1 Ademir Demarchi (seleção e apresentação). Passagens
(Antologia de poetas contemporâneos do Paraná). Imprensa Oficial do Paraná.
Curitiba. 2002. 424 pgs. Contato: editora_dioe@pr.gov.br.
A Imprensa Oficial do Paraná, por meio da coleção Brasil diferente, lança esta
antologia que tem a finalidade de apresentar, para um público mais amplo, a produção
dos poetas paranaenses que começaram a publicar a partir da década de 1990. O
organizador, também poeta e editor da revista Babel, Ademir Demarchi, aglutinou 26
dos mais representativos recentes poetas paranaenses, tendo reservado 14 páginas para
cada um deles. O leitor vai encontrar nas páginas de Passagens uma temática
contemporânea embalada em versos longos - o que significa, de certa forma, um contraponto
à herança leminskiana: o hai kai. [Nota da Editora]
2 Anderson Braga Horta. A aventura espiritual de Álvares de
Azevedo (estudo e antologia). Thesaurus Editora. Brasília. 2002. 200 pgs. Contato: editor@thesaurus.com.br.
Álvares de Azevedo, um dos gêmnios adolescentes do nosso Romantismo, foi, considerados
os escassos vinte anos de sua vida terrena, escritor numeroso, em prosa e verso. Numeroso
e ousado. Tanto sua poesia quanto sua ficção, ainda nas peças em que se pudesse apontar
algum defeito de estrutura ou de acabamento, tinham generosidade e grandeza. Sua poesia,
em particular, influenciou, quando lhe condicionou a obra, os grandes românticos
posteriores, e mesmo alguns pós-românticos. É, com justiça, considerado um dos grandes
autores de nossa literatura após a Independência. Com o ensaio de Anderson Braga Horta,
desenvolvimento de oração acadêmica de 1983, publicada isoladamente em 1984 e 1986,
agora ampliada e ilustrada por pioneira antologia temática, orgulha-se a Thesaurus de
oferecer ao público um retrato vigoroso do poeta. [Nota da Editora]
3 Carlo Ginzburg. Relações
de força (tradução de Jônatas Batista Neto). Ed. Companhia das Letras. São Paulo.
2002. 192 pgs. Contato: www.companhiadasletras.com.br.
Conhecido por obras-primas como O queijo e os vermes e História noturna,
Carlo Ginzburg levanta uma polêmica sobre as visões contemporâneas da história, com a
elegância e sobriedade já conhecidas. Na seqüência de Olhos de madeira, o historiador
italiano dedica-se neste livro a desmontar a visão pós-moderna da historiografia como
prática desobrigada de qualquer objetividade. Ginzburg traça uma genealogia do
pós-modernismo e chega à obra do silófofo alemão Friederich Nietzsche e suas idéias
juvenis sobre a retórica, para então mostrar a vigência de uma outra tradição que,
desde Aristóteles, vincula a retórica à prova. O historiador estuda momentos exemplares
desse vícnulo. A leitura da Educação sentimental, de Gustave Flaubert, vem mostrar como
o discurso literário não elimina a correspondência entre ficção e história. Segundo
o autor, a construção literária não é incompatível com a prova histórica. Ao
analisar o quadro Demoiselles d'Avingnon, de Picasso, Ginzburg mostra como a educação
clássica do pintor lhe permitiu conhecer melhor culturas estranhas à sua formação.
Ginzburg destaca assim a importância da tradição clássica para a visão de culturas
alheias e distantes, ao contrário do que faria supor o relativismo pós-moderno. [Nota da
Editora]
4 Carlos Emílio Corrêa Lima. Virgílio Varzea: os olhos de
paisagem do cineasta do Parnaso. Editora UFC/IOESC/FCC Edições.
Fortaleza/Florianópolis. 2002. 344 pgs. Contato: editora@ufc.br.
Este livro traz de volta ao amplo cinema literário do mundo o escritor-paisagista
brasileiro Virgílio Varzea (1863-1941), revalorizando-o de um ponto de vista original,
situando sua obra como precursorae influenciadora secreta de importantes tendências,
técnicas, autores e temas da literatyra e da cinematografia universal
O autor
traça aqui, audaciosamente, instalando no horizonte do mar, na «risca», em um
inesperado arremesso, uma repaisagem do panorama literário e cultural do Terceiro
Milênio, pondo em xeque os conceitos contemporâneos e as normas invisíveis que
monitorizam a criação da maioria das obras de ficção no mundo atual. Este livro é, de
fato, por seu conteúdo e relevo, o manifesto paisagista para o século XXI. Carlos
Emílio Corrêa Lima é romancista, contista, poeta, ensaísta, editor, jornalista
literário e professor, mestre em Literatura Brasileira pela UFC. Publicou o livro de
contos Ofos (1984) e os romances A cachoeira das eras (1979), Além,
Jericoacoara (1982) e Pedaços da história mais longe (1997). [Nota da
Editora]
5 Carlos Nejar. A espuma
do fogo. Ateliê Editorial. São Paulo. 2002. 108 pgs. Contato: atelie_editorial@uol.com.br.
Lemos nas orelhas deste livro, a lúcida abordagem de Ivan Teixeira: «A espuma do fogo
não é um livro de poemas, mas um poema único, com cerca de três mil versos,
uniformizados não pela métrica dos manuais, mas pelo ritmo da fala poética, que produz
uma elocução espontânea sem ser indisciplinada, o que justifica a alternância de
metros diversos, todos curtos, oscilando, sobretudo, entre o pentassílabo, o hexassílabo
e o heptassílabo. Mas, paradoxalmente, como todo poema longo, trata-se de uma sucessão e
momentos iluminados que se ligam, digamos, por uma espécie de justaposição
respiratória do ritmo, à imitação das ondas, que tanto podem ser as do rio Guaíba,
como as da morfologia dos pampas ou as do Ponta de Santa Mônica, em Guarapari.»
6 Juan Introini. La Tumba.
Ediciones del Caballo Perdido, Mvdeo., 2002. 151 págs. Contato: juani@fhuce.edu.uy.
En la portadilla de este libro, leemos las palabras de Alfredo Fressia: Francisco Acuña
de Figueroa, el Poeta que Juan Introini (Montevideo, 1948) recrea tras los estremecidos
relatos de este libro, fue el más obediente de sus conciudadanos, servil frente a todos
los poderosos que dominaron ese territorio golpeado por el viento y por la historia, y que
terminó por llamarse "República Oriental del Uruguay". Pero también Figueroa
despreció a todos los cómitres de turno y su aventura resultó en la subversiva e
insidiosa marca de Caín de una nación. Autor del himno que nos acosa para siempre entre
"la Patria o la Tumba" (y demasiadas veces el Uruguay optó por la segunda),
Figueroa parece haber legado su propia tragedia al país errante entre la incertidumbre de
una y la certeza de la otra, una herencia del Mal que en esta obra de Juan Introini
atraviesa los años, la locura, las dictaduras, la obsesión y el hybris, potenciados
componentes de la tragedia fantástica que el autor viene creando desde sus relatos
de El intruso (1989) y de La llave de plata (1995).
7 Luiz Ruffato. Os ases de Cataguases (Uma história dos
primórdios do Modernismo). Ed. Instituto Francisca de Souza Peixoto. Minas Gerais.
2002. 126 pgs. Contato: rufato@jt.com.br.
a respeito deste livro nos diz Joaquim Branco: «Vejo o estudo de Ruffato sobre o
Movimento Verde como o depoimento do representante de uma geração nova e consciente, que
vem trazer sua compreensão do fenômeno, sua visão do que foi a experiência artística
de 1927. Envolta ainda numa moldura novecentista, a Cataguases daquele tempo deveria
representar um enigma muito mais perturbador para os jovens que o ousaram desafiar do que
se poderá supor hoje. Portanto, o quadro que se delineia na amostragem da aventura verde
não é tarefa fácil para se compreender, mas Luiz Ruffato, aliando qualidades de
pesquisador e escritor, soube trabalhar o material encontrado e trazer subsídios
essenciais.»