMP e traz em seu currículo extensa atividade musical (didática e artística).

É regente e professor de estruturação musical no CORALUSP desde 1988, tendo também lecionado teoria da música, percepção e prática instrumental por dez anos (1990 a 2000) na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Atuante no campo da música popular e erudita, já se apresentou em várias cidades brasileiras e européias, no Japão e nos Estados  Unidos ao lado de músicos consagrados (Gilberto Gil, Milton Nascimento, Hermeto Paschoal, Bob Becker, Edwin Pitre, Jair Oliveira, Edsel Gomes, Ulisses Rocha, Célia, Nico Assumpção, Hildebrando Brasil, Zé Eduardo Nazário, André Christóvam, entre outros).

Atuou como solista de diversas orquestras (dentro e fora do Brasil) sob a regência de grandes maestros: Alan Balter (USA), Jerry Cêcco (USA), Benito Juarez (Brasil), Bernardo Hernandes (Venezuela), Lígia Amadio(Brasil) e Roberto Farias (Brasil). Dentro de seu repertório de concerto, além de suas transcrições de obras tradicionais (Mozart, Bach e Vivaldi), possui também obras que lhe foram dedicadas: “Concerto para Marimba, Vibrafone e Cordas” de Almeida Prado, “Concerto para Marimba” de Ernst Mahle, e “Concerto para Vibrafone e Orquestra” (prêmio APCA-1997) de Edmundo Villani-Côrtes.

Como  aluno,  parceiro  e intérprete,  participou  da  composição  e  execução  de vários  trabalhos  do  compositor  alemão Hans Joachim Koellreutter (“O Café”, “Acronom”, “Pantha Rhei”, “Koellreutter Plural”, “A Música Viva”, “Dharma”, “Audiogame”).

Gravou dois CDs de música brasileira contemporânea (“Vibrafone Solo I" e "Vibrafone Solo II”), cujo repertório foi escrito especialmente para esse trabalho por alguns dos mais significativos compositores brasileiros (Eldorado).

Ao lado do pianista e compositor Edmundo Villani-Côrtes gravou o CD autoral de música brasileira "Dueto", e atuou na capital e no interior paulista  em um duo de piano e vibrafone.

Gravou CD com suas adaptações para vibrafone de duas obras de J.S.Bach originalmente compostas para violino solo: Sonata em Lá menor e Partita em Re menor.

Conquistou em 2001 o prêmio “Bolsa Virtuose” concedido pelo Ministério da Cultura a artistas brasileiros que se distinguem no cenário nacional.

Além do André Juarez Quarteto (MPB e jazz), grupo com o qual desenvolve expressiva atividade artística, lidera a banda de jazz-rock Le Petit Comité, o grupo de choro Gato Prêto e um dos onze grupos do CORALUSP.

 

Íntimo, de Hamilton de Holanda2. Íntimo, de Hamilton de Holanda. Deckdisc. Brasil. 2007. www.deckdisc.com/deckdisc.

Íntimo é a revanche do ócio criativo ao cansaço das turnês. Neste disco, Hamilton concebeu canções com o perfume de cada lugar usando apenas seu laptop, uma m-box e um bom microfone. E confessa que a partir desse CD se iniciou numa nova aventura: criar numa tacada só. Em Caiena, na Guiana Francesa, ele gravou “Luiza”, de Tom Jobim, “Beatriz”, de Edu Lobo e Chico Buarque e “Amor Saudade Amor”, composição de sua autoria que homenageia sua mulher, Cinara. Feitiço da Vila, de Noel Rosa, foi registrada em Zurique; na cidade luz, Paris, ele gravou “Senhorinha”, de Guinga e Paulo César Pinheiro. Já no aconchego do seu lar, no Rio de Janeiro, Hamilton registrou “Samba do Soho”, de Paulo Jobim e Ronaldo Bastos.

Segundo Tárik de Souza, “O Hamilton adulto solo evoluiu para uma pegada técnica sem desperdícios, como a da valsa composta para o irmão, “A César o que é de César”. Impressiona ainda a capacidade de articular solo e acompanhamento como se fossem dois instrumentos (ou uma dobra) em temas contraponteados como o eloqüente e abrasivo “Samba do Soho” (Paulo Jobim/ Ronaldo Bastos), faixa esquecida do disco Passarim (1987), cujo tema título, de Tom Jobim, também é recriado em acordes superpostos e cordas arranhadas que piam pássaros embutidos na execução.

 

Memory almost full, de Paul McCartney3. Memory almost full, de Paul McCartney. Hear Music. 2007. www.hearmusic.com/#NOW_PLAYING.

Todos nós temos o direito, e a necessidade, de lutar com o passado e seus secularismos, que também resistem a qualquer presente, numa essencial atemporalidade. Memória quase cheia, é assim que Paul McCartney se posiciona no conflito dos 65 anos de existência com a insustentável leveza do ser globalizado. A idéia que permeia o CD seria insuportável, se Paul (nas comemorações dos 40 anos de Sgt. Pepper’s), não a tivesse diluído na estética jovial do rock, onde dançam as memórias e emoções. Quanto à autenticidade das poucas baladas… Aqui o rock continua sendo a marca dos velhos de hoje e dos jovens de ontem, e vice-versas. Se a frase é confusa, aclaro dizendo que "Não viva no passado/Não se apegue a coisas que estão mudando rapidamente", cantado pelo ex-beatle, em jargão psiquiátrico é no mínimo mensagem de duplo vínculo. O velho contemporâneo, bem jovem, relativiza a juventude de ontem, tão velha (e contrários cabíveis). Adotando estilo sábio, Paul enfrenta as querelas pessoais, universalizando, aprofundando o chaos, e se mantendo na crista da onda. O resto é muita sensibilidade e imaginação, música e poesia em alta voltagem, originais o bastante para que poucos se queixem disso no fluxo da dança. Ácida crítica nas equações da bruxaria. Rock Around The Clock!!! Quem jovens? Quem velhos? Férteis são todas as horas.

[Mário Montaut]

 

Só nós, de Paula Toller4. Só nós, de Paula Toller. Warner Music Brasil. 2007. www.warnermusic.com.br.

Paula Toller é conhecida por ser vocalista de uma das grandes bandas nacionais surgidas nos anos 80, o Kid Abelha. Com as férias do trio formado por ela e pelos músicos George Israel e Bruno Fortunato, Paula começou a trabalhar em um disco solo. “Só Nós” é o segundo trabalho da cantora sem os companheiros do Kid Abelha.

Em 1998 ela lançou seu primeiro disco solo basicamente de regravações com apenas duas músicas próprias. O primeiro disco foi um retrato de sua memória afetiva, pois trazia canções que ela ouvia desde criança, coisas do rádio e outras que seu avô costumava tocar. Agora com “Só Nós”, Paula mostra todo seu potencial de compositora.

Para este álbum, ela contou com velhos amigos como Dado Villa-Lobos e Fausto Fawcett, e novos parceiros como Jesse Harris - compositor de “Don’t Know Why”, sucesso na voz de Norah Jones – e Kevin Johansen. O contato com esses parceiros estrangeiros se deu principalmente através da internet. Segundo Paula, o processo de composição com cada um deles é muito diferente. “É como sexo, não tem dois iguais”, brincou a cantora.

Boa parte do disco começou a ser composto durante a última turnê do Kid Abelha. Toller se dividia entre as apresentações da banda e as novas músicas. “Eu compunha nos dias da semana e saía em shows aos finais de semana. Só precisei ser um pouco mais esquizofrênica, tinha que ter duas personalidades”.

Um assunto polêmico abordado por Paula foi em relação à troca e cópia de músicas pela internet. “Eu estou do lado da música, eu vivo disso. Não é justo baixar música de graça para comercializar”, declarou. “A pirataria física, aquele que copia CD e vende, esse é bandido mesmo”. Mas em relação às pessoas que baixam músicas de sites de compartilhamento apenas para uso pessoal, Paula acredita que não há problemas. “Eu não baixo músicas, mas meu filho baixa. Eu não reprimo. É como a gente fazia antigamente com fita cassete”.

Entre as músicas de destaque do álbum está “Barcelona 16”, que a cantora escreveu para seu filho Gabriel. No primeiro disco de Paula Toller havia outra canção dedicada para ele, “Oito Anos”, que recentemente virou sucesso na voz de Adriana Calcanhoto. “Chorei quando compus ‘Barcelona 16’. Mostrei para o meu filho ele não falou nada, mas eu já chorei muito”.

Paula está fazendo alguns pequenos shows de pré-lançamento de “Só Nós”, mas uma turnê por várias cidades deve começar em agosto. O primeiro show agendado será em Porto Alegre.
Sobre o Kid Abelha, a vocalista disse que no final do ano o trio deve se reunir e iniciar os trabalhos para um novo disco.

[Eduardo Guimarães]

 

Dez anos depois, de Renato Anesi5. Dez anos depois, de Renato Anesi. Selo Pôr do Som. Brasil. 2007. www.pordosom.com.br.

O multiinstrumentista Renato Anesi está de volta com Dez Anos Depois. O CD foi todo gravado ao vivo captando uma atmosfera real de ensaio. Renato faz parte de uma nova geração de músicos brasileiros que reverenciam a tradição, mais com os olhos para o futuro. Assim não se prendem a estilos específicos navegando pela múltiplas e maravilhosas vertentes da música brasileira. Destaque também para os músicos que o acompanham em Dez Anos Depois: Zeli, Marquinho Mendonça, Adriano Busko, Eduardo Contrera e Pedro Macedo.

Renato Anesi destaca-se tanto como compositor quanto como multi-instrumentista. É um conhecedor de instrumentos de corda como bandolim, viola caipira, cavaquinho, violão-tenor e violão. Nascido no Rio de Janeiro foi criado em Vila Isabel, reduto do samba onde vivia Noel Rosa. Cresceu tocando choros e sambas de Noel, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, entre outros. É de uma geração rock e jazz, mas também herdeiro de toda tradição da música instrumental brasileira. Construiu um estilo próprio, apresentando uma música universal comprometida com a criatividade, o que pode ser perfeitamente percebido e apreciado neste seu novo trabalho.

 


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