revista de cultura # 29 - fortaleza, são paulo - outubro de 2002

Livros da Agulha

Passagens (Antologia de poetas contemporâneos do Paraná)1 Ademir Demarchi (seleção e apresentação). Passagens (Antologia de poetas contemporâneos do Paraná). Imprensa Oficial do Paraná. Curitiba. 2002. 424 pgs. Contato: editora_dioe@pr.gov.br.
A Imprensa Oficial do Paraná, por meio da coleção Brasil diferente, lança esta antologia que tem a finalidade de apresentar, para um público mais amplo, a produção dos poetas paranaenses que começaram a publicar a partir da década de 1990. O organizador, também poeta e editor da revista Babel, Ademir Demarchi, aglutinou 26 dos mais representativos recentes poetas paranaenses, tendo reservado 14 páginas para cada um deles. O leitor vai encontrar nas páginas de Passagens uma temática contemporânea embalada em versos longos - o que significa, de certa forma, um contraponto à herança leminskiana: o hai kai. [Nota da Editora]

A aventura espiritual de Álvares de Azevedo (estudo e antologia)2 Anderson Braga Horta. A aventura espiritual de Álvares de Azevedo (estudo e antologia). Thesaurus Editora. Brasília. 2002. 200 pgs. Contato: editor@thesaurus.com.br.
Álvares de Azevedo, um dos gêmnios adolescentes do nosso Romantismo, foi, considerados os escassos vinte anos de sua vida terrena, escritor numeroso, em prosa e verso. Numeroso e ousado. Tanto sua poesia quanto sua ficção, ainda nas peças em que se pudesse apontar algum defeito de estrutura ou de acabamento, tinham generosidade e grandeza. Sua poesia, em particular, influenciou, quando lhe condicionou a obra, os grandes românticos posteriores, e mesmo alguns pós-românticos. É, com justiça, considerado um dos grandes autores de nossa literatura após a Independência. Com o ensaio de Anderson Braga Horta, desenvolvimento de oração acadêmica de 1983, publicada isoladamente em 1984 e 1986, agora ampliada e ilustrada por pioneira antologia temática, orgulha-se a Thesaurus de oferecer ao público um retrato vigoroso do poeta. [Nota da Editora]

Relações de força3 Carlo Ginzburg. Relações de força (tradução de Jônatas Batista Neto). Ed. Companhia das Letras. São Paulo. 2002. 192 pgs. Contato: www.companhiadasletras.com.br.
Conhecido por obras-primas como O queijo e os vermes e História noturna, Carlo Ginzburg levanta uma polêmica sobre as visões contemporâneas da história, com a elegância e sobriedade já conhecidas. Na seqüência de Olhos de madeira, o historiador italiano dedica-se neste livro a desmontar a visão pós-moderna da historiografia como prática desobrigada de qualquer objetividade. Ginzburg traça uma genealogia do pós-modernismo e chega à obra do silófofo alemão Friederich Nietzsche e suas idéias juvenis sobre a retórica, para então mostrar a vigência de uma outra tradição que, desde Aristóteles, vincula a retórica à prova. O historiador estuda momentos exemplares desse vícnulo. A leitura da Educação sentimental, de Gustave Flaubert, vem mostrar como o discurso literário não elimina a correspondência entre ficção e história. Segundo o autor, a construção literária não é incompatível com a prova histórica. Ao analisar o quadro Demoiselles d'Avingnon, de Picasso, Ginzburg mostra como a educação clássica do pintor lhe permitiu conhecer melhor culturas estranhas à sua formação. Ginzburg destaca assim a importância da tradição clássica para a visão de culturas alheias e distantes, ao contrário do que faria supor o relativismo pós-moderno. [Nota da Editora]

Virgílio Varzea: os olhos de paisagem do cineasta do Parnaso4 Carlos Emílio Corrêa Lima. Virgílio Varzea: os olhos de paisagem do cineasta do Parnaso. Editora UFC/IOESC/FCC Edições. Fortaleza/Florianópolis. 2002. 344 pgs. Contato: editora@ufc.br.
Este livro traz de volta ao amplo cinema literário do mundo o escritor-paisagista brasileiro Virgílio Varzea (1863-1941), revalorizando-o de um ponto de vista original, situando sua obra como precursorae influenciadora secreta de importantes tendências, técnicas, autores e temas da literatyra e da cinematografia universal… O autor traça aqui, audaciosamente, instalando no horizonte do mar, na «risca», em um inesperado arremesso, uma repaisagem do panorama literário e cultural do Terceiro Milênio, pondo em xeque os conceitos contemporâneos e as normas invisíveis que monitorizam a criação da maioria das obras de ficção no mundo atual. Este livro é, de fato, por seu conteúdo e relevo, o manifesto paisagista para o século XXI. Carlos Emílio Corrêa Lima é romancista, contista, poeta, ensaísta, editor, jornalista literário e professor, mestre em Literatura Brasileira pela UFC. Publicou o livro de contos Ofos (1984) e os romances A cachoeira das eras (1979), Além, Jericoacoara (1982) e Pedaços da história mais longe (1997). [Nota da Editora]

A espuma do fogo5 Carlos Nejar. A espuma do fogo. Ateliê Editorial. São Paulo. 2002. 108 pgs. Contato: atelie_editorial@uol.com.br.
Lemos nas orelhas deste livro, a lúcida abordagem de Ivan Teixeira: «A espuma do fogo não é um livro de poemas, mas um poema único, com cerca de três mil versos, uniformizados não pela métrica dos manuais, mas pelo ritmo da fala poética, que produz uma elocução espontânea sem ser indisciplinada, o que justifica a alternância de metros diversos, todos curtos, oscilando, sobretudo, entre o pentassílabo, o hexassílabo e o heptassílabo. Mas, paradoxalmente, como todo poema longo, trata-se de uma sucessão e momentos iluminados que se ligam, digamos, por uma espécie de justaposição respiratória do ritmo, à imitação das ondas, que tanto podem ser as do rio Guaíba, como as da morfologia dos pampas ou as do Ponta de Santa Mônica, em Guarapari.»

La Tumba6 Juan Introini. La Tumba. Ediciones del Caballo Perdido, Mvdeo., 2002. 151 págs. Contato: juani@fhuce.edu.uy.
En la portadilla de este libro, leemos las palabras de Alfredo Fressia: Francisco Acuña de Figueroa, el Poeta que Juan Introini (Montevideo, 1948) recrea tras los estremecidos relatos de este libro, fue el más obediente de sus conciudadanos, servil frente a todos los poderosos que dominaron ese territorio golpeado por el viento y por la historia, y que terminó por llamarse "República Oriental del Uruguay". Pero también Figueroa despreció a todos los cómitres de turno y su aventura resultó en la subversiva e insidiosa marca de Caín de una nación. Autor del himno que nos acosa para siempre entre "la Patria o la Tumba" (y demasiadas veces el Uruguay optó por la segunda), Figueroa parece haber legado su propia tragedia al país errante entre la incertidumbre de una y la certeza de la otra, una herencia del Mal que en esta obra de Juan Introini atraviesa los años, la locura, las dictaduras, la obsesión y el hybris, potenciados componentes de la tragedia fantástica que el autor viene creando desde sus relatos de El intruso (1989) y de La llave de plata (1995).

Os ases de Cataguases (Uma história dos primórdios do Modernismo)7 Luiz Ruffato. Os ases de Cataguases (Uma história dos primórdios do Modernismo). Ed. Instituto Francisca de Souza Peixoto. Minas Gerais. 2002. 126 pgs. Contato: rufato@jt.com.br.
a respeito deste livro nos diz Joaquim Branco: «Vejo o estudo de Ruffato sobre o Movimento Verde como o depoimento do representante de uma geração nova e consciente, que vem trazer sua compreensão do fenômeno, sua visão do que foi a experiência artística de 1927. Envolta ainda numa moldura novecentista, a Cataguases daquele tempo deveria representar um enigma muito mais perturbador para os jovens que o ousaram desafiar do que se poderá supor hoje. Portanto, o quadro que se delineia na amostragem da aventura verde não é tarefa fácil para se compreender, mas Luiz Ruffato, aliando qualidades de pesquisador e escritor, soube trabalhar o material encontrado e trazer subsídios essenciais.»

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