revista de cultura # 40 - fortaleza, são paulo - agosto de 2004

discos da agulha

As Quatro Faces, de Paulo Gusmão01 As Quatro Faces, de Paulo Gusmão. Zabumba Records. São Paulo. 2002. Contatos através da Rob Digital: contato@robdigital.com.br.

Segundo CD do compositor Paulo Gusmão, produzido por Roberto Sion, responsável também pelos bem trabalhados arranjos. Em suas dezessete faixas, o compositor apresenta gêneros variados, passando da bossa-nova à toada nordestina, ao choro, ao tango, à valsa-jazz, revelando dentro dessa diversidade, uma unidade estilística bastante pessoal. Na trilogia “Três Passagens Literárias”, por exemplo, Paulo Gusmão nos mostra inspirados temas melódicos, aos quais Roberto Sion imprimiu sofisticado tratamento camerístico. Merecem especial destaque as faixas “Suíte Astoriana”, tango composto em homenagem a Astor Piazzolla, e “Choro Novo” (esta em parceria com Marcelo Zanettini). Garantindo a qualidade e o requinte na interpretação de seu trabalho como compositor, Paulo Gusmão contou com a participação de músicos de renome no cenário musical brasileiro: Roberto Sion, Toninho Ferragutti, Léa Freire, Toninho Carrasqueira, Marcelo Jaffé, Mariô Rebouças, Paulo Freire, Swami Jr, André Magalhães, entre outros.

Tudo se Move, de Mona Gadelha02 Tudo se Move, de Mona Gadelha. Brazilbizz Press. São Paulo. 2004. Contato: outubro@uol.com.br.

O novo CD de Mona Gadelha começa com uma marcha de carnaval antiga, “Bloco da Solidão”, escrita pela dupla Evaldo Gouveia/Jair Amorim, gravada por Maysa e Altemar Dutra, entre outros. A faixa produzida, arranjada e executada pelo pianista carioca Fernando Moura, com percussão de Marcos Suzano, ganhou sonoridade jazzística com levadas de drum’n’bass. O disco prossegue marcado pela forte presença dos recursos da música eletrônica -  samplers, loops, ruídos, efeitos, texturas que se mesclam com canção brasileira, bossa, samba, jazz e rock (este sob a forma de balada, na regravação de “A Última Guerra”, de Samuel Rosa, Lô Borges e Rodrigo Leão).

Além de resgatar um clássico de carnaval, ela também relê um standard eternizado por Billie Holliday, “Love me or Leave me”, que na versão em português de Fernando Cali Pereira ganhou o título de “Suspense”, transformado num samba-canção d&b por Fernando Moura.

Para alcançar a sonoridade múltipla que almejava, a cantora contou com a colaboração de cinco produtores: Alexandre Fontanetti (com quem trabalhou em seu primeiro CD), Fernando Moura, Alvaro Fernando (produtor de faixas do seu segundo disco), DJ Mau Sacht e Paulo Bira, além do DJ e produtor italiano Roby J. C., que assina a faixa 13, o remix “Saint-Denis-Ceará Panaphonic”. “Foi enriquecedor trabalhar com vários produtores”, conta Mona. “De cada um ganhei sugestões, parcerias e novas experiências”.

As faixas produzidas pelo DJ e guitarrista Mau Sacht (“Saint-Denis-Ceará”, “Na Estação” e “29 Beijos” - esta resgatada do baú dos Novos Baianos Moraes Moreira e Galvão), com levadas de house e percussão brasileira, devem ganhar as pistas. 

Com o novo CD, Mona insere seu trabalho na MPB contemporânea, valendo-se de variados ritmos e estilos, num álbum em que prevalecem as personagens femininas  com suas fantasias, dramas, descobertas e aventuras. O trabalho é resultado do seu apego à canção e de suas andanças pela Europa (foi ao Midem duas vezes, apresentou-se na Alemanha, foi ao Womex, na Espanha). Em Paris, reencontrou o compositor cearense Valdo Aderaldo, de quem gravou “Saint-Denis-Ceará” (parceria com o gaúcho Celso Gutfreind), que originou o primeiro videoclipe, um “diário eletrônico” da viagem à França filmado por Maira Sales e editado pela VJ e diretora Fabiana Prado (a mesma do primeiro clipe de Mona, “Cinema Noir”).

“Tudo se Move”, título inspirado na obra do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, traz a participação de grandes músicos em suas 13 faixas, como os pianistas Fernando Moura, Lelo Nazário e JETHER Garotti, os percussionistas Marcos Suzano e Alvaro Fernando ( produtor e autor de duas faixas do CD,  “Felicidade pra Mim” e “Escuro”), os baixistas Caco Faria e Paulo Bira (produtor e autor de “De Onde Você Vem?”, do repertório da Nomad, pioneira banda paulistana de reggae), os guitarristas-violonistas Edu Gomes e Alexandre Fontanetti (produtor e arranjador de “A Última Guerra” e “Louca,Nua”). 

Como compositora, Mona assina parcerias com Moura (na faixa-título e “Noturna”, uma balada lounge com sotaque francês), Ricardo Cunha (na bossa pouco ortodoxa “Louca, Nua”) e Sergio Cruz (na dançante “Na Estação”).

Desde o lançamento do segundo CD (“Cenas & Dramas”), Mona passou a ter o seu próprio selo, que também é produtora cultural, a Brazilbizz Music. Seu primeiro disco, lançado pela Movieplay emplacou algumas faixas em rádios brasileiras, como “Cinema Noir”, “Cor de Sonho” e “Imagine Nós”. Com o convite para participar de uma compilação na Espanha (“Músicas do Caribe e da América Latina” - FNAC), Mona começou a atuar no mercado internacional, apresentando-se na Alemanha (em Nuremberg, 2002, cantou para um público de 1500 pessoas em praça pública).  

No CD "Cenas & Dramas" Mona já mostrava o amadurecimento do seu trabalho e incorporava recursos eletrônicos, como na faixa “O Amante”, acid jazz com programação de bateria  produzida por André Magalhães.

O disco é um lançamento do selo Brazilbizz Music, do qual a cantora é sócia, com distribuição da Tratore. Traz participações dos produtores e de músicos como Marcos Suzano, Lelo Nazário, Caco Faria, JETHER Garotti e Alex Fornari, entre outros. O selo Brazilbizz lançou o CD do DJ Mau Sacht (#1) e lançará Rogério Rochlitz (Carro de Boy), Ricardo Cunha (Bossa New Soul) e Allan Grando, jovem pianista de música erudita.

Choro Criolo, Humberto Araújo03 Choro Criolo, Humberto Araújo. Fina Flor. Rio de Janeiro. 2004. Contato:  finaflor@marlin.com.br.

Humberto Araujo é um daqueles músicos brasileiros que merece um CD solo há muito tempo. Saxofonista, flautista, arranjador, compositor e figurinha fácil ao lado de grandes nomes da MPB como Chico Buarque, Martinho da Vila, Cidade Negra, Jorge Benjor, Luís Melodia, Ivan Lins, Elba Ramalho, Zeca Pagodinho, Alcione, Beth Carvalho, Paralamas do Sucesso, Paulinho da Viola, Elza Soares, entre outros, ora em gravações ora em shows no Brasil e no exterior. Em "CHORO CRIOLO", muito mais que um passeio instrumental pelas obras de compositores tradicionais, como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e Bonfiglio de Oliveira, Humberto usa todo seu talento e experiência para inovar na leitura de choros, valsas e maxixes, introduzindo uma pitada rítmica bem brasileira, com o uso de instrumentos de percussão como repique de mão, tantan, tamborim, cuíca, entre outros. O resultado é um disco de sonoridade nova onde mesclam-se swing com virtuosismo.

Samba de Alvrakélia, de Mário Montaut04 Samba de Alvrakélia, de Mário Montaut. MBBmusic. Alemanha. 2004. Contato: mario_montaut@hotmail.com.

Sonhos Musicais buscando as reais paralelas  do  disco em todos os âmbitos de vida possível. Poderíamos falar em trova, chorinho, acalanto, música medieval, renascentista, contemporânea. Sempre em forma de canção. O essencial, porém, é dizer que são fortes manifestações vitais de sonho vivido, de vida sonhada, em vias melódicas e poéticas que originaram 13 canções: Primavera, Bem Lá Dentro, Madrugal, Taurina, Procissão, Na Falta De Espaço Pr'um Jardim, Luto, Tarde, Ciro Sol, Aura Lúnia, E Viajei, Ingatiaia e Samba de Alvrakélia. As canções são de Mário Montaut, com exceção de "Luto", de Vicente Thiné, também co-autor de "Primavera". "Tarde" é uma parceria de Mário Montaut e Cássio Gava, arranjador e produtor do álbum que contou com a presença da cantoras Ana Lee, e de músicos como Mário Carvalho (piano elétrico/violões), Roberto Gava (violão, craviola, cavaquinho e samplers), Vicente Thiné (cavaquinho), Sérgio Menardi (flautas, clarinetas e sax alto) e Décio Menardi (fagote), dentre outros.

Estação Leopoldina, Paulo Moura05 Estação Leopoldina, Paulo Moura. Selo Rádio MEC. Rio de Janeiro. 2003. Contatos através da Rob Digital: contato@robdigital.com.br.

“O meu disco é uma reminiscência daquele som das rádios, mais regional, em que existia o acordeão, o violão, o cavaquinho e a percussão. Parece um pouco com certas coisas do Caçulinha, do Ciro Monteiro, da Elisete Cardoso. É um disco feito para dançar, mas sem os metais de uma gafieira. É mais delicado para os ouvidos, mais intimista” – é assim que o maestro, músico e arranjador define o seu mais novo trabalho. Para chegar a esse resultado, Paulo Moura juntou no estúdio sinfônico da Rádio Mec os percussionistas Marcos Esguleba, Marcos Zama e Laudir de Oliveira, o baterista Paulinho Balck, o cavaquinista Márcio Almeida, o bandolinista Rodrigo Lessa, o acordeonista Chico Chagas e o violinista Carlinhos Sete Cordas. Próprio a um disco dançante o repertório montado pelo maestro é variado e inclui sambas, forrós, choros e composições de matizes afro-latinos. O CD traz a marca de um trabalho que o músico vem desenvolvendo já há alguns anos, com uma sutil diferença: as músicas formam uma sequência bem planejada, com a transição quase sempre feita através da percussão tornando o disco ótimo de ouvir do início ao fim.

Ana Lee, de Ana Lee06 Ana Lee, de Ana Lee. Produção de André Magalhães (Estúdio Zabumba). São Paulo. 2004. Contato: ana-lee@uol.com.br.

Este CD aposta numa sonoridade acústica e camerística, investe em nova safra de compositores paulistas e busca sonoridade diferenciada. Traz em seu repertório estilos variados, compositores que vão da nova geração como Chico César, Lincoln Antonio e Walter Garcia, passando por José Miguel Wisnik, Chico Buarque até Manuel Bandeira e Jayme Ovalle  com sua Modinha – opus nº 5 (sendo a “modinha” o primeiro gênero de canção popular a chegar ao Brasil, segundo J. R. Tinhorão), entre outros.

O disco tem uma sonoridade extremamente sofisticada, apoiada em poucos instrumentos, porém com combinações variadas e surpreendentes, buscando as sutilezas e o relevo da palavra.

Assim, traz formações pouco usuais como a que leva o clarone na função de contrabaixo, como em “Virtual” (Wisnik/Alice Ruiz), “Tô ligada, Tô legal” (Walter Garcia), ou como no duo de contrabaixo e voz em “O que será – À flor da pele” (Chico Buarque), destacando a letra da canção, ou ainda em “Deserto para Erik Satie” (Lincoln/Walter), com piano, fagote, percussão e voz.

O CD contou com a participação de Swami Jr. (violão 7 cordas), Célio Barros (baixo acústico), Ari Colares (derbak), Miguel Briamonte (piano), Guilherme Kastrup (percussão, programação e samplers), Bráulio Mendonça (violão nylon) e Ozias Stafuzza (violão nylon), Cássia Maria (percussão), Itamar Vidal (clarone) e Ramoska (fagote), Ana Isabel (viola), Marisa Silveira (cello), J. H. Penna (flauta ; arranjo de cordas e flauta), André Magalhães ( bateria e percussão) e Oswaldinho do Acordeon.

Eletropixinguinha XXI, de Henrique Cazes, Fernando Moura e Beto Cazes07 Eletropixinguinha XXI, de Henrique Cazes, Fernando Moura e Beto Cazes. 2002. Contatos através da Rob Digital: contato@robdigital.com.br.

A ousada experiência de um grupo de músicos que durante anos pesquisou, copiou, sampleou e traduziu para a linguagem eletrônica um repertório selecionado da fase mais marcadamente afro do grande Pixinguinha. O resultado é surpreendente, pelo caráter atual da linguagem, pelos arranjos arrojados e sobretudo pela manutenção de toda a autenticidade da obra deste mestre da música brasileira. Participações especiais de Teresa Cristina e Pedro Miranda. Um disco "dance" com tradição e atitude.


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