Óscar Domínguez Óscar Domínguez
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revista de cultura # 55
fortaleza, são paulo - janeiro/fevereiro de 2007

Óscar Domínguez

editorial

Nada a acrescentar

Com esta edição # 55, Agulha, revista criada em dezembro de 1999, alcança seu sétimo ano de existência.

Nesse período, publicou, graças ao elenco de colaboradores motivados pela empatia com seus propósitos, cerca de 700 ensaios, artigos e entrevistas tratando de literatura, artes e temas correlatos. Sempre expôs artistas plásticos convidados em suas páginas. Veiculou um número considerável de resenhas de livros, mais recentemente de CDs, além de uma sessão de entrevistas com responsáveis por outras publicações similares, impressas e de circulação virtual. Estabeleceu sólida cooperação com alguns desses sítios - especialmente o pioneiro Jornal de Poesia - que lhe dá sustentação editorial -, e a portuguesa TriploV. Além das parcerias editoriais com a Escrituras Editora (Brasil), Ediciones Alforja (México) e Ediciones Andrómeda (Costa Rica).

Bilíngüe, alternando matérias em português e espanhol, consolidou-se como veículo brasileiro, lusófono, hispânico, hispano-americano, contando também com colaboradores regulares de outros países europeus e de outros continentes.

Por isso, Agulha cresceu como fonte de pesquisas e consultas. É, cada vez mais, descoberta por leitores, que, estabelecendo contato, passam a integrar a lista dos seus destinatários. Contribuiu para isso o aprimoramento dos dispositivos de consulta na internet: quem pesquisar sobre uma série de autores e temas através do Google e afins, vai encontrar matérias de Agulha, e também de suas correlatas Jornal de Poesia e TriploV, entre as primeiras opções nas gigantescas séries de páginas disponibilizadas por esses serviços.

Restrita ao meio digital, ao mesmo tempo Agulha ultrapassou esse meio: muito do que aqui foi proposto, do que foi realizado com a colaboração ou participação direta de editores e colaboradores de Agulha - a exemplo de encontros literários internacionais, antologias e publicações coletivas, organização de coleções de livros de poesia, indicações de autores para editoras - corresponde ao que órgãos culturais públicos brasileiros (e também de alguns outros países) deveriam apoiar e patrocinar de modo sistemático, caso efetivamente pretendessem ser levados a sério, mostrando que correspondem a suas finalidades.

Em editoriais anteriores, Agulha reafirmou sua independência política e cultural, e também justificou o vezo seletivo, a preferência por determinados assuntos, especialmente o surrealismo e demais expressões da rebelião romântica: “Há temas que se impõe, exatamente por sua ausência ou pouca presença, por serem menos examinados do que deviam na mídia e não serem curriculares, leitura obrigatória em vestibulares e graduações, ingredientes do receituário acadêmico e/ou jornalístico. Por razões correlatas, penetramos, por diferentes vias de acesso, nas trilhas do oculto, mágico, mítico, gnóstico. (…) A quantidade, nesses doze exemplares, de textos tratando das conexões entre literatura, filosofia e artes, de um lado, e os domínios do mágico, herético e oculto, de outro, pode ser entendida como metáfora. É a procura de uma revelação, no campo da literatura, artes e pensamento, daquilo que tem sido posto à margem por uma doxa positivista.” [Editorial # 12, maio de 2001]

Felizmente, nada a rever, acrescentar ou mudar nesse tipo de tomada de posição.

Em artigos e em vários de seus editoriais, Agulha também criticou, focalizando especialmente o Brasil, o imediatismo e a burocracia, cultural e em outros campos; os conventículos de oportunistas; as baixas políticas literárias; a falta de boas políticas públicas culturais e educacionais, particularmente de estímulo à leitura e difusão do livro; a crise educacional e a conseqüente multidão de analfabetos funcionais. Também protestou, e muito, contra as restrições à circulação de informações na Internet, impostas para mascarar a ausência de providências efetivas contra a ação de criminosos no meio digital. Em nível planetário, observou de modo sistemático as conseqüências da degradação ambiental, que estão aí, à vista de todos, sempre combinadas à imprevidência, aos efeitos da burocracia (estatal ou empresarial, tanto faz: equivalem-se), fazendo com que se estabeleça uma desagradável e indesejada continuidade entre documentários na TV sobre catástrofes ambientais e desastres de engenharia, e o noticiário veiculado a cada dia na mesma TV.

Infelizmente, nada a rever ou mudar, e muito a acrescentar, sempre, a esse tipo de crítica e advertência.

Os editores

Óscar Domínguez

sumário

1 ¿de qué se burla don quijote? josé ángel leyva
2 a graça poética do sagrado: a poesia hierofânica de dora ferreira da silva. alexandre bonafim
3 antonio ramos rosa: nascente submersa. rosa alice branco

4
apontamentos sobre a lisboa palimpsesto de josé cardoso pires. flávia nascimento
5
armando romero y las combinaciones de vidas [entrevista]. floriano martins
6
as traduções goianas de federico garcía lorca. antón corbacho quintela
7
câmara de ecos: o surrealismo na poesia brasileira atual. fábio andrade
8
fernando sosa: ritual  a través del cultivo del fuego. milagro haack
9 heloísa tapajós: legitimação da música brasileira [entrevista]. erico baymma 
10
hieronymus bosch: o pintor, o profeta, o visionário. relance sobre um precursor medieval do surrealismo. joão garção
11
marco lucchesi: a vertiginosa aventura da unidade [entrevista]. floriano martins
12
os prazeres do comparatismo literário, II: octavio paz e a literatura comparada. claudio willer
13
quatro olhares sobre arte. nuno de matos duarte
14
saint-pol-roux: el mago de bretaña. rodolfo alonso
15
sobre cézanne. nicolau saião

artista convidado óscar domínguez [obra múltipla, texto de ]
resenhas livros da agulha
álvaro alves de faria [por manuel ferro] armando silva carvalho eugenio castro fernando guimarães francisco magaña [por aleyda quevedo rojas] herberto helder [por mário montaut] isabel meyrelles joão barrento josé inácio vieira de melo [por carlos andrés almeyda gómez] lúcia bettencourt lucía estrada [por aleyda quevedo rojas] manuel rico maria lúcia dal farra [por teresa cabanas] nicolás alberte [por jorge salvador jurado] nicolau saião roberto piva [por bruno piffardini da rocha brito] rodolfo alonso [por juan gelman] valdir rocha [por alberto beuttenmüller]

música discos da agulha putumayo world music bob cupini elis regina [por erico baymma] dianne reeves [por erico baymma] tom waits
poesia
banda hispânica
cumplicidade 1 galeria de revistas  
cumplicidade 2
galeria de manifestos  
cumplicidade 3
galeria de arte

Óscar Domínguez

expediente

editores
floriano martins & claudio willer

projeto gráfico & logomarca
floriano martins

jornalista responsável
soares feitosa
jornalista - drt/ce, reg nº 364, 15.05.1964

correspondentes
alfonso peña (costa rica)
belkys arredondo
(venezuela)
eduardo mosches
(méxico)
edwin madrid
(equador)
franklin fernández
(venezuela)
gary daher canedo
(bolívia)
jorge dávila vázquez
(equador)
jo
sé ángel leyva (méxico)
leo lobos (chile)
margaret randall (estados unidos)
maria estela guedes
(portugal)
nicolau saião (portugal)
richard-laurent barnett (estados unidos)
susana giraudo (argentina)

 

artista plástico convidado (pintura)
óscar domínguez

apoio cultural
jornal de poesia

traduções
éclair antonio almeida filho [inglês, francês
ð português]
marta spagnuolo [português ð espanhol]
floriano martins [espanhol
ð português]

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