Antonio Ferreira dos Santos Júnior



Poema das Vinte Horas

Vinte horas... E te quedas jogado no meio da estrada, Livre do corpo Morto. Vinte horas... A lua estática e longíqua As estrelas, os brilhos, os sonhos E te quedas alí No meio da estrada... Morto. Vinte horas, vinte minutos Vinte séculos Eternidade. Não verás mais o sol Ou já chegaste ao centro dele? Mas teu corpo jogado No meio da estrada... Morto. Vinte horas.... Vinte amigos, vinte irmãs, vinte mães, Vinte santos, vinte vidas, vinte mortos, Vinte, vinte, vinte... E no meio da estrada Jogado o corpo morto. E tua memória nas memórias dos que ficam. Um momento às vinte horas E trocaste teu corpo morto Pela eternidade de tua alma? Ou lembranças nos homens que ficam? Dos que fica à espera... À espera apenas De suas próprias vinte horas!


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