revista de cultura # 44
fortaleza, são paulo - março de 2005






 

Antonio Fernando de Franceschi: o poeta e o divulgador de poesia
(entrevista)

Claudio Willer

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Antonio Fernando de FranceschiA intenção era, inicialmente, focalizar os Cadernos do Instituto Moreira Salles, para a seção dedicada a periódicos literários de Agulha. Ocorre que, como Antonio Fernando de Franceschi é um intelectual ativo e tem uma obra poética substanciosa (isso determina, é claro, a qualidade e o êxito de suas iniciativas à frente de uma instituição cultural), multiplicaram-se os assuntos e acabou-se tendo um número recorde de perguntas para esse tipo de entrevista. Perguntas, todas elas, respondidas com clareza e precisão por nosso entrevistado. [CW]

CW - O poeta é prioritário, vem na frente? O que permanecerá: o que você publicou, de Tarde Revelada e Sal a Fractais e A Olho Nu, suas realizações à frente do Instituto Moreira Salles, ou ambos, e esta é uma falsa questão?

AFF - A meu ver, não é uma falsa questão, porém essas dimensões se sobrepõem. Se não houvesse o poeta, creio que não haveria o administrador cultural ou mesmo o intelectual. Não, pelo menos, se considerarmos o tipo de atuação que procurei imprimir ao Instituto Moreira Salles e às suas realizações. Mas o poeta é a minha personalidade de base e, nesse sentido, é o que vem primeiro. Ainda assim, a vertente “homem de ação” me interessa muito, é um lado “renascentista”, digamos, que procuro cultivar. Agora, se um ou outro permanecerá – sendo que um e outro são o mesmo – isso não sei responder.

CW - Conhecer bem o entrevistado, ser seu amigo, ajuda e ao mesmo tempo complica entrevistas. Na chave da complicação, você poderia resumir aquela bela história do nascimento do Instituto Moreira Salles que já ouvi de viva voz.

AFF - Tudo começou em abril de 1989, quando fui visitar Antonio Candido em Poços de Caldas, em companhia do jornalista Luis Nassif, que é poçoscaldense e vinha fazendo uma série de entrevistas com ele. Candido costumava passar temporadas na residência que sua família mantinha, desde 1930, na cidade sul-mineira onde residira durante a adolescência. Estava visivelmente abatido quando nos revelou que o imóvel tinha sido posto à venda e havia um comprador apalavrado. - Seria possível sustar a venda?, perguntamo-nos ao sair. - E se pudéssemos levantar dinheiro junto a empresários de visão para adquiri-la, e – essa era a idéia de fundo – transformá-la num centro de estudos dedicado à obra do grande crítico?

Voltamos a São Paulo animados pelo projeto. Várias pessoas consultadas dispuseram-se a ajudar, porém não conseguimos dissuadir o comprador de abrir mão do negócio. Com o recato de sempre, humilíssimo, o próprio Antonio Candido ligou-me, na semana seguinte, para dizer que agradecia muito, contudo a homenagem lhe parecia demasiada.

Meses depois retornei a Poços de Caldas a convite do Embaixador Walther Moreira Salles, onde ele receberia o título de cidadão honorário da cidade. Apesar de ter passado a adolescência em Poços de Caldas, como seu amigo Antonio Candido, o Embaixador era natural de Pouso Alegre, também no sul de Minas. Quando o avião que nos levava estava taxiando no aeroporto – que, aliás, hoje leva seu nome –, lembrei-me de contar o que havia acontecido. Afundado na poltrona, sem pressa de desembarcar, ouviu com atenção e, ao final, comentou:

  Que boa idéia. Pena não ter dado certo. Por que não aproveitamos o tempo que nos resta antes do almoço? Vamos procurar um bom lugar para instalar um centro cultural na cidade.

Em outubro do mesmo ano adquirimos o Chalé Christiano Osório, uma construção de 1896 de grande importância para o patrimônio arquitetônico de Poços de Caldas, que foi inteiramente restaurada. Ao lado dela, implantamos um moderno centro expositivo, unindo harmonicamente o antigo com o novo.

Assim nasceu o primeiro centro cultural do Instituto Moreira Salles, em cujo Conselho de Consultivo temos orgulho de contar, desde o início, com a presença do professor Antonio Candido.

CW - O Instituto Moreira Salles não consiste apenas em publicações literárias e em apresentações de escritores. É preciso contextualizar, dizer algo sobre o restante. Contextualize.

AFF - De fato, além da literatura, o IMS tem outros quatro campos prioritários de atuação: a fotografia, a música brasileira de raiz, as artes plásticas e o cinema. Nos três primeiros, a instituição dedica-se não apenas à pesquisa e à divulgação cultural, como também à manutenção de acervos e coleções.

Apenas para exemplificar, o IMS possui o maior e o mais importante acervo de fotografias brasileiras do período que vai de meados do século XIX a meados do século XX, contando com mais de 350 mil imagens em suas diversas coleções.

A instituição é detentora, ainda, de uma importante pinacoteca e de alguns dos principais conjuntos iconográficos sobre o Brasil do século XIX. Na área de música popular brasileira, temos o maior número de fonogramas digitalizados existente no país, que deverá atingir a casa dos 100 mil exemplares até o final deste ano, quando poderão ser baixados para audição em nosso site na Internet. (www.ims.com.br). Atualmente, estão disponíveis para audição cerca de 28 mil músicas. Encontram-se, também, sob nossa guarda os acervos de Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Elizeth Cardoso, entre outros compositores e intérpretes, bem como o extraordinário acervo do crítico musical José Ramos Tinhorão. 

Leonel MacielEntre os arquivos e bibliotecas pessoais de escritores, críticos, historiadores e intelectuais temos nomes como  Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Otto Lara Resende, Francisco Iglesias, Décio de Almeida Prado, Jurandir Ferreira, Roberto Ventura, Ana Cristina César e Walther Moreira Salles.

Quanto a instalações, o Instituto possui quatro centros culturais – em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Poços de Caldas – três galerias de arte – em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba –, duas Reservas Técnicas – ambas no Rio de Janeiro – uma para fotografias, outra para música, além de administrar as 48 salas de cinema da rede Espaço Unibanco de Cinema/Unibanco Arteplex.

CW - Os Cadernos do Instituto Moreira Salles são um registro único da literatura brasileira, parece-me. Ou não, ou há iniciativas semelhantes, às quais poderiam ser comparados?

AFF - No Brasil, não conheço nada muito parecido entre as publicações periódicas contemporâneas. Talvez seja a forma como os Cadernos articulam suas posturas editoriais – o caráter monográfico, a preocupação didática, a abrangência e diversidade do enfoque, o rigor na pesquisa, a importância conferida à fotografia no conjunto das seções – o que os tornam singulares em nosso país.

Já no exterior há publicações da mesma linhagem, como Les Cahiers de l´Herne, por exemplo.

CW - Qual é o critério de escolha de autores para publicá-los nos Cadernos? Certamente você já ouviu ou teve conhecimento de observações sobre um suposto conservadorismo dos Cadernos, de só publicarem nomes consagrados, ou já reconhecidos. Sei que você tem resposta a essa observação. Vocalize-a, ou, antes, escreva-a.

AFF - O critério fundamental para a escolha é a qualidade, ou seja, o valor da obra literária. Mesmo quando a recepção – da crítica, do público ou de ambos – manifeste posições discrepantes de nossas avaliações, o que prevalece é a questão do mérito literário. E aqui, claro, entra um componente subjetivo que é a opinião dos editores. Mas isso não é tudo. Para evitar o erro, sempre possível, lançamos mão de outros critérios capazes de temperar nossas escolhas com alguns elementos de certeza. São aspectos objetivos como a densidade (mais que a quantidade) do corpus da obra, a fortuna crítica de certa extensão, a maturidade do processo criativo e a função desempenhada pela produção do autor. 

No prefácio da primeira edição do clássico Formação da Literatura Brasileira, Antonio Candido refere-se à dificuldade de equilibrar o valor e a função das obras “sem valorizar indevidamente autores desprovidos de eficácia estética, nem menosprezar os que desempenharam papel apreciável, mesmo quando esteticamente secundários”.

Quanto ao suposto conservadorismo de nossas escolhas, acho que algumas edições falam por si. Pense no caso do Raduan Nassar, que foi o segundo escritor focalizado pela série, logo depois do canônico João Cabral de Melo Neto. Ninguém, de boa fé, poderá deixar de reconhecer que o extraordinário aumento do interesse pela obra de Raduan teve nos Cadernos o seu divisor de águas. O mesmo se pode dizer da Hilda Hilst, que sequer tinha editora regular quando lhe dedicamos um de nossos números em 1999. Felizmente isso aconteceu pouco depois, quando a Editora Globo adquiriu os direitos de sua obra.

Ainda: pode ser conservadora uma série que, com exceção de três escritores -  Euclides da Cunha, Erico Veríssimo e Clarice Lispector – dedicou seus demais números a autores vivos (quando das respectivas edições), dispondo-se a correr o risco de analisar uma obra em progresso, sem o conforto da estabilidade conferida pelo distanciamento no tempo?

Convenhamos, isso não é muito freqüente no Brasil.

CW - Você observou já uma função pedagógica dos Cadernos (se é que não estou me sobrepondo à resposta à pergunta anterior), algo como um aproveitamento em pesquisas e estudos, assim ampliando o conhecimento sobre nossa literatura? Bibliotecas, públicas, privadas, escolares, universitárias, estão em sua clientela ou seus beneficiários?

AFF - Os Cadernos têm sido, realmente, muito requisitados como material didático. É crescente o número de pesquisadores, professores e alunos que os utilizam como fonte e referência para  trabalhos, dissertações e pesquisas no âmbito de escolas e universidades, não apenas no Brasil como no exterior. Para tanto, mantemos uma nutrida lista de distribuição gratuita de exemplares para bibliotecas públicas, instituições de pesquisa, universidades, escolas, etc., no limite de nossa capacidade. Vale frisar que o preço de venda da publicação é altamente subsidiado. Tanto assim que a coleção foi adotada, em março de 2003, pela Secretaria de Estado da Educação do Governo de São Paulo para distribuição à sua rede de escolas no âmbito do Programa de Melhoria e Expansão do Ensino Médio, em parceria com o MEC.

Resumindo, devo dizer que o reconhecimento da importância dos Cadernos como instrumento de difusão do conhecimento da literatura brasileira contemporânea é uma das mais gratas retribuições proporcionadas pela publicação a seus editores e à direção do IMS.

CW - Uma coisa bonita que observei é como o autor publicado ganha destaque – por  exemplo, aquela bela sessão de lançamento da edição dos cadernos sobre o Loyola, Ignácio de Loyola Brandão, lotando o amplo saguão dos cines Unibanco-Arteplex. É observável, e de algum modo mensurável esse desempenho dos Cadernos em favor do prestígio do autor?

AFF - No geral, nosso objetivo é divulgar e incentivar o interesse pela boa literatura brasileira. Isso implica, no específico, trabalhar em favor do prestígio de nossos melhores autores. Há pouco me referi a alguns escritores que tiveram o âmbito de sua recepção substancialmente ampliado por terem figurado nos Cadernos. Agora você menciona o sucesso do lançamento da edição dedicada a Ignácio de Loyola Brandão, que reuniu cerca de mil pessoas no saguão dos Cines Unibanco Arteplex, em São Paulo. O mesmo poderia ser dito com relação aos outros autores, com variações individuais, naturalmente. Basta lembrar que já foram impressos mais de 167 mil exemplares da série, o que corresponde a uma tiragem média, por escritor, superior a 10 mil exemplares.

CW - Editar Cadernos e programar atividades com escritores – evidentemente, com seus colaboradores, Rinaldo Gama e outros – contribuiu de alguma forma ou acrescentou algo à sua visão da literatura, à sua compreensão da literatura contemporânea brasileira?

AFF - Sem dúvida, há coisas que aprendemos somente quando pomos a mão na massa.

Leonel MacielPesquisar, estudar e editar sistematicamente autores brasileiros contemporâneos por quase uma década faz com que você entenda melhor a dinâmica da nossa literatura. Vale dizer, seu vigor, sua diversidade e, quando recortada pelo alto, sua indiscutível qualidade mesmo quando comparada ao que se produz no exterior. Por isso, é inexplicável a escassa presença de nossa literatura mundo afora. E, pior, seu relativo desconhecimento pelo leitor brasileiro.

A coleção Bibliothèque de la Plêiade, editada pela Gallimard, como você sabe, constitui um dos mais importantes repertórios de autores canônicos da literatura universal. Não há nela um único escritor brasileiro, nem Machado de Assis. O que isso significa? Que o Estado não tem políticas públicas destinadas a valorizar nossa cultura nem dentro nem fora do país.

CW - Um fenômeno dos nossos dias é o crescimento da circulação e difusão da literatura pela Internet. Você teria comentários a respeito? Há planos e ações do Instituto Moreira Salles visando ao meio eletrônico?

AFF - A Internet veio revolucionar tudo na área da difusão de conteúdos. Foi uma espécie de Lei Áurea para os escritores, especialmente os jovens que não têm acesso ao mercado editorial. Tornou-se indispensável tanto para quem quer se fazer conhecido quanto para quem quer conhecer. Sem falar nas revistas eletrônicas, como esta afiadíssima Agulha, muito mais ágeis, atentas e permeáveis que suas congêneres impressas.

Atualmente, a Rádio IMS, nossa emissora digital (www.ims.com.br) , dedica o programa  Momento do Poeta, do qual você já participou, a leituras de poemas inéditos da produção contemporânea. Também podem ser acessados em nosso site os catálogos das bibliotecas de Otto Lara Resende, Décio de Almeida Prado e Jurandir Ferreira para pesquisas e consultas. Além disso, temos planos para ampliar nossa presença digital na área literária com outros programas em fase de desenvolvimento.

CW - Isto já foi examinado antes, inclusive na recente entrevista em Rascunho: a questão da projeção pessoal de administradores culturais. Alguns ascendem, até, em alguns casos, com merecimento, à condição de socialaites culturais, figurantes na crônica especializada. Mas nem todos são inocentes de alpinismo social, paroquialismo e provincianismo. Já no Instituto Moreira Salles a política parece ser outra, direcionando o foco para as realizações, e não para o realizador. Eventos, iniciativas e lançamentos têm repercussão, são noticiados. Mas você quase não aparece, dá a impressão de evitar aparecer e projetar-se pessoalmente. É isso?

AFF - É isso mesmo, eu prefiro o low profile.

CW - Por vezes têm sido examinados aqui, em Agulha, assuntos como mercado editorial e políticas públicas para o livro e literatura. Temos batido forte em sua precariedade, especialmente do que seriam ou poderia ser políticas de intercâmbio, de difusão externa. Agora mesmo, estamos fazendo as merecidas observações sobre a ausência da literatura em Paris 2005. Você teria comentários sobre algum desses temas? Além de críticas, apresentaria sugestões, propostas?

AFF - Como já disse, acho que faltam políticas públicas para a área de literatura, em particular, e para a cultura brasileira, em geral. É preciso haver uma política cultural digna deste nome.  Isso não se faz de improviso, ao sabor de um evento, como costuma acontecer em nosso país. A ausência da literatura em 2005, Ano do Brasil na França, é mais uma oportunidade perdida.

Uma sugestão?  Nada de chorar na beira do abismo; vamos transformar essa demanda numa bandeira permanente, envolvendo todos os setores da sociedade, já que – nunca é demais lembrar – uma política cultural à altura das necessidades do país não é só uma responsabilidade do Estado. 

CW - Conheço o Antonio Fernando De Franceschi administrador cultural; e o Antonio Fernando De Franceschi poeta. E, também, talvez subjacente a eles, um Antonio Fernando De Franceschi filósofo, ou, ao menos, estudioso de filosofia. Ele vai aparecer? Há algo em vista, algum plano de produção especulativa?

AFF - Continuo muito interessado por filosofia, como você sabe, mas não tenho planos nem competência para me aventurar em produções especulativas.

CW - Difícil situá-lo em tendências ou movimentos da poesia contemporânea brasileira (se é que importa e não acaba sendo redutor). Mas se alguém – eu, por exemplo – o chamar de poeta-filósofo, ou de poeta filosófico, qual seria sua reação? Observaria que essa classificação o coloca junto a ótimas companhias?

AFF - Sem dúvida, eu estaria em ótimas companhias, não poderia me queixar.

A aproximação poeta-filósofo pode ser redutiva, como você assinala, mas se justifica caso consideremos a atitude de ambos em relação às palavras. Poetas e filósofos sonham recuperar o sentido augural das palavras, quando elas tinham o poder de, nomeando-as, iluminar todas as coisas. Era assim no tempo de Anaximandro e Heráclito. Depois elas foram perdendo esse poder, tornaram-se clássicas, barrocas, modernas, por fim se banalizaram. Por isso, poeta ou filósofo, hoje é difícil ser. Embora, de ambos, todo mundo tenha um pouco.

Leonel MacielCW - Apuro na criação, reflexão, ostinato rigore, OK – mas não só, não é? Não a secura cabralina, o racionalismo exacerbado, presumo? Há lugar para o êxtase, o maravilhamento, a experiência de alteração da consciência, as aberturas para o misticismo, mesmo profano, não há?

AFF - É preciso haver essas duas dimensões e muitas mais.  Raro mas não impossível é encontrá-las numa mesma encarnação. Como se Aristóteles pudesse ter sido Platão sem deixar de ser Aristóteles. Mas o místico derramado que foi San Juan de la Cruz, nas Coplas Del alma que pena por ver a Dios, parece ter chegado perto da sua fórmula: apuro na criação, reflexão & êxtase, maravilhamento. Senão vejamos:

Vivo sin vivir en mi
y de tal maneira espero,
que muero porque no muero.

En mí yo no vivo ya,
y sin Dios vivir no puedo;
pues sin él y sin mí quedo,
este vivir, que será?
Mil muertes se me hará,
pues mi misma vida espero,
muriendo porque no muero.

Esta vida que yo vivo
es privacíon de vivir;
y así, es contino morir
hasta que viva contigo.
Oye, mi Dios, lo que digo,
que esta vida no la quiero;
que muero porque no muero.

E vai, assim, pelas 40 estrofes seguintes, até o final do poema.

CW - Crítica literária, você também fez. Em matéria de colaborações na imprensa, nada em vista? (seria uma pena)

AFF - Não tem me sobrado tempo para abraçar mais coisas do que faço no IMS. Mais à frente, gostaria de retomar alguns pequenos ensaios críticos que venho guardando, inacabados, nem sei mais em que gaveta.

CW - Se você fosse dar uma oficina literária, a exemplo das que tenho coordenado (inclusive no IMS), o que você mandaria o pessoal ler, de poesia, prosa, crítica? Aliás, você faria isso, daria oficina? (oficineiros agradeceriam, penso)

AFF - Antes de aceitar uma coisa dessas precisaria me preparar, me organizar. Mas se tivesse tempo, acho que toparia. E, já que estamos falando de antípodas, vamos, na mesma chave, para as leituras. Poesia: Jorge de Lima e João Cabral de Melo Neto; prosa: Clarice Lispector e Graciliano Ramos; crítica: Antonio Candido e Haroldo de Campos. 

____ 

Antonio Fernando De Franceschi (Pirassununga/SP, 1942). Sua formação é em Filosofia – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, e sua atividade atual é a de Superintendente Executivo do Instituto Moreira Salles.

Já ocupou vários outros cargos, no. Conselho Editorial da revista D. O. Leitura – Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Conselho Consultivo do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade-RJ, Conselho Técnico da Fundação Cultural Exército Brasileiro-RJ. Vice-Presidente da ANEC – Associação Nacional das Entidades Culturais. Conselho Deliberativo do Centro Cultural Maria Antonia, USP-SP. Conselho Editorial da Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, IEB, USP-SP, Conselho Consultivo da União Brasileira de Escritores-UBE-SP (1987/1990), Conselho de Administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing-SP (1980/1990), Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Imprensa-ABI-SP, (1987/1990), Editorialista e Diretor de Redação da Revista Isto É (1980/1984). Conselho Deliberativo da Fundação Pró-Leitura do Ministério da Cultura (1985/1990). Editor da Coleção QUALÉ, Editora Brasiliense-SP (1994/1995). Diretor do Museu de Arte de São Paulo-MASP (1993/1994).

Publicou os seguintes livros de poesia: Tarde Revelada (Editora Brasiliense,1985), Caminho das Águas (Editora Brasiliense,1987), Sal (Companhia das Letras,1989), Fractais (Editora Brasiliense,1990), A Olho Nu (Companhia das Letras,1993), e Cinco Formas Clássicas (BEI – Comunicação, 2002).

Recebeu os seguintes prêmios literários: Prêmio Jabuti, Câmara Brasileira do Livro,1986, como Revelação de Autor, por Tarde Revelada; Prêmio “APCA”, Associação Paulista de Críticos de Arte,1987, categoria Poesia, por Caminho das Águas; Prêmio Jabuti, Câmara Brasileira do Livro,1988, categoria Poesia, por Caminho das Águas; Prêmio Cassiano Ricardo, Clube de Poesia,1990, categoria Poesia, por Sal.

CADERNOS DE LITERATURA BRASILEIRA do Instituto Moreira Salles: nº 1, João Cabral de Melo Neto; nº 2, Raduan Nassar; nº 3, Jorge Amado; nº 4, Rachel de Queiroz; nº 5, Lygia Fagundes Telles; nº 6, Ferreira Gullar; nº 7, João Ubaldo Ribeiro; nº 8, Hilda Hilst; nº 9, Adélia Prado; nº 10, Ariano Suassuna; nº 11, Ignácio de Loyola Brandão; nº 12, Carlos Heitor Cony; nº 13/14, Euclides da Cunha (Edição dupla); nº 15, Millôr Fernandes; nº 16, Erico Veríssimo; nº 17/18, Clarice Lispector (Edição dupla).

Claudio Willer (Brasil, 1940) é um dos editores da Agulha. Entrevista realizada em março de 32005. Crédito da fotografia de AFF: Juan Esteves. Contato: cjwiller@uol.com.br. Página ilustrada com obras do artista Leonel Maciel (México).

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