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revista
de cultura # 45 |
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Antonio Ramos Rosa: obra ao verde Maria Estela Guedes
Nascido
em Faro, em 1924, António Ramos Rosa é um dos mais acarinhados poetas
portugueses contemporâneos, e com toda a justiça. Faz parte de uma
constelação de grandes visionários da palavra que nos têm dado a nós,
portugueses, e também a povos de outras línguas, alguns dos mais
importantes exemplos da excelência e beleza da nossa lírica - Natália
Correia, Mário Cesariny de Vasconcelos, Eugénio de Andrade, Herberto
Helder, para citar alguns. Foi
em Faro que António Ramos Rosa publicou o primeiro livro de poemas, “O
grito claro”, em 1958. Aí foram editadas as revistas Árvore
(1951-53), Cassiopeia (1955) e Cadernos do Meio-Dia
(1958), que dirigiu, até as publicações terem sido interrompidas pela
censura. Nessa fase importante, criou amizade e companheirismo com outro
grande poeta, Casimiro de Brito, que ainda dura. É importante esta fase
inicial porque António Ramos Rosa, com as revistas, estava a criar
dispositivos de autonomia literária e independência do sistema. Uma
revista que nos pertence é diferente daquela de cuja direcção e aceitação
do nosso trabalho estamos dependentes. As revistas não duraram muito
tempo, mas o facto de a censura ter aparecido em cena prova que a independência
de espírito dos autores dava os seus frutos e que a sua presença se
fazia sentir de várias maneiras, e não apenas no espaço literário. A
obra de António Ramos Rosa é muito vasta e variada, dentro e fora da
literatura e do país. Dentro e fora da literatura, porque também se
dedica às artes visuais, não só como ilustrador, mas expondo em
galerias de arte. Dentro e fora de Portugal, porque está traduzido em vários
países, sobretudo de língua francesa e castelhana. Uma
consulta rápida na Biblioteca Nacional permite verificar que António
Ramos Rosa figura como autor em mais de duas centenas de títulos, e como
título numas dezenas de registos de livro. Além de serem já muitos os
volumes de poesia publicados, vários são duplos, como o mais recente,
“Génese”, que inaugura uma nova colecção de poesia, dirigida por
Casimiro de Brito (1). Realmente são dois livros num único registo: “Génese
seguido de Constelações”, número um da colecção Sopro, na Roma
Editora. Já não é viável aproveitar ocasiões como esta, em que
homenageamos o autor, para apresentar um estudo que contemple ao menos
parte significativa dos seus livros, porque são muitos. Quanto
a registos com o nome de António Ramos Rosa em título, trata-se
naturalmente de livros sobre a sua obra: teses de mestrado, antologias,
retratos de jornalistas e ensaios literários. Entre os ensaios, saliento
“António Ramos Rosa ou o diálogo com o universo”, de João Rui de
Sousa (2), e “Mediação crítica e criação poética em António Ramos
Rosa”, de Ana Paula Coutinho Mendes (3). Esta autora também assina a
“Antologia portátil de António Ramos Rosa”, que abrange textos desde
o primeiro livro, “O grito claro”, de 1958, até “Choque e pavor”,
de 2003 (4). Já que falo de antologias, é preciso lembrar Casimiro de
Brito, íntimo leitor do poeta, seu amigo de muitos anos, que assinou um
livro de ensaios poéticos sobre a sua obra, “Vagabundagem na poesia de
António Ramos Rosa seguido de uma Antologia (5). O
reconhecimento dos leitores pela obra do poeta manifesta-se, além das
entrevistas e do muito ensaísmo sobre os seus livros, dado à estampa em
jornais e revistas, e agora também na Internet, nos mais importantes prémios
que em Portugal se atribuem aos intelectuais. Entre outros, António Ramos
Rosa já recebeu o Prémio Pessoa, o do Pen Clube, e o Grande Prémio de
Poesia. O Grande Prémio de Poesia, da Associação Portuguesa de
Escritores, foi-lhe atribuído em 1988 ou em 1989, pertencia eu então aos
corpos directivos. Fiz parte do júri que o elegeu. E como o discurso se
tornou agora tão pessoal, informo a audiência, e em especial António
Ramos Rosa, que entre os sítios no ciberespaço onde se editam poemas
seus e ensaios sobre a sua obra, se conta o TriploV (http://triplov.com),
que dirijo. António Ramos Rosa tem a sua webpage no TriploV, construída
com a colaboração dos poetas Rui Mendes e António Cardoso Pinto. Homenagens
também já várias foram prestadas a António Ramos Rosa, esta que hoje
lhe fazemos na II Bienal de Poesia não é a primeira nem será a última.
Como estamos no Algarve, recordo a que lhe fez Faro, sua terra natal, em
1999, com um festival de poesia de que resultou a obra colectiva
“Encontros de Outono”(6). Passemos
agora ao que tem motivado o reconhecimento do público, a obra de António
Ramos Rosa. Entre os cerca de duzentos títulos em que o seu nome figura
como autor, a maior parte são os livros de poesia. Mas o poeta é também
tradutor, ensaísta, crítico de literatura e de artes visuais, por isso
recordo os seus ensaios: “A Poesia moderna e a interrogação do real”
(7), “Poesia, liberdade livre” (8), “Incisões oblíquas” (9) e
“A parede azul: estudos sobre poesia e artes plásticas” (10). Para
terminar esta nota introdutória, refiram-se as muitas traduções que
desde sempre Ramos Rosa tem assinado, invariavelmente de autores muito
marcantes da literatura mundial: Paul Éluard, Marguerite Yourcenar,
Michel Foucault, André Gide, Brecht, Teilhard de Chardin, Albert Camus e
tantos outros.
António
Ramos Rosa, como outros poetas que começaram a publicar antes do 25 de
Abril, manifesta na sua poesia linhas temáticas que, apesar do regime de
censura, são politicamente muito claras. Esses temas dizem respeito, como
não podia deixar de ser, e tendo ele a experiência da tesoura, à falta
de liberdade, e por isso à prisão da vida mesquinha de todos os funcionários
cansados, sob a ditadura de Salazar. É ao desejo de liberdade que se
aspira quando nos poemas aparecem gaiolas, prisões e pássaros, como
acontece precisamente no conhecido Poema dum funcionário cansado,
que remata com “palavras soterradas na prisão” da vida (11). Essa
reclamação aparece com grande veemência no redundante título da colectânea
de ensaios, “Poesia, liberdade livre”. Parece
que no meio das muitas correspondências poéticas, a poesia é o mesmo
que liberdade. Mas se a liberdade da poesia é uma liberdade livre, quer
dizer que fora dela o não é. Admitindo-se assim que há uma liberdade
que não é livre, verificamos que entre os termos “liberdade” e
“livre” não existe total correspondência. Ou então só existe na
poesia. A
falta de liberdade não se limita à prisão do corpo, e por isso o poeta
não a perde como linha de força em mudanças de regime político, nem
nos confins dos primeiros poemas. É um tema permanente, ontológico, ele
atravessa toda a obra, unindo linguagem e ser numa só natureza ou estado
de correspondência. Declara António Ramos Rosa, numa entrevista: “A
minha poesia é cognitiva e metapoética. Se a metafísica é uma forma de
conhecimento do universo, das coisas, da linguagem, então sim, tenho essa
inquietação. Os meus textos não se reduzem a um âmbito circunstancial.
Mas quando escrevo um poema, o tema que se me impõe imediatamente é o da
palavra, da linguagem. Desde sempre.” (12). A
liberdade que o poeta reclama para a palavra ultrapassa a liberdade de
expressão, porque o ser e a palavra não se distinguem na sua perspectiva
ontológica: o poeta escreve sol (13) da mesma maneira que as árvores
falam, isto é, o poeta cria mundo com as palavras. Dos diversos mundos ou
diversas categorias de realidade, entre elas a criada pela linguagem,
ocupou-se Karl Popper. Há de facto uma dimensão cognitiva na poesia de
António Ramos Rosa, que decorre da perspectiva filosófica com que vê a
comunicação, e não só humana, pois também admite os códigos da
Natureza. Porque
a Natureza fala, o poeta escreve: “Conheço as palavras das árvores”
(14). O homem é um ser de linguagem, todo o seu afecto, saber e história
residem nela. Por isso, ao interrogar a palavra, é o mundo e a vida que
questiona. E também por isso a liberdade reclamada para a palavra é a
liberdade de ser, e não apenas a de ser proferida ou impressa. Porque o
universo é sentido como linguagem, a poesia tem nele um referente e um
interlocutor, e ao poeta, o primeiro tema que se lhe impõe é o da
palavra. É assim que se estabelece, entre a Natureza e a palavra, e entre
a linguagem e o homem, a maior de todas as correspondências. Mas
deixemos a porta aberta, neste domínio das correspondências, em que
verde é a letra “u”, como escreve Rimbaud, a transmutações mais fáceis
do que as alquímicas: quando num poema falamos desse assunto, nós, que
escrevemos em português, temos também em mente e no plano de significação
imediata dos termos, a correspondência amorosa, o estabelecimento de elos
afectivos entre leitor e autor. O poeta assinou um pacto consigo mesmo e
com o público, tem um compromisso ao qual sente que deve responder. E a
liberdade faz parte dessa relação de intersubjectividade, em que de um
lado existe uma expectativa e do outro o desejo de correspondência. Eis o
que lemos em “Génese” (1), o mais recente livro de António Ramos
Rosa, no qual não havia razão para estar presente o tema da liberdade,
se essa liberdade fosse apenas aquela que nos garante a democracia: Escrever
é procurar corresponder Vivemos
num mundo prático, utilitário, economicista. O nosso cérebro, mesmo
poeta, só se satisfaz com argumentos contabilizáveis. Por isso, ainda o
poeta vivia no Algarve, fez contas à vida, interrogou-se sobre o sentido
da sua e do que escrevia. Olhando para o resultado das contas, tomou a
decisão que lhe pareceu mais justa. Sabemos qual foi a opção de António
Ramos Rosa: a liberdade do franciscanismo poético. Não uso sem critério
a imagem de S. Francisco: na Natureza dos poemas não faltam pássaros com
os quais o poeta comunica. E apesar de não transparecer na obra nenhum
tema católico, a verdade é que esvoaçam anjos nela. Por muito que sejam
Anjos de terra (15), e o poeta esclareça que os anjos que
conhece são de erva e de silêncio (16), anjos são anjos, e vivem
na cor da esperança. Sem
emprego, sem cargos públicos, a vida, dedicada apenas à arte, só podia
oferecer-lhe dificuldades materiais. No entanto, essa marginalidade
franciscana não impediu Ramos Rosa de ter voz activa nas convulsões políticas
e sociais em geral, e em particular nas anteriores à revolução
portuguesa do 25 de Abril. Pertenceu ao MUD juvenil, embora nunca tivesse
militado em nenhum partido político. Por ter ido receber Maria Lamas a
Portimão, com outros intelectuais, foi preso pela PIDE, a Polícia política
de então (17). Entende-se
assim que o desprendimento por empregos ou cargos públicos, e mesmo a
recusa em receber um prémio do SNI, correspondeu à rejeição de um
sistema político anti-democrático. Se S. Francisco falava às aves e
Santo António aos peixes, é porque com os homens não era possível o diálogo.
Insisto
porém em que o tema da liberdade, embora vinculado a estas experiências
de vida, não está preso a elas - é mais amplo e mais profundo. Eduardo
Pitta considera os ensaios “emblemáticos de uma obra centrada na noção
de liberdade” (18). Essa centralidade constitui uma rede que põe todos
os poemas em comunicação, não apenas próprios como alheios. Tal como a
linguagem, também a liberdade é interpelada quanto ao que de facto é e
quanto aos seus limites. No seu último livro, “Constelações”, a
liberdade é condicional, depende do desaparecimento do sujeito na
brancura, isto é, da anulação do ser na inexistência de cor: Talvez
a condição da liberdade seja esta abolição no branco A
liberdade, em Ramos Rosa, é a possibilidade de sermos o que queremos ser.
Resultado da soma de querer e poder, a liberdade é tão difícil de alcançar
que se projecta no plano da utopia. Nos versos que acabei de citar, a
abolição no branco não é absoluta: ela abre a porta à renovação, e
por conseguinte ao esplendor cromático da vegetação. Esta brancura é o
lugar de onde fala o sujeito poético, o vazio de sentido e de valores que
José Augusto Mourão, em ensaio sobre Ramos Rosa publicado agora pela
primeira vez, no TriploV, diz ser insuportável ao pensamento ocidental
(20). A nossa natureza tem horror ao vazio, por isso lança sementes em
todos os buracos. Se
não podemos dizer que António Ramos Rosa seja um poeta católico, apesar
dos seus anjos, também não poderemos dizer que seja um poeta hermético.
Mas que há na sua poesia uma obra ao verde, bem primaveril, lá isso, há,
como vamos ver.
3.
As palavras são cores A
poesia de António Ramos Rosa deambula entre conceptualismo e pintura.
Certos poemas são muito impressionistas no colorido, e já sabemos que o
poeta também é artista visual e também faz crítica de pintura. Não
admira assim que nos surja uma criação poética estimulada pela percepção
da luz e das cores. Por vezes, à semelhança da pintura moderna, mais
voltada para o efeito plástico dos materiais do que para o que possam
representar, as palavras são cores, pincelando a página de verde, azul,
branco, negro e amarelo, que simultaneamente produzem música: A
praia era de guitarras destruídas, Nos
poemas pictóricos, sobretudo nos que surtem efeito figurativo, percebemos
corpos e objectos em movimento num discurso que se apresenta como
paisagem. Nem todos os elementos da paisagem são naturais, concretos como
os pontos de referência do conhecido que guardamos na memória. Mas eles
tornam-se elementos naturais pelo facto de terem certas cores. A cor é
algo próprio da matéria, ou é algo que a luz faz reagir na matéria. Em
António Ramos Rosa, as cores dominantes são o branco e o verde. Na
brancura há sinal negativo, é quase sempre uma falta que o poeta precisa
de cumular com a palavra, pois a falta está associada à página antes do
Génesis, a génese da escrita, como o último título do poeta deixa
claro: “Génese” tem por tema o nascimento do poema, ser orgânico,
animal, como Aristóteles o definiu, por isso expresso pelo léxico normal
do parto. O poema é um elemento da Natureza, como uma árvore. Daí que
fale dele como gerado num “útero verde” (22). No
extremo oposto da brancura, signo da falta e do vazio, não está o negro.
O negro, tal como o branco, é sinal de ausência de luz, e a luz não é
só um elemento natural, próprio da physis, ela é também um
elemento psíquico e cognitivo: a treva mete medo porque não sabemos o
que se esconde nela, ao passo que a luz acalma ao iluminar objectos de
serenidade. A luz torna visíveis as coisas, por isso as ficamos a
conhecer pelo olhar e pela inteligência. A
equilibrar a balança, pesada de carga negativa com a brancura, fica, em
Ramos Rosa, uma cor positiva, eufórica, cheia de esperança - o verde,
evidentemente. Basta notar que quase sempre o verde surge em situação de
redundância, para nos apercebermos do seu valor genesíaco, o valor de
“útero verde”. Na
poesia rosiana, as coisas mexem, os elementos são dotados de som, forma,
cor e velocidade. Alguns reiteram-se, como ícones que conhecemos noutros
autores e noutras pinturas, caso da mulher que irrompe venusinamente do
seio das águas. Os textos conceptuais tendem para a filosofia, esboçando
ideias e temas. Além da liberdade, do amor, do erotismo, da questa de
felicidade, da génese, etc., aponte-se ainda a adolescência como estado
privilegiado da poesia. Neste último livro, “Génese seguido de
Constelações”, a adolescência associa-se naturalmente à fertilidade,
ela é um estado de alma propício para a criação poética: Como
o abdómen de uma adolescente Ramos
Rosa é um poeta nervoso e inquieto, por isso certamente não
encontraremos poemas puros, nem fóticos nem reflexivos, antes híbridos.
A sua lírica acusa variações e mudanças bruscas de ritmo, não só ao
longo dos anos como ao longo dos poemas de um mesmo livro, e até num só
poema. Para usar um modelo de análise fornecido por Fontanille, numa obra
que trata da semiótica da luz (24), e que propõe três estesias na obra
de cultura, a estesia reflexiva, a estesia transitiva e a estesia recíproca,
podemos considerar que a estesia reflexiva, em Ramos Rosa, diz respeito
aos poemas centrados na relação do sujeito consigo mesmo; a estesia
transitiva, que é a relação entre o sujeito e o mundo, tem um exemplo
transparente em frases como “escrevo árvores”, “escrevo casas”,
em que a transitividade do verbo se desloca dos seus objectos próprios
para algo que pertence de resto à estesia reflexiva, por ser a concepção
da linguagem como organismo, logo como criadora do mundo: o poeta não
escreve poemas sobre a natureza, as palavras são as cores, as casas, por
isso a linguagem cria a Natureza. E finalmente, ensina Jacques Fontanille,
há a estesia recíproca, uma dimensão na arte que cria relações de
intersubjectividade. A intersubjectividade, em Ramos Rosa, passa, como já
referi, pelo desejo de correspondência, de responder ao pacto amoroso com
o leitor; às vezes, mais explicitamente, com a leitora. O
movimento entre o reflexivo, o inventivo e o amoroso pode relacionar-se
com posicionamentos paradigmáticos, próprios de opções de escola ou de
movimento. É admissível que o poeta recuse a transparência, se lhe
parece colada a uma estética fora de moda, mas Ramos Rosa alcançou uma
posição em que essas questões se tornam insignificantes e os conceitos
a que se ligam não passam de preconceitos. Eu diria que as variações se
devem ao desejo de obscuridade, pois há na poesia um lado de enigma e
mistério que convoca a vontade de conhecimento, e também a deslizamentos
do humor. Em geral a revelação e o irrevelável andam de mãos dadas,
acontece um poema começar com uma ideia claramente expressa, que depois
se enigmatiza e transmuta em pintura muito colorida, passando-se assim de
um estilo a outro completamente diverso. Vejamos um poema para exemplo, de
que cito os dois primeiros e os dois últimos versos. Entre eles,
estabelece-se uma polifonia de pinceladas que impedem o que, a
desenvolver-se segundo as expectativas criadas nos versos iniciais, daria
qualquer coisa como um ensaio, e um ensaio certamente sobre a transparência
de cristal das palavras: Talvez
a simplicidade nunca seja atingida
Para
entrarmos de chofre no tema da obra ao verde, dou como exemplo o
“Telegrama sem classificação especial” (26), em que aparece um
sujeito de enunciação plural, o nós, todos os que partilhavam com o
poeta as mesmas contrariedades. Vejamos os primeiros versos: Estamos
nus e gramamos. 5.
Referências (1)
Escrever é procurar corresponder. Em “Génese seguido de
Constelações”. Lisboa, Roma Editora, 2005. |
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Maria Estela Guedes (Portugal, 1947). Escritora, investigadora do Centro Interdisciplinar de Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade de Lisboa. Dirige o TriploV [http://triplov.org]. Autora de livros como Herberto Helder, Poeta Obscuro (1979) e Lápis de Carvão (2005). Conferência proferida na homenagem a António Ramos Rosa na II Bienal de Poesia. Câmara Municipal de Silves, abril de 2005. A fotografia de ARR é de Maria José Palla. Contacto: estela@triplov.com. Página ilustrada com obras de Nicolau Saião (Portugal). |
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