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editorial
Nada a acrescentar
Com esta edição # 55,
Agulha, revista criada em dezembro de 1999, alcança seu sétimo
ano de existência.
Nesse período, publicou, graças ao elenco de colaboradores
motivados pela empatia com seus propósitos, cerca de 700 ensaios,
artigos e entrevistas tratando de literatura, artes e temas correlatos.
Sempre expôs artistas plásticos convidados em suas páginas. Veiculou um
número considerável de resenhas de livros, mais recentemente de CDs,
além de uma sessão de entrevistas com responsáveis por outras
publicações similares, impressas e de circulação virtual. Estabeleceu
sólida cooperação com alguns desses sítios - especialmente o pioneiro
Jornal de Poesia - que lhe dá
sustentação editorial -, e a portuguesa TriploV.
Além das parcerias editoriais com a Escrituras
Editora (Brasil), Ediciones Alforja
(México) e Ediciones Andrómeda
(Costa Rica).
Bilíngüe, alternando matérias em português e espanhol,
consolidou-se como veículo brasileiro, lusófono, hispânico,
hispano-americano, contando também com colaboradores regulares de outros
países europeus e de outros continentes.
Por isso, Agulha cresceu como fonte de pesquisas e
consultas. É, cada vez mais, descoberta por leitores, que, estabelecendo
contato, passam a integrar a lista dos seus destinatários. Contribuiu
para isso o aprimoramento dos dispositivos de consulta na internet: quem
pesquisar sobre uma série de autores e temas através do Google e
afins, vai encontrar matérias de Agulha, e também de suas
correlatas Jornal de Poesia e
TriploV, entre as primeiras opções
nas gigantescas séries de páginas disponibilizadas por esses serviços.
Restrita ao meio digital, ao mesmo tempo Agulha
ultrapassou esse meio: muito do que aqui foi proposto, do que foi
realizado com a colaboração ou participação direta de editores e
colaboradores de Agulha - a exemplo de encontros literários
internacionais, antologias e publicações coletivas, organização de
coleções de livros de poesia, indicações de autores para editoras -
corresponde ao que órgãos culturais públicos brasileiros (e também de
alguns outros países) deveriam apoiar e patrocinar de modo sistemático,
caso efetivamente pretendessem ser levados a sério, mostrando que
correspondem a suas finalidades.
Em editoriais anteriores, Agulha reafirmou sua
independência política e cultural, e também justificou o vezo seletivo,
a preferência por determinados assuntos, especialmente o surrealismo e
demais expressões da rebelião romântica: “Há temas que se impõe,
exatamente por sua ausência ou pouca presença, por serem menos
examinados do que deviam na mídia e não serem curriculares, leitura
obrigatória em vestibulares e graduações, ingredientes do receituário
acadêmico e/ou jornalístico. Por razões correlatas, penetramos, por
diferentes vias de acesso, nas trilhas do oculto, mágico, mítico,
gnóstico. (…) A quantidade, nesses doze exemplares, de textos tratando
das conexões entre literatura, filosofia e artes, de um lado, e os
domínios do mágico, herético e oculto, de outro, pode ser entendida como
metáfora. É a procura de uma revelação, no campo da literatura, artes e
pensamento, daquilo que tem sido posto à margem por uma doxa
positivista.” [Editorial
# 12, maio de 2001]
Felizmente, nada a rever, acrescentar ou mudar nesse tipo
de tomada de posição.
Em artigos e em vários de seus editoriais, Agulha
também criticou, focalizando especialmente o Brasil, o imediatismo e a
burocracia, cultural e em outros campos; os conventículos de
oportunistas; as baixas políticas literárias; a falta de boas políticas
públicas culturais e educacionais, particularmente de estímulo à leitura
e difusão do livro; a crise educacional e a conseqüente multidão de
analfabetos funcionais. Também protestou, e muito, contra as restrições
à circulação de informações na Internet, impostas para mascarar a
ausência de providências efetivas contra a ação de criminosos no meio
digital. Em nível planetário, observou de modo sistemático as
conseqüências da degradação ambiental, que estão aí, à vista de todos,
sempre combinadas à imprevidência, aos efeitos da burocracia (estatal ou
empresarial, tanto faz: equivalem-se), fazendo com que se estabeleça uma
desagradável e indesejada continuidade entre documentários na TV sobre
catástrofes ambientais e desastres de engenharia, e o noticiário
veiculado a cada dia na mesma TV.
Infelizmente, nada a rever ou mudar, e muito a acrescentar, sempre, a
esse tipo de crítica e advertência.
Os editores |