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Ana Cristina Souto
Será isto o Amor?
Amor? Sim eu tenho!
Diferente de tudo que já tive,
ameno como a brisa em tardes de domingo.
Sol que doura sem queimar
lua que ilumina, inebria consola e seduz;
e que me traz sonhos generosos – doces miragens
um grande e infinito amor
desses que não se fere nem com uma lança no peito.
Sem tormentos vãos
juras, segredos, mistérios
milagres, pecados, purgatório
inconstâncias, mágoas, domínios
dilemas, inquietudes, letargias
armaduras, rivalidades, couraças
traduções, legendas, mímicas
relâmpagos fugazes, orvalhos, tempestades
prudência, displicência, delinqüências
lendas, cataclismos, desastres
incertezas, ameaças, cobranças
castigos, vitórias, derrotas
espectadores, especulações, explicações
heranças, trapaças, tetos de vidro
fraquezas, labirintos, masmorras sepulcrais
hostilidades, impunidades, abandonos
máscaras, buscas, preces
ciúmes, provações, condenações
subterfúgios, esquecimentos, carnavais
naufrágios...
duelos, presságios, segredos inefáveis
algemas, âncoras, correntes
manipulações, perseguições, disfarces
roteiros, cenários, itinerários
sentenças, opressões, indulgências
vestígios, declínios, emboscadas
clemências, sacrilégios, renúncias
vigílias, remorsos, apelações
esboços, suspeitas, regressos
destroços, partilhas, martírios
vacilos, mortalhas, mordaças
querubins, serafins, belzebus
maldições, cláusulas, juízes
súplicas, trincheiras, tragédias
passado, êmulos, cicatrizes
conspirações, intromissões, submissões
habeas-corpus, álibis, aliados
disritmia, taquicardia, asfixia
doutrinas, rituais, cabalas
sofismas, sarcasmos, subornos
pactos, teoremas, epitáfios
guardiões, portais, São Pedro
fábulas, alfarrábios, mantos sagrados e profanos,
abismos, grotões, marolas
tufões, vendavais, terremotos
horários, Big Bang, trem das onze
crenças, amuletos, divindades
bússolas, descaminhos, estrela D'alva
Amor, eterno amor!
Desafiador amar-te sem
estratagemas.
Assim,
sigo ao teu
lado -
à sombra de teus gestos...
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